26 de out de 2010

Osteoporose


Osteoporose é uma disfunção óssea que pode afetar todos os ossos do esqueleto, tornando-os mais frágeis. Ela provoca o enfraquecimento progressivo dos ossos e, assim, aumenta a probabilidade de fraturas principalmente no fêmur, coluna e antebraço.

A osteoporose atinge uma em cada três mulheres e um em cada oito homens no mundo acima dos 50 anos. No Brasil, afeta 9,5 milhões de pessoas. Com o aumento da expectativa de vida, este número tende a crescer caso a população não se conscientize e comece a cuidar mais do seu corpo e da sua saúde óssea.


Simples atos auxiliam na prevenção da osteoporose, que pode atingir pessoas de todas as idades, sendo mais freqüente a partir dos 50 anos. Pesquisas mostram que após o aparecimento da osteoporose, em aproximadamente 1 ano ocorre uma fratura grave. A taxa de mortalidade associada às fraturas vertebrais é de 23% em mulheres, segundo pesquisadores. Cabe a cada um a sua prevenção. Fique de olho e previna-se:


- Evite o sedentarismo, praticando exercícios físicos leves 3 vezes por semana, no mínimo;


- Preocupe-se com uma alimentação equilibrada, com ingestão de alimentos ricos em cálcio. O leite é uma das principais fontes de cálcio e deve ser ingerido todos os dias;


- Invista na sua qualidade de vida;


- Exponha-se ao sol leve regularmente, pois é fundamental para que sua pele produza a vitamina D em quantidades necessárias para o seu organismo;


- Evite o fumo, refrigerantes e bebidas alcoólicas;


- No caso das mulheres: realize uma vez por ano, após os 40, uma Densitometria Óssea e verifique com seu médico a necessidade de ingestão de componentes preventivos.

O osso, além de promover sustentação ao nosso organismo, é a fonte de cálcio, necessária para a execução de diversas funções como os batimentos cardíacos e a força muscular. É uma estrutura viva que está sendo sempre renovada. Apenas 1% do cálcio de nosso organismo encontra-se circulando e 99% está nos ossos. Quando o corpo precisa de mais cálcio as células vão até o osso e retiram o que for necessário. Ao mesmo tempo outras células estão reparando outras áreas ósseas onde o osso foi previamente destruído para liberação de cálcio e formam novo tecido ósseo, recolocando cálcio ali. Por isso o esqueleto está sempre sendo renovado e se fortalecendo. Essa remodelação acontece diariamente em todo o esqueleto, durante a vida inteira. Porém, essa renovação vai ficando mais lenta com o passar dos anos e a destruição pode ser maior que a renovação, levando então à osteoporose, que é uma doença caracterizada pela diminuição de massa óssea, com o desenvolvimento de ossos ocos, finos e de extrema sensibilidade, mais sujeitos a fraturas.


É uma doença silenciosa e raramente apresenta sintomas antes que aconteça algo de maior gravidade, como uma fratura espontânea, ou seja, sem estar relacionada a um trauma. O ideal é que sejam feitos exames preventivos, para que ela não passe despercebida. O aparecimento da osteoporose está ligado aos níveis de estrógeno do organismo, hormônio feminino, também presente nos homens, mas em menor quantidade, que ajuda a manter o equilíbrio entre a perda e o ganho de massa óssea. As mulheres são as mais atingidas pela doença, uma vez que, na menopausa, os níveis de estrógeno caem bruscamente. Com a queda, os ossos passam a incorporar menos cálcio e se tornam mais frágeis.


De acordo com estatísticas, a cada quatro mulheres, somente um homem desenvolve a osteoporose. Dez milhões de brasileiros sofrem de osteoporose. Infelizmente, 75% dos diagnósticos são feitos somente após a primeira fratura. No Brasil, a cada ano ocorrem cerca de 2,4 milhões de fraturas decorrentes da osteoporose, e 200 mil pessoas morrem todos os anos no país em decorrência destas fraturas. Os locais mais comuns atingidos pela osteoporose são a coluna, o colo do fêmur, o pulso e as vértebras. Destas, a fratura a mais perigosa é a do colo do fêmur. É também por causa da osteoporose que as mulheres perdem altura com a idade.


