24 de out de 2010

Síndrome dos Ovários Policísticos

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma doença endocrinológica caracterizada por um estado de hiperandrogenismo - aumento da produção de androgênios (hormônios masculinos).

Para ser diagnosticada é preciso que a paciente apresente dois ou três sinais ou sintomas combinados, e que sejam excluídas outras doenças. Além disso, o médico deve avaliar sua história clínica e realizar o exame físico. Os sintomas da SOP são: aumento do volume ovariano, ausência ou irregularidade da menstruação, ausência de ovulação, aumento de peso, aparecimento de acne, hirsutismo (crescimento de pêlos no rosto e outros locais em que a mulher normalmente não tem pêlos), queda de cabelo, resistência insulínica (RI) e problemas com a fertilidade.

Uma em cada 15 mulheres em idade reprodutiva tem SOP e a resistência insulínica atinge de 50 a 70% das mulheres com a Síndrome. E, esta resistência independe do peso corporal da mulher. A literatura mostra a prevalência em torno de 5% a 10% da população feminina em idade fértil. Apesar da SOP ser causa da irregularidade menstrual em 85% das jovens, é um distúrbio que pode se manifestar de diversas formas. Além disso, a SOP está associada com o maior risco para o desenvolvimento de outras doenças como câncer de endométrio (tumor localizado na parede interna do útero), ataque cardíaco e diabetes.

O tratamento da SOP deve estar acoplado ao incentivo a uma dieta saudável e a prática de atividade física, pois, para se tratar SOP e resistência insulínica, é fundamental a mudança no estilo de vida. Isso melhora a resistência insulínica, a fertilidade e regula a ovulação.

Dentre as opções medicamentosas, os anticoncepcionais orais têm sido muito utilizados e são seguros e eficazes em pacientes sem maiores comorbidades metabólicas. Por ser uma síndrome, com vários sintomas, o tratamento deve englobar diversos medicamentos como hipoglicemiantes orais (nos casos de resistência à insulina), estimulantes da menstruação, medicamento para reverter o quadro de infertilidade, cosméticos e medicamentos conta a acne, medicamentos para hirsutismo e terapias para o controle do estresse e da ansiedade.

Mulheres com SOP geralmente apresentam valores mais elevados de percentual de gordura corporal, adiposidade central (barriga), testosterona, glicose pós-prandial, insulina basal e pós-prandial, triglicerídeos, colesterol total e LDL colesterol. Além disso, apresentam fatores de risco cardiovascular mais precocemente do que comparadas as mulheres sem SOP, com mesmo IMC. De acordo com a Diretriz Brasileira sobre a SOP, dieta e exercícios físicos representam o tratamento de primeira linha, melhorando a resistência à insulina e retorno dos ciclos ovulatórios, mesmo na ausência de perda de peso. Com o tratamento medicamentoso adequado, cerca de 50% a 80% das pacientes apresentam ovulação e 40% a 50% engravidam. A fertilização in vitro também é indicada em alguns casos.

A perda de peso resultante das mudanças no estilo de vida favorecerá a queda dos androgênios circulantes, melhorando o perfil lipídico e diminuindo a resistência periférica à insulina; dessa forma, contribuirá para o decréscimo no risco de aterosclerose, diabetes e regularização da função ovulatória. A prescrição de contraceptivos hormonais orais de baixa dose, por sua vez, propiciará o controle da irregularidade menstrual e redução do risco de câncer endometrial.

Apesar de ser comum, a Síndrome dos Ovários Policísticos manifesta-se de diferentes formas nas mulheres e por este motivo seu tratamento deve ser individualizado. Até o momento não foi descoberta a cura para a SOP, entretanto com o controle dos sintomas é possível prevenir os problemas associados. Em casos de suspeita de SOP, procure o seu médico.

Dra. Priscila Rosa Pereira.

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