2 de out de 2010

E com a embalagem, você se preocupa?

A quantidade do perigoso Bisfenol A (BPA) que é liberada das garrafas plásticas para as bebidas que elas contêm é dependente da temperatura dos líquidos, de acordo com uma nova pesquisa.

Quando garrafas novas e usadas da resina plástica policarbonato (aquela sua garrafinha inocente de água...) foram expostas à água quente fervendo, o Bisfenol A foi liberado 55 vezes mais rápido.
O Bisfenol A é um disruptor endócrino que mimetiza os hormônios naturais de nosso corpo. O Bisfenol A tem mostrado afetar a reprodução e o desenvolvimento do cérebro. O aumento da liberação do Bisfenol A continua mesmo depois que o líquido quente tiver sido removido, o que significa que o ato de lavar os copos e as garrafas de plástico em água quente e depois enchê-los de líquido, pode levar ao aumento do conteúdo de Bisfenol A em bebidas frescas. (Fonte: Science Daily January 30, 2008).



De acordo com o estudo do Centers for Disease Control/CDC (Centros de Controle de Doenças, importante órgão de saúde dos EUA) o Bisfenol A (Bisphenol A=BPA) foi detectado em 95% do público testado. Cientistas também mediram o BPA no sangue, no cordão umbilical e na placenta de mulheres grávidas, constatando que todos estavam num nível que demonstrou alteração no desenvolvimento fetal em animais.



É fato que nosso uso indiscriminado dos produtos plásticos devido à comodidade, vem se voltando contra nós. Estudos como este são importantes para alertar a comunidade, que pode passar a escolher outros tipos de embalagens para os produtos consumidos e também a própria indústria terá que mudar, se não pela preocupação com a saúde de seus clientes, mas para garantir suas vendas. Uma grande empresa de produtos de consumo canadense decidiu remover produtos mesmo estando na moda e sendo fashion, por exemplo, os recipientes plásticos de água da Nalgene (Nalgene plastic water containers), que sairão de suas lojas devido a preocupações quanto à presença do BPA.

O Bisfenol A é um plastificante ou aditivo que quando absorvido mimetiza o hormônio sexual feminino estradiol (um estrogênio), que pode desencadear alterações em nosso corpo. Dos 115 estudos com animais publicados, 81% detectaram efeitos significativos no organismo, mesmo em exposições a doses baixas de BPA. O interessante é que NENHUM dos 11 estudos financiados pela indústria detectou quaisquer efeitos significativos, enquanto que 90% dos estudos das instituições públicas detectaram...Por isso deve-se sempre esmiuçar quem está financiando as pesquisas antes de se concluir sobre a sua real validade científica.



Segundo a ONG Institute for Agriculture and Trade Policy autora do “Guia Inteligente sobre Plásticos” (Smart Plastics Guide), os efeitos adversos da exposição ao Bisfenol A (BPA) incluem dano estrutural ao nosso cérebro, hiperatividade, aumento da agressividade e deficiência de aprendizagem, aumento dos depósitos de gordura e risco de obesidade, alteração do sistema imunológico, puberdade precoce, estimulação de desenvolvimento da glândula mamária, disfunções nos ciclos reprodutivos e disfunções ovarianas, alterações de comportamento específico dos gêneros e comportamento sexual anormal, estimulação de células cancerígenas na próstata, aumento do tamanho da próstata e decréscimo na produção de espermatozóides.



Ainda de acordo com a mesma ONG, o perigo mais agudo está nas mulheres em idade fértil. Exposições nas fases iniciais da vida fetal podem levar a danos genéticos já que o BPA causa erros cromossômicos em baixas doses. Estes erros cromossômicos no feto em desenvolvimento podem também levar a abortos espontâneos. O BPA chamou a atenção dos pesquisadores depois que camundongo normais começaram a apresentar anormalidades genéticas e constataram que os defeitos estavam ligados às gaiolas e aos recipientes plásticos que foram limpos com um forte detergente, causando a liberação do BPA dos materiais plásticos. Após a determinação da quantidade de BPA a qual o camundongo havia sido exposto, eles se deram conta que, mesmo em doses extremamente baixas (de 20 partes por bilhão por dia) durante um tempo de cinco a sete dias, já se reproduzia os efeitos.

