08/09/2010

Açúcar x Diversos tipos de Adoçantes

É difícil imaginar a vida sem o sabor do açúcar. Porém vive-se buscando formas de deixar os alimentos doces e saborosos sem adicionar açúcar para que fiquem mais saudáveis e menos calóricos. Infelizmente, até agora não foi descoberto nenhum produto natural ou artificial que seja capaz de substituir perfeitamente o sabor do açúcar.

Além dos adeptos de hábitos saudáveis e alimentação natural e das pessoas preocupadas em não ganhar peso, outro grupo com restrições ao consumo de açúcar é o dos diabéticos. Este grupo não pode comer açúcar em excesso por terem deficiência total ou parcial de insulina, o hormônio que estabiliza os níveis de glicose (derivada dos açúcares e de carboidratos em geral) na circulação sanguínea.

A tentativa de substituir o açúcar nos alimentos levou a produção de diversos tipos de alimentos ditos "diet", que por não possuírem açúcar em sua composição são indicados para os diabéticos em substituição aos produtos comuns. O problema é que muitas vezes, para manter o sabor agradável e o alimento ser palatável e atrativo ao consumidor, no lugar do açúcar acaba sendo colocado um teor muito maior de gorduras, principalmente as saturadas e trans, o que tem se tornado um grande problema. É muito importante que os consumidores tenham consciência que o consumo destes produtos diet não está liberado e não pode ser feito sem moderação, porque são calóricos e engordam! Sua única vantagem é a de não elevarem rapidamente a glicemia após a ingestão dificultando o controle glicêmico.

Outro fato é o de que por trás do efeito engordativo de alguns alimentos e bebidas diet está uma fome voraz ocasionada pelo adoçante. Enganando o cérebro, o doce que nos trás calorias vazias e uma reflexão: o fato de que a obesidade, a depressão, a síndrome do pânico e o diabetes tiveram aumento de sua incidência depois do início do uso de adoçantes.

Entre os adoçantes artificiais, a Sacarina foi o primeiro substituto do açúcar comum (a sacarose). Derivada da destilação do carvão, a sacarina é sintetizada a partir de um derivado da indústria petrolífera, o ácido toluenossulfônico.

O Ciclamato e a Sacarina de Sódio também são sintetizados de um derivado do petróleo (a ciclo-hexioamina). O ciclamato há anos atrás foi proibido nos EUA pela suspeita de causar câncer de bexiga, e depois de extensas pesquisas não comprovarem essa suspeita foi novamente liberado. Estudos atuais mostram que se usado nas quantidades recomendadas o ciclamato não aumenta o risco de câncer. A sacarina levou a suspeitas idênticas nos anos 70. Ambos devem ser evitados por hipertensos pois podem causar aumento da pressão arterial.

O Acessulfame-K (acessulfame potássio) é feito do vinagre. Não é digerido pelo organismo humano. Seu poder adoçante varia de 180 a 200 vezes superior ao da sacarose. Seu uso pode ser muito variado e é utilizado nas indústrias de panificação, confeitos, bebidas e produtos lácteos. Não apresenta calorias.

Outro tipo de adoçante artificial, o Aspartame foi descoberto em 1965. Parece existir uma relação entre o uso de aspartame e o desenvolvimento de sintomas e doenças como fibromialgia, formigamento, Alzheimer, esclerose múltipla, lúpus eritematoso sistêmico, obesidade, cãimbras, vertigens, cefaléias, zumbido no ouvido, artralgias, depressão, ansiedade, visão turva, amnésia, etc. Alguns médicos chamam esse quadro de Doença do Aspartame, que ocorre pela toxicidade causada ao organismo pelo ácido fórmico (originado do álcool presente no aspartame quando este é aquecido acima de 30 graus). Muitos pacientes que apresentaram este quadro eram usuários assíduos de refrigerantes diet e bebiam em média 3 a 4 latas de refrigerante por dia, ou mais. E na maioria dos casos, após a suspensão do uso do aspartame, a maioria dos sintomas desapareceu. Apesar de não ser contraindicado ou proibido, há recomendações de que seja evitado, e principalmente, que não seja usado em excesso.

Alguns adoçantes naturais que podem substituir o uso do açúcar refinado, são extraídos de plantas, frutas e mel. A frutose é o açúcar das frutas maduras e do mel. O sorbitol está presente nas frutas maduras e algas vermelhas. Existe também o manitol e a estévia (extraída das folhas de uma plantinha, a Stevia rebaudiana).

