14 de out de 2010

Mulheres e Hormônios

Seja na puberdade, gravidez, nos dias de tensão pré-menstrual (TPM) ou na menopausa, os hormônios são capazes de influenciar o comportamento das mulheres e causar distúrbios do sono, ansiedade, irritabilidade e, até mesmo, depressão.

As mulheres nascem repletas de folículos ovarianos, responsáveis pela secreção dos principais hormônios femininos. Todo mês, quando a mulher ovula e não acontece a fecundação, os níveis de estrogênio e progesterona diminuem, fazendo com que descame e sangre aquela camada preparada dentro do útero para receber o bebê, ocasionando a menstruação. Isso ocorre todo mês da vida da mulher até que um dia, por volta dos 50 anos, os folículos acabam, chegando então o período que é chamado de menopausa, quando não existem mais ovulações nem menstruação.

A menina que vai entrando na puberdade, a mulher que tem TPM, a gestante ou a mulher que está chegando na menopausa, estão todas propensas a variações significativas na parte emocional devido às flutuações hormonais. Na puberdade, o corpo da menina sofre ação dos hormônios e passa por mudanças, como o crescimento das mamas, dos pêlos, o surgimento das formas mais arredondadas do quadril e afinamento da cintura. A primeira menstruação geralmente ocorre entre os 11 e 13 anos.

Na puberdade, a cabeça da menina fica meio em crise, pois é uma fase de transformação, em que se deixa a infância para trás e se entra na adolescência.

Daí então ela passa a experimentar uma variação dos níveis hormonais todos os meses. É que nosso corpo nos prepara todo mês para uma possível gravidez. Essa alteração hormonal causa em algumas mulheres sintomas como nervosismo, ansiedade, irritabilidade, baixa auto-estima, depressão, distúrbios do sono e alterações bruscas de humor (sintomas que surgem antes da menstruação, num período chamado de TPM - tensão pré-menstrual). Apesar de todas as mulheres terem essa variação hormonal, nem todas respondem igual à ela. Na Inglaterra existe uma lei que estipula diminuição de pena para mulheres que tenham cometido algum crime durante a TPM, tamanho o "estrago" que estes hormônios podem causar na mulher! Pesquisas mostram que a TPM está relacionada a alterações em neurotransmissores cerebrais e em muitos casos, quando associamos um antidepressivo que aumente o nível de serotonina, conseguimos boa melhora no quadro.

Na gravidez, a quantidade de estrogênio e progesterona aumenta bastante. Durante esse período a mulher fica muito sensível, frágil, ansiosa e tem uma variação de humor muito grande. Fora as mudanças que estes hormônios causam no corpo da mulher. Às vezes, quando a criança nasce algumas mulheres podem ter depressão pós-parto, que acontece devido à queda hormonal, que também está ligada à diminuição de serotonina no cérebro.

A menopausa, período onde não há mais menstruação por no mínimo um ano, acontece por volta dos 50 anos. Antigamente, o tempo de vida era menor, então, raramente as mulheres passavam pela menopausa e, quando passavam, culturalmente já estavam na idade de ficar em casa quietinhas, fazendo tricô e cuidando dos netos. Porém, na vida atual, a mulher entre os 40 e 50 anos é bem diferente do estereótipo adotado no início do século 20. Bonitas, charmosas e inteligentes, nessa fase da vida elas ainda estão trabalhando, cuidando dos filhos e, muitas vezes, separando-se do marido, ou já com um novo namorado, uma vez que os casamentos são desfeitos com mais facilidade.

Dados do IBGE evidenciam que no Brasil, em média, as mulheres vivem oito anos mais do que os homens. Calcula-se que mais de 1/3 de nossa vida é pós-menopausa. Por isso, temos que começar a pensar numa reposição hormonal. Vamos viver cada vez mais na menopausa e devemos viver bem. Quando se repõem os hormônios na quantidade ideal para cada mulher, a qualidade de vida dá um pulo fantástico! Além disso, até mesmo a aparência física da mulher que faz reposição hormonal pode ficar mais jovem, já que o estrogênio é responsável pela manutenção das curvas na cintura e quadril do sexo feminino.