Para diagnóstico da osteoporose, o exame mais difundido é a Densitometria Óssea, porém existem outros exames que podem diagnosticar perda de massa óssea em relação ao adulto jovem.


As pessoas devem ficar atentas aos fatores de risco:

- raça branca

- vida sedentária

- menopausa

- baixa estatura

- fumo

- álcool

- alta ingestão de café

- diabetes

- fratura espontânea prévia

- hereditariedade (história familiar)


É indicado que as pessoas façam, a partir 65 anos, exames rotineiros para detectar a osteoporose. Alguns especialistas recomendam que se inicie a pesquisa da osteoporose a partir dos 50 anos. E para as mulheres com algum dos fatores de risco, como, por exemplo, baixa estatura, deve-se começar mais precocemente, realizando os exames anualmente a partir da menopausa. A Osteoporose é uma doença que pode ser facilmente prevenida visto que uma ingestão adequada de cálcio (derivados do leite, vegetais verde-escuros, amêndoas e peixes) contribui e muito para o não aparecimento da doença. A ingestão de Vitamina D também contribui para a absorção do cálcio pelo intestino, porém, é necessária exposição à luz. Exercícios físicos, não ingestão de álcool e não fumar também são fatores importantes para a prevenção da osteoporose.


Informação; atividade física; boa alimentação, rica em cálcio; e exposição ao sol são alguns dos itens que podem garantir seus ossos por toda a vida. Se uma quantidade suficiente de cálcio for armazenada ao longo da vida, essa perda será superada. Acumular cálcio nos ossos é uma das formas de prevenção da osteoporose. Se desde a infância, a criança tiver uma alimentação rica desse mineral será um passo importante para evitar problemas no futuro. Porém há algum tempo, especialistas vêm observando uma mudança perigosa na alimentação dos jovens. O leite e seus derivados têm sido esquecidos pela população, principalmente crianças e adolescentes que preferem de longe beber refrigerantes.


A ingestão ideal de cálcio varia com a faixa etária. Na infância e na vida adulta tardia - ou seja mulheres na pós-menopausa ou idosos – deve ser em torno de 1200-1500mg de cálcio ao dia. Isso corresponde a 1 copo de leite = 250mg de cálcio, 1 copo de iogurte = 300mg e 1 fatia de queijo = 300mg. De acordo com os valores recomendados pela Food and Nutrition Board (Institute of Medicine, National Academy Press, 1997) o consumo diário deve ser:

Idade (anos) Cálcio (mg) Vitamina D (IU)
3-8 800 200
9-17 1300 200
18-50 1000 400
51-70 1200 400
> 70 1200 600


É fundamental corrigir hábitos alimentares, estimulando a ingestão de leite e derivados na infância, isso aumenta o pico de massa óssea, possibilitando um armazenamento para a vida adulta. Pesquisas feitas nos Estados Unidos mostram que só 35% dos adolescentes consomem o mínimo diário necessário. Não é uma questão do país ser pobre ou rico e sim uma orientação errada no que diz respeito à alimentação. O problema relacionado ao leite é mais preocupante do que se imagina, estão sendo detectadas inversões de valores, onde os filhos acabam influenciando os pais no aumento do consumo de refrigerantes em relação ao leite.


Outro fator importante para manutenção da massa óssea é a exposição ao sol. Não é à toa que as mães passeiam com seus bebês pela manhã para tomar sol. Ele é uma das principais fontes de vitamina D do organismo e um dos itens importantes para a prevenção da osteoporose. Um tema que vem chamando atenção de especialistas no mundo inteiro é o excesso de proteção, com a utilização dos bloqueadores solares. Contudo isso não é um fator preocupante no Brasil. Com temperaturas amenas e clima tropical em quase todo o país, só o caminhar na rua já expõe a pele aos raios solares que serão sintetizados em vitamina D. O problema da osteoporose, relacionado à falta da exposição ao sol, tem sido detectado em países de clima frio ou em idosos confinados. Existe uma variação no período necessário a exposição do sol, entre 15 a 20 minutos por dia são suficientes. No Brasil, essa exposição é facilmente obtida sem grandes mudanças nos nossos hábitos diários. O organismo não acumula os efeitos dos raios solares, ou seja, eles são necessários regularmente.


