31 de ago de 2010

Castanha-do-Pará: fonte de selênio

Uma boa alimentação é o segredo para ter uma pele e corpo saudáveis.

Muito se fala sobre as vitaminas C e E, o ômega 3 e tantos outros nutrientes que ajudam a manter o equilíbrio do organismo. O que poucos sabem é que a castanha-do-pará, uma semente tipicamente brasileira, ajuda não só a prevenir transtornos musculares, neurológicos e até cânceres, mas também atua na elasticidade da pele, mantendo-a com aparência jovem por mais tempo.

A castanha fornece magnésio, que ajuda na atividade cardíaca e muscular e no funcionamento das células nervosas, bem como na formação dos ossos. Também contém ômega 3, que melhora a concentração, a memória, habilidades motoras, velocidade de reação, neutraliza o stress, previne doenças degenerativas cerebrais e reduz os riscos de doenças do coração.

Outra substância encontrada na castanha-do-pará é o selênio que ajuda a retardar o envelhecimento da pele. Com apenas uma castanha ao dia um adulto consegue suprir a necessidade diária desse nutriente no organismo, e isso pode ser feito consumindo-se a castanha na forma pura ou até mesmo em doces, torrada, em farinha ou em sorvetes. In natura é sempre melhor, mas não há problema nas outras formas de consumo.

O selênio é um semi-metal essencial à nutrição do organismo. Ele melhora a resposta imunológica do organismo, previne doenças cardiovasculares e é essencial para a formação do T3 (hormônio ativo no funcionamento da tireóide). Além disso, como parte de sua função imunológica, também ajuda na prevenção do câncer. Tem ação antioxidante, combatendo os radicais livres, também responsáveis pelo envelhecimento da pele, sua presença nos tecidos melhora a elasticidade da pele, em conjunto com a vitamina E. Também impede a degeneração celular, pois envolve a membrana da célula e protege o sistema imunológico.



Outros alimentos como fígado, peixe, crustáceos, ovos, brócolis, outras nozes brasileiras e couve também contêm selênio, porém em quantidades bem menores do que a castanha-do-pará.

A quantidade que um adulto deve consumir de selênio por dia é de 55 a 70 microgramas e, para as crianças, a quantidade cai de 20 a 30 microgramas ao dia. Uma castanha-do-pará tem em média 50 microgramas de selênio. A quantidade ideal seria então uma castanha por dia para adultos e meia para crianças.

Um adulto deve ingerir níveis inferiores a 11 microgramas de selênio por dia para considerar-se em um estado deficiente. Em dois meses os sintomas da falta de selênio já são visíveis, com aparecimento de manchas claras na pele e unhas, fraqueza e dor muscular, irritabilidade e alterações das condições nervosas. Além da falta de ingestão do nutriente, substâncias como o fumo comprometem e inibem a ação do selênio.

Ao mesmo tempo em que pouco selênio faz mal à saúde, seu excesso também é nocivo ao organismo. A ingestão de cerca de 800 microgramas do nutriente ao dia pode causar intoxicação resultando em transtornos musculares, neurológicos e queda das unhas, além de esfacelamento do cabelo. A concentração de selênio no organismo pode ser medida no sangue, mas essa não é uma dosagem feita de rotina.

Em um estudo na Nova Zelândia de 2008, publicado no American Clinical Journal of Nutrition, mostrou que após 12 semanas o grupo de voluntários que consumiu duas castanhas ao dia teve seu nível de selênio no sangue aumentado em 64,2%. Os resultados indicaram que o consumo desse alimento na dieta diária garante um bom nível de selênio sem precisar de suplementos.

A falta de selênio, segundo o artigo neo-zelandês, pode associar-se a um maior risco de câncer, doenças cardiovasculares, alteração das funções imunológicas, infertitidade masculina, inflamações e infecções virais. Um problema que se observa é que nem todos os alimentos são ricos em relação a esse nutriente quanto deveriam devido muitas vezes à má-qualidade do solo.

Anote a dica: inclua em sua dieta 2 castanhas-do-pará por dia ou manipule o selênio 100 microgramas + vitamina E 10 miligramas em cápsulas e ingira 2 cápsulas ao dia.


Dra. Priscila Rosa Pereira.

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