3 de jan de 2011

Novas drogas e combinação de medicamentos são usadas para combater a obesidade


A obesidade não é um problema fácil de tratar. Seu tratamento envolve mudanças na dieta, nos hábitos de vida, abordagem psicológica e comportamental, e muitas vezes, medicamentos para auxiliar na perda e controle do peso.

Apesar de o número de casos de obesidade estar aumentando assustadoramente no mundo todo e existirem muitas pesquisas sobre novas medicações que possam ser usadas no seu tratamento, ainda temos poucas opções de remédios aprovados para uso.

O problema é que até que uma medicação seja liberada para uso ela tem que passar por inúmeras pesquisas laboratoriais e depois em grupos de estudo com humanos para se ter
certeza de seu benefício e sua segurança. Isso não é bem um problema, é algo necessário para segurança das pessoas, mas o que acontecem é que drogas que ficam anos em estudo acabam não sendo aprovadas nas etapas finais das pesquisas por faltarem evidências de segurança a longo prazo.

Muitas das medicações que temos no mercado já aprovadas para uso possuem limitações de uso devido aos seus efeitos colaterais. São medicações com bons resultados e que quando bem indicadas mostram bom perfil de segurança. Mas alguns pacientes apresentam efeitos colaterais indesejáveis ou contra-indicações ao uso destas medicações, tornando as opções terapêuticas escassas.

É preciso buscar alternativas, já que os melhores medicamentos para emagrecimento são eficazes somente em 50% dos pacientes. Misturar drogas parece ser o caminho promissor para melhorar os tratamentos atuais contra a obesidade. A associação de remédios é o caminho natural para qualquer doença, e não será diferente em obesidade. A indústria de pesquisas anda investindo muito no desenvolvimento de drogas associadas para o tratamento da obesidade.

Com a combinação de medicamentos é possível ministrar doses menores de cada um dos medicamentos, reduzir os efeitos colaterais e garantir um resultado melhor, já que uma droga pode potencializar o efeito da outra. Esse benefício foi comprovado por um estudo publicado há pouco tempo pela revista científica Journal of Obesity, que mostrou os efeitos da associação do Orlistat com a Sibutramina.

Os resultados desse estudo, realizado durante seis meses com 446 pacientes, mostraram que as pessoas submetidas ao tratamento com apenas um dos medicamentos perderam entre 6 e 8% do peso. Já aquelas que tomaram as duas drogas ao mesmo tempo reduziram o peso em 12,8%. É uma associação eficaz já que a Sibutramina faz com que as pessoas comam menos e queimem calorias e que o Orlistat reduz a absorção de gordura. Além disso não houve uma incidência de efeitos colaterais significativa.

É preciso buscar outras alternativas para os pacientes porque nem sempre o objetivo de reduzir o peso é atingido. Os melhores estudos, com os melhores medicamentos para emagrecimento, mostram que um remédio é eficaz somente em 50% dos pacientes.

Algumas drogas estão em estudo para o tratamento de obesidade, e se aprovadas, podem ser mais uma opção para o tratamento.

Exemplo disso, é o Liraglutide, medicamento que já foi lançado nos Estados Unidos para o tratamento de diabetes e que está em estudo para obesidade porque os diabéticos que tomam este medicamento estão perdendo peso. Apesar do benefício constatado em estudos avançados, o remédio tem dois pontos negativos: o preço e a aplicação, que é feita por uma injeção. Alguns pacientes do Brasil que compram o medicamento importado desembolsam cerca de 700 reais por mês.

Além desse, a indústria farmacêutica estuda outras associações: como a combinação de Bupropiona com Naltrexona e da Fentermina e Topiramato.

Por enquanto temos que continuar aguardando e torcendo para que os estudos mostrem bons resultados e poucos efeitos colaterais e que logo tenhamos novas opções para o tratamento da obesidade no mercado.

Dra. Priscila Rosa Pereira.

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