O problema com o BPA é que ele não fica nas resinas plásticas. Ele é liberado para todos os tipos de alimentos e bebidas que estão nas embalagens plásticas que tenham este plastificante na película interna, que também reveste o interior de todos os tipos de enlatados e as mamadeiras plásticas. Se colocarmos no aparelho de microondas estes recipientes (embalagens plásticas e garrafas plásticas) ou mesmo colocarmos líquidos e alimentos quentes nestes recipientes, aumentaremos as quantidades de BPA que se soltarão para o alimento ou a bebida 55 vezes mais rapidamente do que quando estão frios!



Nós provavelmente não conseguiremos eliminar completamente nossa exposição ao BPA. Ele está, sem dúvida, no ar que respiramos, na água que bebemos e também no alimento que comemos. Mas certamente nós podemos reduzí-la. As dicas que seguem irão não só reduzir nossa exposição ao BPA, mas também a muitas outras substâncias plásticas também perigosas:



1. Use somente mamadeiras e utensílios de vidro para os bebês;
2. Dê somente brinquedos feitos com materiais naturais em vez de plásticos aos bebês;
3. Armazene os alimentos e bebidas em vidros e NUNCA em recipientes de plástico;
4. Se escolher usar o microondas não coloque o alimento ou bebida em recipientes plásticos;
5. Pare de comprar e consumir alimentos e bebidas em latas;
6. Evite o uso de filmes plásticos (e nunca coloque no microondas nada envolto nisto);
7. Liberte-se de pratos, copos e outros utensílios de plástico, trocando-os por produtos de vidro;
8. Se optar por utilizar utensílios plásticos de cozinha, desfaça-se dos velhos, os lascados ou arranhados e evite colocá-los na máquina de lavar louças. Não lave-os com detergentes fortes, já que este emprego pode fazer com que mais substâncias químicas possam ir para os alimentos;
9. Evite água engarrafada, filtre sua própria água com filtros de osmose reversa;
10. Antes de permitir que o selante dental seja aplicado em seus dentes e de seus filhos, questione o dentista se ele sabe se este material tem ou não BPA;


11. Em qualquer situação em que optar por usar recipientes plásticos, esteja seguro de que estes não estejam marcados com o símbolo da reciclagem n° 7, pois estes podem conter o plastificante BPA. Recipientes marcados com o símbolo de reciclagem números 1, 2, 4 e 5 não contêm BPA (mas podem conter outras substâncias químicas imperceptíveis, tanto no paladar como no visual, que deveríamos evitar sob qualquer preço).



O BPA supostamente não permanece por muito tempo em nosso organismo. Mesmo assim, esta molécula artificial é tão invasiva que os cientistas acreditam que as pessoas estão sendo simplesmente expostas de forma contínua através do alimento, do ar, da poeira e mesmo do simples toque de artigos que contenham BPA. Então, para minimizar nossa contínua exposição, um programa de desintoxicação é uma ótima proposta. Especialmente para as mulheres que estejam planejando ficar grávida. Existem vários métodos que podem auxiliar uma desintoxicação corporal, variando em custos, tempo e eficácia. As medidas abaixo trabalham para estimular os sistemas naturais de desintoxicação do organismo, principalmente o sistema digestivo, o fígado, os rins, pulmões e a pele. Estimulam o fluxo sangüíneo através do fígado e rins para maior eliminação da substância:
- Aumentar a eliminação através da pele usando a sauna regularmente para promover a sudorese;
- Praticar exercícios com respiração profunda para aumentar a eliminação pela respiração;
- Estimular o sistema linfático através de exercícios e massagens (drenagem) para aumentar a drenagem e eliminação de substâncias acumuladas;
- Manter a flora intestinal saudável para que as bactérias de defesa do organismo eliminem substâncias nocivas ingeridas na dieta, isso pode ser feito pela incorporação de alimentos à dieta como os leites fermentados.




Preste atenção de agora em diante, não apenas na qualidade do alimento ou bebida ingerida, mas também na sua embalagem!




Dra. Priscila Rosa Pereira.

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