31 de dez de 2010

Tanto faz alongar antes do exercício, revela maior pesquisa já feita sobre tema


O alongamento já foi considerado requisito para a prática de exercícios e prevenção de lesões. Tornou-se popular como uma forma de recompensar os músculos massacrados por corridas, levantamento de peso ou pelo pula-pula da aeróbica.

A relação parecia óbvia: contraiu? Agora, alongue. Mas como quase nada no funcionamento do corpo é assim tão simples, a corda começou a esticar para os defensores da causa.

Nos últimos anos, surgiram estudos mostrando que se alongar antes do exercício, além de não prevenir lesões, eleva o risco de que ocorram.

A notícia agradou a turma que já não gostava muito da prática, mas se sentia culpada por deixar de fazer algo tão recomendável para um treino saudável. E não convenceu os fiéis defensores do estiramento muscular.

Para complicar a vida de quem busca uma regra clara - alongar ou não - a última grande pesquisa sobre o tema chegou à decepcionante conclusão que...tanto faz!

O maior estudo sobre alongamento feito até hoje, envolvendo 1.400 pessoas de 13 a 60 anos, mostrou que o número de lesões entre quem se alongou ou não antes de correr foi estatisticamente igual.

Feita pela organização governamental norte-americana para corrida e caminhada Track and Field, a pesquisa foi um balde de água fria para as correntes pró e contra alongamento. Ele nem previne nem induz lesões, afirmam os autores do trabalho.

O mais chato é que, nesse estica e puxa entre entusiastas e críticos do alongamento, o cidadão que quer simplesmente se exercitar da forma mais adequada possível fica sem saber o que fazer.

O problema é que muitos atribuem à prática uma finalidade para a qual ela não foi construída. As pessoas usam como se fosse o aquecimento para a atividade física, mas é no máximo uma parte dele, e com efeito muito pequeno.

A ideia de que os exercícios deixarão os músculos mais alongados também é inexata. O alongamento serve para manter o comprimento fisiológico do músculo, não vai deixá-lo mais comprido do que é.

O fato é que não há consenso sobre o papel do alongamento ou se deve ser feito antes ou após o treino. Enquanto a ciência não nos dá a luz, o que é possível fazer é identificar a necessidade de cada pessoa e observar a postura certa durante a execução de qualquer exercício.

Dependendo da forma como é feito, o alongamento pode prevenir lesão ou acentuar um problema preexistente. O erro de muitos treinadores é usar o mesmo tipo de alongamento para todo mundo. Em alguns casos os alongamentos sobrecarregam o que está mais frágil e acabam prejudicando em vez de ajudar.

Há vários tipos de alongamento. Qual o melhor? Depende. Há técnicas para para recuperar a amplitude, para tensão muscular, etc.

E as lesões podem, sim, ter relação com o encurtamento da musculatura. Por isso alongar ajuda a aumentar a amplitude articular. É preciso trabalhar a amplitude e a distribuição da força muscular. Isso é feito de forma dinâmica, um vai e volta das posições de alongamento, sustentadas por cinco segundos, com movimentos leves.

Já o popular alongamento estático não é indicado por Semiatzh como preparação para uma atividade intensa. Se você estica o músculo, após um tempo ele manda uma mensagem ao cérebro: "estou arrebentando". A resposta cerebral é: relaxa. Então o sistema neuromotor desliga a fibra muscular, para ela não fazer mais força.

E após o treino, é para alongar como? Aqui também as posições se dividem. E tudo depende da forma como os exercícios são feitos.

Por essas e outras, o melhor a fazer é treinar o corpinho usando a cabeça. Nada como a orientação de um bom profissional para não se machucar.

(Fonte: Folha.com)

Dra. Priscila Rosa Pereira.

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