13 de fev de 2011

Flora intestinal é diferente em magros e obesos

A obesidade é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, podendo acarretar várias implicações à saúde a médio ou longo prazo, sendo considerada, atualmente, a maior desordem nutricional dos países desenvolvidos e em desenvolvimento.

A microbiota (flora) intestinal pode ser vista como um órgão metabólico sinergicamente ajustado à nossa fisiologia, que executa funções importantes na manutenção e defesa do nosso organismo.

Dados recentes sugerem que os trilhões de bactérias que normalmente residem no trato gastrintestinal humano, afetam a aquisição e regulação da energia, e ainda sugerem que pessoas obesas e magras têm diferentes microbiotas.

Um trabalho publicado em junho de 2009 na Revista Brasileira de Obesidade, Nutrição e Emagrecimento, teve como objetivo verificar, através de uma pesquisa bibliográfica, a relação entre a obesidade e a composição da microbiota intestinal.

A revisão buscou estudos a partir de 1990, que abordassem a obesidade e a microbiota intestinal. A pesquisa foi feita em base de dados, revistas e livros, utilizando termos como obesidade, sobrepeso, microbiota intestinal, microflora intestinal e metabolismo energético. Foram encontradas e analisadas 28 referências bibliográficas, das quais 15 foram artigos internacionais, 9 artigos nacionais e 4 livros nacionais (com edições desde 2002).

Foi verificado em diferentes estudos, realizados com humanos e ratos, magros e obesos, que a obesidade está associada com as mudanças relativas das bactérias, Bacteróides e as Firmicutes. Essas mudanças afetam o potencial metabólico da microbiota intestinal de ratos, onde a microbiota do obeso tem uma maior capacidade de absorção de energia a partir da dieta.

Também concluíram que há um maior número de Bifidobactérias em crianças com peso normal se comparado com crianças com sobrepeso, enquanto naquelas com sobrepeso foi detectado um maior numero de Staphylococcos aureus. Perceberam que quando pacientes obesos perdiam peso, a proporção de Fermicutes tornava-se semelhante a dos indivíduos magros.

Estudos complementares são necessários para esclarecer melhor essa relação entre microbiota intestinal e a obesidade. Mas tudo leva a crer que tratar a flora intestinal dos pacientes obesos ou com sobrepeso deve ser o primeiro passo no tratamento objetivando o emagrecimento.

Dra. Priscila Rosa Pereira

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