Atividade física também é crucial. Trabalhos mostram que a força do músculo sobre o osso causa microtraumas. É como se ao fazer uma atividade de impacto ocorressem microfraturas no esqueleto. O exercício faz pressão sobre uma célula chamada osteócito, que vai ativar as atividades de remodelação. O exercício de impacto estimula esse processo. Se o indivíduo não faz atividade na infância ou adolescência também não formará um bom pico de massa óssea, porque não estimula essa atividade no organismo. Na fase adulta, as atividades físicas regulares funcionam como prevenção de perda. Quem é sedentário perde mais massa óssea porque não ativa a remodelação.


Assim como o sol, os efeitos da prática da atividade física também não são cumulativos. Pesquisas comprovam que mesmo os atletas ao pararem totalmente não serão beneficiados, em relação à prevenção da osteoporose e o risco de fratura vai aumentando. Existem diferenças, inclusive, entre os atletas. Os ginastas têm massa óssea melhor dos que os corredores, enquanto os nadadores menores, pois a água elimina o impacto que provoca os microtraumas. A natação não é o exercício mais indicado para a osteoporose, porém melhora a força muscular, a coordenação motora e o equilíbrio, diminuindo as quedas. Manter-se ativo é a melhor opção, sempre adequando a idade ao exercício. Para jovens, esportes como vôlei, futebol, handebol, etc, são os mais indicados e praticados principalmente na escola. A musculação dá excelentes resultados e está indicada, inclusive, para as pessoas mais idosas. O problema é a sobrecarga no esqueleto, que merece atenção. É preciso cuidado com as articulações, sendo necessária uma supervisão e adaptação a cada pessoa.


É muito importante manter os níveis adequados de vitamina D no sangue, pois quando se encontram baixos passam a representar um risco para fraturas, independente da osteoporose, pois afeta diretamente a mineralização óssea, a força muscular e o equilíbrio. Trabalhos recentes mostram que o nível ideal de vitamina D no sangue para prevenir fraturas no adulto varia de 50 a 80 nmol/l e que a ingesta necessária para atingir estes níveis sanguíneos seria então de 20 a 25 mcg ou 800 a 1000 UI por dia. Um percentual grande da população apresenta índices deficientes de vitamina D. No Brasil, em estudo realizado na população de Recife (PE) com 627 mulheres mostrou que 32% apresentava baixa ingesta de cálcio e 24% apresentava níveis de vitamina D abaixo de 20ng/ml, nível considerado abaixo do normal.


Segundo especialistas, a prevenção da osteoporose deveria começar com o pediatra, pois é importante formar uma boa reserva de osso, para que ao chegar na fase de perda isso não se transforme em risco. Os adolescentes e crianças que não têm uma boa alimentação, acabam acumulando pouca massa óssea, iniciando a perda em um patamar mais baixo, o que será muito prejudicial. O homem tem um gráfico onde a queda é progressiva e regular. Nas mulheres isso ocorre de forma diferente, porque ao entrar na menopausa acontece uma redução significativa por um período de 5 a 10 anos (3 a 5% ao ano, e algumas até 7%). Depois essa curva de perda óssea prossegue em uma velocidade menor.


A estimativa é de que 1 em 4 mulheres, a partir dos 50 anos, terá uma fratura por conseqüência da osteoporose. A mulher em que a mãe teve uma fratura de fêmur por osteoporose, tem 12 vezes mais chance de desenvolver a doença do que a que não tem histórico familiar. A osteoporose é conhecida, atualmente pelos especialistas, como uma epidemia silenciosa que pode ser combatida. É uma doença que envolve mais a infância e menos a velhice, apesar de se manifestar em idades avançadas. Por isso, é preciso se preocupar com sua prevenção desde a gestação. Mudar hábitos e adotar um estilo de vida saudável é um investimento para o futuro.


Dra. Priscila Rosa Pereira.

Nenhum comentário:

Postar um comentário