6 de jan de 2011

Nova droga contra obesidade não é liberada para ser comercializada

FDA vetou a recomendação de medicamento que combate a obesidade por falta de segurança em relação aos efeitos adversos.

A agência norte-americana FDA (Food and Drug Administration) divulgou há pouco que seu comitê não endossou a recomendação de uma nova droga contra a obesidade, a Qnexa, que se encontrava em fase terminal de estudos, devido ao receio em relação à segurança no uso da mesma. O medicamento é uma combinação de Fentermina e Topiramato.

A contagem inicial foi de nove votos contrários à recomendação e sete favoráveis. Ao final, porém, os votos contra chegaram a um total de 10, depois que um membro do painel admitiu que havia cometido um erro técnico ao votar.

Todos concordaram que o Qnexa é muito eficaz na indução de perda de peso. No entanto, até mesmo quem deu o parecer favorável teve de defrontar-se com uma lista de reações adversas relatadas durante o tratamento, tais como depressão; ansiedade; distúrbios do sono; problemas de atenção e memória; distúrbios cognitivos; acidose metabólica; teratogenicidade e aumento da frequência cardíaca.

Ao justificar o seu voto favorável, o Dr. Michael A Rogawski (Universidade da Califórnia) defendeu o uso pela população como forma de avaliar seus efeitos:

“Nós precisamos de mais informações sobre este medicamento, mas o tipo de dado de que precisamos, particularmente em relação à teratogenicidade, não pode ser obtida com testes clínicos, e sim quando a droga estiver no mercado e um grande número de pessoas estiver exposto ao mesmo”, afirmou.

O Dr. Ed J. Hendricks, do Center for Weight Management, chamou atenção para a urgência de se combater a obesidade quando explicou seu parecer favorável.

“Votei pelo sim. Concordo que a população precisa ser protegida de drogas perigosas; no entanto, um terço da população já está obesa, além de haver um extenso segmento da população que está indo pelo mesmo caminho”, lembra.

Já os médicos que discordaram da recomendação enfatizaram o tema da segurança, como a Dra. Katherine M. Flegal, do Centers for Disease Control and Prevention de Hyattsville:

“A questão da segurança deve ser resolvida antes da aprovação do fármaco e não depois. Aprovar o Qnexa dessa forma seria um experimento de saúde pública e um grande risco”, comentou.

O Dr. Abraham Thomas (Henry Ford Hospital, de Detroit) defendeu o uso a longo prazo das drogas que combatem a obesidade. “Acredito que temos de deixar o conceito do uso a curto prazo. Temos que olhar a segurança da utilização, a longo prazo, de fármacos desse tipo, para prevenirmos novos ganhos de peso”, analisou.

Trata-se de uma questão complicada onde nenhum lado é certo ou errado. Precisa-se de dados sobre a segurança do medicamento que só serão descobertos, infelizmente, após a liberação de seu uso pela população. Porém é muito perigoso liberar seu uso sem ter certeza de quais efeitos adversos podem ocorrer com o tempo. Como resolver o impasse?

Alguns estudo usando voluntários continuarão sendo desenvolvidos porém devido a dificuldades diversas, como a de conseguir um número grande de participantes, os estudos demoram a refletir os resultados. Além de que nem sempre os resultados de um grupo estudado serão válidos para outros.

Dra. Priscila Rosa Pereira.

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