22 de set de 2010

Sibutramina, a injustiçada...

Recém publicado no New England Journal of Medicine, o polêmico estudo SCOUT, concluído em 2009, teve os resultados apresentados pela primeira vez, no Brasil, durante o 29° Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia, no início deste mês.

Na apresentação realizada no Congresso, foi exposto que nos pacientes sem doença cardiovascular, a sibutramina não pareceu aumentar os riscos de complicações. Os resultados apenas reforçam a necessidade de não se utilizar o medicamento em pacientes com doenças cardiovasculares, o que já se sabia há tempo.


Desde o último mês de janeiro, quando a Agência Européia de Medicamentos (EMEA) proibiu a venda da sibutramina e sua prescrição, baseada nos resultados parciais do SCOUT, a questão gerou uma série de reações polêmicas, na Europa, EUA e Brasil. O estudo revelou que o uso da sibutramina aumentou os riscos de infarto ou de outras doenças cardiovasculares em 16%, principalmente em pacientes que já tinham doenças cardiovasculares prévias.


A publicação dos resultados foi importante porque trouxe, para a comunidade científica, novas informações sobre a pesquisa dos efeitos da sibutramina, que vem sendo desenvolvida desde o ano de 2002 em 16 países ao redor do mundo. Acontece que mesmo tendo aumentado em 16% o risco de problemas cardiovasculares, a taxa de eventos foi considerada baixa e não houve qualquer aumento de mortalidade. No Brasil, apenas houve mudança do tipo de receita usada para prescrição da droga (agora receituário azul B2) a fim de se ter um maior controle sobre o número de prescrições.


Toda droga, seja ela para alívio da dor de cabeça ou para emagrecer tem seus benefícios, seus riscos e principalmente suas indicações e contra-indicações. Os bons profissionais vão sempre levar em conta todos estes fatores antes de decidir prescrever o não uma droga destas. Muitas pessoas obesas se beneficiam, e muito, do uso de drogas antiobesidade. Não é verdadeiro o mito de que estas medicações fazem mal, causam dependência ou riscos de vida, pois se usadas quando realmente indicadas e sob a supervisão médica, são bem seguras. É claro e verdadeiro o fato que sem mudanças no estilo de vida ninguém consegue manter-se magro, então, só usar medicamentos não leva ao emagrecimento sustentado. É também verdade que a maioria das pessoas que querem usar este tipo de medicação, poderia sim emagrecer de outras formas (mudando os hábitos de vida - alimentação e atividade física) e procuram conseguir a prescrição destes remédios para perder peso de maneira mais rápida sem se preocupar se vão ou não manter o peso depois.


Portanto, a sibutramina ainda é uma droga eficaz e segura quando bem indicada por um médico responsável, até que se prove o contrário.


Dra. Priscila Rosa Pereira.

Nenhum comentário:

Postar um comentário