19 de dez de 2010

Melasma: pele X sol

O melasma é o aparecimento de manchas escuras (marrom-acinzentadas) na face. O seu surgimento geralmente está relacionado à gravidez ou ao uso de anticoncepcionais hormonais (pílula) e tem como fator desencadeante a exposição da pele ao sol. Quando estas manchas ocorrem durante a gravidez, recebem a denominação de cloasma gravídico.

O problema acomete principalmente as mulheres, mas também pode ocorrer nos homens. Além dos fatores hormonais e da exposição solar, a tendência genética e características raciais também influenciam no surgimento do melasma.

A profundidade em que se localiza o pigmento na pele determina o tipo de melasma, que pode ser epidérmico (mais superficial e que responde melhor ao tratamento), dérmico (mais profundo e de tratamento mais difícil) ou misto (com alguns pontos mais superficiais e outros mais profundos).

As manchas surgem principalmente nas regiões malares (maçãs do rosto), na testa, nariz, lábio superior e têmporas. Elas geralmente tem limites precisos e são irregulares, formando placas que, em seu contorno, apresentam pontilhado pigmentar.

Para evitar o melasma, as mulheres não devem se expor ao sol sem proteção solar durante a gravidez ou quando em uso de anticoncepcionais hormonais (pílula). Como hoje em dia muitas mulheres usam pílula, o número das que sofrem desse problema é grande.

O cloasma gravídico pode desaparecer espontaneamente após a gravidez, não exigindo, às vezes, nenhum tipo de tratamento. No entanto, o tratamento acelera o seu desaparecimento. Após a melhora, a proteção solar deve ser mantida para evitar o retorno das manchas, que ocorre com bastante frequência.

Quem tem melasma precisa compreender que sua pele é extremamente sensível à luz. Ela reage à luz produzindo mais melanina em determinados locais. E essa sensibilidade não muda, mesmo com o tratamento. Por isso, se você tem melasma, proteja-se diariamente contra a luz solar e contra qualquer luz visível. Faça chuva ou faça sol, dentro ou fora de casa. A proteção deve continuar mesmo depois que o problema for tratado (a mancha clareada). Se você relaxar depois que a pele clarear, a mancha volta.

Para o tratamento do melasma o primeiro e fundamental passo é o uso de protetores solares potentes diariamente e principalmente sempre que houver exposição da pele ao sol ou mormaço. O protetor deve ser usado mesmo nos dias de chuva. Escolha um filtro que proteja contra os raios ultravioleta A e B (fique atenta aos rótulos na hora de comprar pois muitos ainda não protegem contra os raios UVA). Os melhores são os mais opacos, que associam filtros solares químicos e físicos, como o dióxido de titânio ou o óxido de zinco. Use no mínimo um com FPS 30 e PPD 10.

Repasse o protetor a cada 3 horas, ou até antes, se você suar ou se molhar. Na praia e na piscina o cuidado deve ser redobrado: além do filtro, use boné, e fique na sombra durante os horários de pico do sol. A resposta ao tratamento é pior em quem toma pílula anticoncepcional. Se o incômodo com as manchas for grande, pense em trocar o método contraceptivo (preservativo, DIU, implante hormonal, anel vaginal, adesivo, etc).

O uso de substâncias fotoprotetoras por via oral (em cápsulas de uso diário) também pode ajudar muito conseguindo uma proteção maior da pele com menos reatividade ao sol. Algumas substâncias que têm esse efeito são o chá verde, Pomegranate (romã), Polypodium leucotomus (samambaia), betacaroteno, vitaminas C e E.

Através de um exame com a Lâmpada de Wood o médico pode avaliar a profundidade da mancha. Se ela for mais superficial acometendo apenas a camada mais externa da pele seu tratamento será mais fácil, ou seja, ela vai clarear mais rápido. Já quando o pigmento se localiza mais profundamente na pele, a resposta é mais lenta, exigindo persistência para se obter um bom resultado. Em ambos os casos, seja a mancha mais superficial ou mais profunda, ela pode e vai retornar se houver exposição solar.

Além do uso contínuo do protetor solar (sei que é chato essa repetição na mesma tecla, mas realmente essa é a parte mais importante na resolução do problema), o tratamento é feito com o uso de substâncias despigmentantes aplicadas na pele. A associação dos despigmentantes com alguns tipos de ácidos geralmente aumenta sua eficácia. Existem bons clareadores disponíveis que podem ser usados em cremes domiciliares como a hidroquinona, a tretinoína, o ácido glicólico, etc.

Deve-se ter muito cuidado com o uso destes produtos no verão, pois causam descamação da pele deixando-a mais sensível, o que pode ocasionar queimaduras e manchas. Mulheres que amamentam e gestantes não devem fazer o tratamento com alguns tipos de clareadores e ácidos. Se o melasma surgiu durante a gravidez, a mãe primeiro deve cumprir a rotina de amamentação do bebê e só fazer a terapia depois de interromper o aleitamento. Estudos científicos indicam que a hidroquinona altera a DNA das células, sendo portanto uma das substâncias contra-indicadas na gravidez e amamentação.

Normalmente complementamos o tratamento com peelings químicos realizados em consultório. Peelings superficiais podem acelerar o processo facilitando a penetração dos despigmentantes e ajudando a remover o pigmento das camadas superiores da pele. O resultado costuma aparecer após um ou dois meses de tratamento com peelings seriados em consultório e uso de cremes com ácidos e despigmentantes em casa. Em aproximadamente 6 meses a melhora é grande. Nos casos muito resistentes, existem alguns laseres que podem ajudar.

É recomendado manter-se um tratamento contínuo com clareadores e proteção solar. Então se você tem esse problema, o ideal é manter um acompanhamento com seu médico durante o ano todo onde será feito um tratamento clareador mais agressivo no inverno e uma manutenção no verão. O tratamento preventivo será mantido o ano todo.

Dra. Priscila Rosa Pereira.

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