22 de out de 2010

Conheça mais sobre a Tireóide



A glândula tireóide é localizada na parte anterior do pescoço, logo abaixo do "Pomo de Adão".

Ela regula nosso metabolismo celular e a função de importantes órgãos como o coração, o cérebro, o fígado e os rins, através de seus hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina). Quando a tireóide por algum motivo não funciona de corretamente, ela pode liberar hormônios em quantidade insuficiente, causando o chamado Hipotireoidismo, ou em excesso, causando o Hipertireoidismo. Nessas duas situações, o volume da glândula pode aumentar, o que é conhecido como Bócio.

Os hormônios da tireóide atuam no crescimento e desenvolvimento de crianças e adolescentes, no peso, na memória, nos ciclos menstruais, na fertilidade, na concentração, no humor e no controle emocional. No Hipotireoidismo, o coração bate mais devagar, o intestino fica mais preso, pode osorrer depressão, irregularidade menstrual, déficit de memória, cansaço, dores musculares, pele seca, queda de cabelo, ganho de peso, aumento do colesterol e o crescimento das crianças e adolescentes pode ficar comprometido.

No Hipertireoidismo, geralmente há emagrecimento, taquicardia, tremores de mãos, aumento da peristalse intestinal, fraqueza muscular, queda de cabelo, intolerância ao calor, perda de cálcio dos ossos, agitação, ansiedade e insônia, entre outros sintomas. Em um adulto, a tireóide normal pode pesar até 25 gramas. Disfunções na tireóide podem acontecer em qualquer etapa da vida e são simples de diagnosticar. Elas podem ocorrer mesmo sem o bócio.

O reconhecimento de um nódulo na tireóide pode salvar uma vida. Por isso, a palpação da glândula é de fundamental importância. Se identificado o nódulo, o médico deve solicitar uma série de exames complementares para confirmar ou descartar a presença de câncer. Estima-se que 60% da população brasileira terão nódulos na tireóide em algum momento da vida. Mas isso não significa que estes sejam malignos. Apenas 5% são cancerosos.

O Hipertireoidismo pode ocorrer devido ao excesso de iodo na alimentação ou por uso de medicações contendo iodo; ou pelo surgimento de nódulos hiperfuncionantes na glândula (nódulos que produzem hormônios tireoideanos em excesso); ao hiperfuncionamento da tireóide ocasionado por anticorpos ou à ingestão dos hormônios da tireóide (muito usados em fórmulas para emagrecimento). A incidência de Hipertireoidismo é bem maior em mulheres do que em homens. O diagnóstico é feito através de exames de sangue, com a dosagem dos hormônios tireoidianos (T3 e T4, que ficam aumentados) e do hormônio que regula a tireóide, o TSH.


A causa mais comum de Hipertireoidismo é a Doença de Graves, que ocorre quando o sistema imune começa a produzir anticorpos que atacam a própria glândula tireoide, estimulando a produção hormonal. Um dos sintomas mais frequentes da Doença de Graves ocorre nos olhos, que ficam parecendo maiores e mais saltados. Há risco de o Hipertireoidismo afetar a gravidez ou a fertilidade feminina. No Graves, geralmente, ocorre um aumento do volume da tireoide (bócio). O tratamento deve ser acompanhado por um endocrinologista e a dosagem hormonal precisa ser checada periodicamente.

O Hipotireoidismo é uma disfunção na tireóide onde há déficit na produção hormonal. É mais comum em mulheres, mas pode acometer qualquer pessoa, independente de gênero ou idade, acometendo até mesmo recém-nascidos (hipotireoidismo congênito). O hipotireoidiemo congênito afeta cerca de 1 a cada 4 mil recém-nascidos e pode ser diagnosticado através da triagem pelo "Teste do Pezinho", que deve ser feito preferencialmente entre o terceiro e o sétimo dias de vida do bebê. Em caso de resposta positiva o tratamento precisa ser iniciado imediatamente, assim, o bebê poderá ficar curado e ter uma vida normal.

Em adultos, na maioria das vezes, o Hipotireoidismo é causado por uma inflamação denominada Tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune onde anticorpos destróem a glândula, que fica incapaz de produzir hormônios adequadamente. O tratamento é feito com o uso diário de levotiroxina, na quantidade prescrita pelo médico. Para reproduzir o funcionamento normal da tireóide, a levotiroxina deve ser tomada todos os dias, em jejum (no mínimo meia hora antes do café da manhã), para que a ingestão de alimentos não diminua a sua absorção pelo intestino.

Se estiver usando a medicação regularmente, e dessa forma mantendo os níveis de TSH dentro dos valores normais, quem tem Hipotireoidismo pode levar uma vida saudável e completamente normal. Se o Hipotireoidismo não for corretamente tratado, pode acarretar redução da performance física e mental do adulto, além de elevar os níveis de colesterol, que aumentam as chances de problemas cardíacos.

Consulte seu médico periodicamente e se estiver apresentando qualquer um dos sinais ou sintomas citados acima conte para ele. Baseado na história clínica e exame físico ele solicitará os exames necessários para diagnosticar possíveis alterações na tireóide. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico de hipertireoidismo, hipotireoidismo ou nódulos de tireóide, e instituído o tratamento, melhor.

Dra. Priscila Rosa Pereira.

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