19 de jan de 2011

Pesquisadores brasileiros desenvolvem equipamento que trata câncer de pele


Um aparelho portátil desenvolvido na USP (Universidade de São Paulo), no campus de São Carlos, está realizando as primeiras experiências para diagnosticar e tratar o câncer de pele. A tecnologia consiste em usar a fluorescência e padrões de luz para detectar alterações no epitélio de pacientes e realizar o tratamento contra a doença. O instrumento foi elaborado em conjunto pela Escola de Engenharia e pelo Instituto de Física. As informações são da Agência USP de Notícias.
Mardoqueu Martins da Costa, físico e autor da pesquisa, diz que o tratamento contra o câncer detectado poderá ser realizado em apenas um dia, por meio do ácido aminolevulínico (ALA). A substância é aplicada como uma pomada na parte de aparência doente e, em seguida, o aparelho emite uma luz ultravioleta na região para realizar o diagnóstico.- Percebe-se que um tecido está lesado porque seus componentes químicos se alteram ao aplicar o ácido e emitir a luz ultravioleta. Assim, quando se tem uma suspeita de câncer de pele, mantemos o ácido na pele e emitimos uma luz vermelha capaz de ativá-lo, realizando o tratamento.
Costa afirma que o papel da luz vermelha, quando emitida na região doente, é oxidar e matar as células com câncer. O método se contrapõe à cirurgia que é feita atualmente para remover o câncer.
- A remoção cirúrgica implica a retirada do tecido doente. Outro método convencional do câncer de pele é a criogenia, que é a utilização de nitrogênio líquido para queimar as lesões. No método fotodinâmico não é preciso remover o tecido.
O equipamento de diagnóstico e tratamento do câncer de pele deverá atender cerca de oito mil pacientes. Agora, o pesquisador diz que os objetivos principais são consolidar a técnica que o aparelho apresenta, promover a aceitação do equipamento pela população e buscar a validação do mesmo.
- Estima-se que até a metade de 2011 poderemos começar a distribuição pelo Brasil.

Prevenção contra cáries
Durante sua pesquisa, o físico percebeu que o sistema de diagnóstico também seria capaz de prevenir cáries.
- Havia algumas bactérias da boca que fluoresciam quando o aparelho emitia a mesma luz ultravioleta usada para diagnosticar o câncer de pele. Essa fluorescência representa substâncias que, futuramente, poderiam causar cáries. Localizando-as e tratando o problema, conseguimos criar um tratamento anticárie ultrapreventivo.

Cuidados
Apesar de parecer um tratamento simples e sem grandes complicações, o físico alerta que há muitas variáveis que garantem a sua eficácia.
- A intensidade da luz, o comprimento de onda emitido, a cor e o tempo de iluminação são decisivos para que o método funcione. Também é preciso especificar quais são os tipos de lesões em que o tratamento pode ser feito.
Futuramente, para a utilização do aparelho, deverá haver uma seleção de médicos. Mardoqueu diz que será necessário um médico responsável, que será um dermatologista, para a realização do tratamento em larga escala.


Dra. Pâmela Rosa Pereira

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