O Estévia é o adoçante mais indicado hoje em dia. O seu poder adoçante pode ser 300 vezes superior à sacarose. Não contêm calorias. Uma vez que a stevia é uma planta ela contém outras propriedades que complementam o seu poder adoçante. Estudos apontam sua capacidade de suprimir o crescimento bacteriano nos dentes (reduzindo cáries) e regular a pressão arterial e os níveis de açúcar no sangue. Não houveram ainda efeitos colaterais associados, por isso deve sempre que possível ser o adoçante de escolha. O seu sabor doce não é afetado pelo aquecimento então pode ser utilizada em chás e outras bebidas, além do preparo de sobremesas em substituição ao açúcar. Existem diferentes marcas de estevia no mercado, cada uma com um sabor diferente. Alguns produtos oferecem a stevia associada a outros adoçantes (ex: ciclamato e sacarina) enquanto outros oferecem a stevia pura.

A Sucralose é um adoçante de baixa caloria feito a partir de uma molécula modificada do açúcar. O açúcar mascavo é a versão integral do açúcar refinado e do cristal (estes dois são compostos apenas por sacarose). O mascavo contém todas as vitaminas e sais minerais do caldo de cana, pois não passou por todos os processos de refinação que o açúcar passa até chegar ao açúcar refinado, aquele bem branquinho. Quanto mais escuro for o açúcar mascavo, mais vitaminas e minerais ele possui. Outro problema do açúcar refinado é que ele possui aditivos para evitar seu endurecimento. Em termos de calorias, o mascavo não é muito diferente do refinado, mas trás com as suas calorias muitos nutrientes como vitaminas B1, B2 e B3, cálcio, fósforo e potássio.

O New Sugar, criado por pesquisadores da Unicamp, é um produto que além de não ter calorias (porque não é absorvido pelo organismo) ainda melhora a flora intestinal. Tem sabor semelhante ao açúcar refinado comum e pode ser usado na mesma dose e forma no preparo de doces que vão ou não ao forno. É obtido através do processo, desenvolvido pela Unicamp, que utiliza um novo microorganismo selecionado para a transformação das moléculas de sacarose. Na natureza, o adoçante, também conhecido como frutooligossacarídeo (FOS) é encontrado em alimentos como banana, cevada, alho, mel, cebola, tomate, entre outros.

Vale a pena tentar escolher um produto menos calórico na hora de adoçar comidas e bebidas. Claro que o sabor muitas vezes não será aquele que você está acostumado e isso é uma questão de tempo (veja bem, se passamos a vida inteira vestindo preto, levaremos um susto ao nos vermos vestidos de amarelo da cabeça aos pés...).

O nosso paladar deve ser ensinado e treinado, e com o tempo ele vai se acostumando a até gostando dos sabores novos. Uma dica é não fazer uma transição abrupta, mas sim ir misturando o açúcar comum com o mascavo ou com o adoçante para ir se acostumando...e aos pouquinhos ir reduzindo a quantidade de açúcar comum e aumentando a do novo eleito. E lembre-se de escolher seu adoçante baseado nestas informações acima, pois é fato que existem diferenças de benefícios e de segurança do uso entre eles.

Dra. Priscila Rosa Pereira.

4 comentários:

  1. Dra Priscila,
    Agradeço a informação sobre misturar adoçante e
    açucar para ir acostumando o paladar.
    Faço isso em algumas situações mas, achava que poderia ocorrer algum efeito colateral a longo prazo. Existe algum estudo nessa área.
    Tenho curiosidade no assunto.
    Meu endereço é:crsmarinho@yahoo.com.br (Cristina)

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  2. Oi Cristina,
    não existe nenhum efeito colateral a longo prazo pelo uso combinado do açúcar e adoçante. Existem estudos que levantaram a hipótese de talvez haver relação entre o uso excessivo de adoçantes e desenvolvimento de doenças inflamatórias, crônico-degenerativas ou até cânceres, mas nada disso se confirmou até o momento.

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  3. Olá bom dia, adorei a matéria.
    Gostaria de saber onde posso encontrar o New Sugar. No mercado ele está com esse nome mesmo ?

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  4. Olá, não sei o nome de nenhuma marca específica para te falar! Tentei encontrar maiores informações em sites e não achei. Não tem nenhuma que eu conheça, acho que talvez não esteja sendo muito comercializado mesmo.

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