16 de set de 2010

Flora intestinal

As 3 principais linhas de defesa de nosso organismo são: o sistema imunológico, o fígado e as colônias de bactérias benéficas que habitam nosso intestino. Examinando a função das fibras alimentares – cada vez mais escassas na alimentação ocidental, parece que desempenham pelo menos 2 funções importantes: alimentam as colônias de bactérias benéficas que vivem no intestino grosso e existem indícios de que uma dieta rica em fibras possa ajudar a evitar o câncer de intestino e outras doenças. Os antibióticos matam as bactérias causadoras de doenças, mas também matam as bactérias benéficas que vivem no intestino grosso e desempenham um papel muito importante na manutenção da saúde. Matá-las causa uma fragilidade em nossas defesas contra microorganismos ou toxinas. Uma boa maneira de garantir a existência destas bactérias benéficas em quantidade e qualidade é pelo consumo de "probióticos", que são alimentos que contêm culturas dessas bactérias.


Existem cerca de 100 milhões de bactérias no intestino, o que significa pouco mais de um quilo do peso corporal de um adulto. Praticamente todas as bactérias que habitam o nosso intestino são encontradas no cólon, a parte mais longa do intestino grosso. Coletivamente, estas bactérias são chamadas de "flora intestinal" ou "microbiota". As principais famílias de bactérias que compõem a flora intestinal são conhecidas como Lactobacillus e Bifidobacterium. Antes do nascimento, o cólon do feto não contém bactéria alguma. Quando o bebê nasce de parto normal, recebe sua primeira flora intestinal da mãe (herança das bactérias benéficas que habitam o canal vaginal). Pesquisas mostram que os bebês que nascem de cesariana têm muito menos bactérias benéficas e muito mais bactérias prejudiciais. O contato íntimo com a mãe é importante.

O aleitamento materno também ajuda: quando são alimentados no peito, os bebês podem absorver as bactérias benéficas por meio do contato da boca com o bico do peito, e o leite materno é perfeito para alimentar a flora intestinal. Você provavelmente traz dentro de si os descendentes diretos das bactérias da sua mãe! As bactérias da família Bifidobacterium compõem até 90% da flora intestinal de um bebê amamentado no peito. Um estudo publicado pelo Allergy Research Center de Estocolmo, em 2001, acompanhou recém-nascidos até os dois anos de idade e descobriu que os que tinham uma flora bacteriana mais numerosa, apresentavam menos chances de desenvolver alergias.

Em uma situação ideal, as boas bactérias estão adaptadas ao meio intestinal. Por isso, normalmente prosperam e inviabilizam a proliferação de bactérias nocivas causadoras de doenças. No entanto, diversos fatores podem alterar a flora intestinal, como:

- stress físico e emocional;
- vida sedentária;
- ingestão de álcool em excesso;
- baixa ingesta de fibras alimentares;
- consumo de bebidas e alimentos com aditivos químicos;
- ingestão de contaminantes veiculados pelos alimentos e água;
- uso de antibióticos e
- uso de estrógenos.




Assim, as bactérias benéficas precisam estar sempre em grande número e bem alimentadas. Nossa parte é simples: devemos lhes fornecer um meio ideal para viverem. As bactérias benéficas sobrevivem fermentando as fibras alimentares, provenientes dos alimentos de origem vegetal. Esse é um dos motivos pelos quais devemos consumir diariamente frutas e hortaliças. O organismo não digere as fibras, que passam direto para o cólon, onde as bactérias as esperam famintas.


Existem dois tipos de fibras: as solúveis, que absorvem água, e as insolúveis, que não absorvem água. Nozes, sementes, ervilhas, feijões e lentilhas fornecem grande quantidade de fibras solúveis. As fibras insolúveis são encontradas, por exemplo, no arroz, cenoura e pepino. Um fato: As fibras solúveis fermentam mais facilmente do que as insolúveis. O principal papel das fibras insolúveis é ocupar espaços, facilitar absorções e criar condições ideais de liberação de nutrientes de volta para o organismo. A fermentação das fibras produz substâncias benéficas. As bactérias da família Lactobacillus produzem ácido láctico, que reduz significativamente a população de bactérias prejudiciais. Podem também produzir as vitaminas K e B12, que são assimiladas via parede do cólon.