Na menopausa há também uma deposição diferente da gordura corporal, que era localizada no quadril e tende a se depositar no abdômen (padrão mais masculino), o que acarreta risco de resistência à insulina, pressão alta, hipertrigliceridemia e doenças cardiovasculares. É comum que a mulher sofra de ondas de calor, principalmente à noite, insônia, depressão, variações do humor, falta de memória, ganho de peso, ressecamento vaginal, diminuição da libido, perda de cálcio nos ossos, maior tendência a desenvolver Alzheimer e câncer de colon intestinal. Quando está entrando na menopausa, geralmente mo primeiro sinal que a mulher começa a ter é a irregularidade menstrual, seguida das outras alterações. Nesta fase ela já deve procurar seu médico para avaliar uma possível reposição hormonal.

Muitas mulheres perguntam por quanto tempo devem fazer a reposição. Enquanto elas estiverem realizando acompanhamento médico, os hormônios devem ser continuados para manter a qualidade de vida. A questão do tempo é medida apenas com relação ao começo, pois não se inicia a reposição em mulheres depois de já estarem cerca de dez anos na menopausa.

Na década de 80, alguns trabalhos científicos relatavam aumento da incidência de câncer de mama nas usuárias de hormônios, embora não houvesse risco significativamente comprovado do ponto de vista estatístico. Estes mesmos trabalhos apontavam melhora na prevenção da osteoporose e redução do risco de doença cardiovascular devido à diminuição das gorduras sanguíneas, além de agir diretamente sobre os vasos, as plaquetas e a coagulação. Alguns estudos extensos foram realizados, mas, devido a falhas na metodologia empregada, as suas conclusões não puderam ser completamente aceitas. Hoje, a decisão de se fazer ou não a reposição é baseada em exames e na avaliação dos sintomas de cada paciente de maneira individualizada.

Indicações da reposição:

* Alívio dos sintomas da menopausa;
* Preservação do osso (prevenção da osteoporose);
* Melhora do bem-estar geral;
* Melhora da sexualidade.

Contra-indicações:

* Presença ou história prévia de tumores como os de mama e endométrio (camada interna do útero);
* História de tromboembolismo (obstrução de um vaso sanguíneo por um coágulo);
* História de Trombofilias – alteração da coagulação com tendência a fazer tromboembolismos (devido à hereditariedade, doenças auto-imunes ou malignidade);
* Sangramento vaginal ou lesões do endométrio, identificadas à ultra-sonografia transvaginal;
* Lesões nas mamas, não esclarecidas à mamografia ou ultra-sonografia mamária;
* Doenças do fígado, principalmente quando a reposição é feita por via oral.

Precauções (não é proibido repôr, mas deve-se ter cuidado):
* Obesidade, tabagismo, períodos de imobilização (são situações que podem facilitar o tromboembolismo);
* Mamas que, previamente, doíam antes da menstruação (Mastopatia Funcional);
* Miomas;
* Cistos de ovário.

Os esquemas de reposição e vias de administração devem ser discutidos e avaliados juntamente com as pacientes para que haja benefícios e boa adesão ao tratamento. Após o início da reposição, a paciente deve manter acompanhamento médico para ajuste das doses dos hormônios, sendo reavaliada no mínimo, anualmente com os seguintes exames: Mamografia ou Ultra-sonografia de mamas, Ultra-sonografia Transvaginal, exames de sangue – com dosagens das gorduras sanguíneas, provas de função hepática e dosagens hormonais – e Densitometria Óssea.

A duração dependerá das metas estabelecidas com a paciente, devendo ser avaliada periodicamente levando-se em conta indicações versus contra-indicações. Devemos lembrar a todas as mulheres a importância de terem um estilo de vida mais saudável, sem tabagismo, com alimentação adequada, rica em cálcio e pobre em gorduras, e atividade física regular; pois isto é importantíssimo durante toda a vida, mas, principalmente após a menopausa.

Dra. Priscila Rosa Pereira.

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