A fermentação que ocorre dentro do cólon nos ajuda a absorver sais minerais e alguns produtos da fermentação que podem ajudar a combater o câncer. Na verdade, cerca de 10% de nossa energia provém do processamento das fibras dentro do intestino. As boas bactérias desempenham diversos outros papéis importantes. Por exemplo, elas treinam nosso sistema imunológico quando ainda somos bebês, consomem também alguns gases produzidos pelas bactérias prejudiciais, reduzindo a quantidade que temos de "expelir". Na maior parte do tempo, as bactérias benéficas prosperam e controlam a situação no cólon. Mas, quando estamos doentes, muito cansados ou tomando antibióticos, a flora intestinal sofre muitas baixas.

Quando a flora intestinal se encontra em declínio, as bactérias prejudiciais podem se proliferar, transformando-se em uma força dominante e, obviamente, as bactérias benéficas, em minoria e fragilizadas, não conseguem mais desempenhar sua importante função de defesa. Quando a quantidade de fibras que fermentam no intestino é pouca, as fezes podem reter líquido demais, ficar moles e desencadear perdas minerais importantes. Com uma flora intestinal insuficiente, o funcionamento do intestino também será irregular, você pode se sentir letárgico e observar que está expelindo mais gases do que o normal.

Ingerir mais fibras é a forma de manter uma flora intestinal saudável. Os efeitos positivos sobre a flora intestinal dependem do consumo regular de alimentos ricos em fibras solúveis, também conhecidos como prebióticos (de preferência pela manhã e outras 2 vezes ao longo do dia). Determinados grupos da população podem ser mais vulneráreis a distúrbios gástricos, como idosos, crianças pequenas e pessoas que viajam muito. Estes grupos poderiam se beneficiar do consumo de alimentos enriquecidos com probióticos.

Os efeitos benéficos dos probióticos para a saúde humana são vários:

- restauração da permeabilidade intestinal;
- normalização da microflora intestinal;
- melhora da barreira imunológica intestinal;
- modulação da função imunológica;
- prevenção do câncer de cólon;
- prevenção de dislipidemia (controverso);
- alívio de diarréias;
- alívio de sintomas de intolerância à lactose;
- auxílio no tratamento da doença inflamatória intestinal;
- alívio de sintomas da síndrome do cólon irritável.

Os alimentos com estas bactérias são os leites fermentados e iogurtes. A quantidade recomendada é de dois a três iogurtes com essas culturas probióticas por dia. Mas é difícil saber a quantidade exata que terá em cada “potinho”. Assim, para facilitar, você pode consumi-los em pó ou em cápsulas. Algumas fibras tem o poder de estimular e intensificar a quantidade destas bactérias, são os frutooligossacarídeos (FOS) e a inulina. Essas fibras, classificadas como prebióticos, são encontradas em alimentos como cebola, alho, tomate, banana, trigo, cevada, aveia e cerveja (FOS) e na chicória e alcachofra (inulina). Alguns produtos uniram os probióticos e os prebióticos, são os simbióticos. Eles auxiliam duplamente o organismo, com todos os benefícios dos probióticos e das fibras também.

Se sua flora intestinal estiver desequilibrada, mesmo tendo uma alimentação saudável ou ingerindo suplementos de vitaminas e minerais, não haverá uma absorção eficiente dos nutrientes e muitos serão perdidos. Então é fundamental tratar a flora intestinal para tirar o máximo proveito dos nutrientes da sua alimentação. Procure seu médico!

Dra. Priscila Rosa Pereira.

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