26 de fev de 2011

Não deixe o seu peso ser sempre um problema na sua vida - Parte 2

Para quem leu a última postagem e gostou, aqui vai a continuação:


Alimentação:

Embora ainda existam muitas controvérsias sobre aspectos de nossa alimentação, várias idéias já são consenso quase absoluto entre nutricionistas, médicos e pesquisadores. É nestas idéias que vou me concentrar nas sugestões que proponho a você agora. Se tiver oportunidade, consulte um nutricionista, ele certamente lhe passará excelentes orientações.

Inicialmente, temos que recordar que um número significativo de doenças são originadas, agravadas, ou têm seu risco aumentado por erros na dieta. No ocidente, a população que dispõe de renda para escolher aquilo que come, ingere carne em demasia, em especial carne vermelha, ou seja, a carne de gado. Existe uma relação confirmada entre o consumo de carne vermelha e alguns tipos de cânceres e doenças cardiovasculares.

O ideal é que você substitua a carne de gado por peixe, bem mais saudável. Se não substituir completamente, ao menos reduza o consumo de carne vermelha. Se não quer fazer este "sacrifício", não faça, mas ao menos saiba que está assumindo um aumento no risco de certas doenças e talvez diminuindo sua qualidade e espectativa de vida.

Uma grande parte das pessoas ainda adota como único critério em suas opções alimentares o sabor dos alimentos. A mente disciplinada adiciona ao critério sabor, considerações sobre os efeitos destes alimentos no organismo. Não é preciso, de modo algum, abandonar o critério sabor, mas é perigoso ser escravo deste critério e acabar comendo qualquer "porcaria" só porque o gosto é bom.
Nunca gostei de verduras, mas como gosto menos de câncer de intestino, sempre as incluo em minhas refeições. Quanto à carne vermelha, há ainda outra consideração importante que já citei, mas que quero repetir. O churrasco feito com carvão, incorpora à carne potentes substâncias cancerígenas provenientes da fumaça e deve, portanto, ser evitado. É claro que esbarramos em questões culturais, pois em algumas regiões do Brasil, fazer churrasco é quase uma religião. Novamente não vejo necessidade de radicalismos. Se para você o churrasco é muito importante não o abandone, mas reduza seu consumo.

Sempre que você precisa optar, há aspectos positivos e negativos em cada caminho escolhido; é preciso pesá-los em sua balança mental e então decidir. As ações se tornam perigosas quando deixamos de pensar e saímos por aí fazendo as coisas automaticamente ou as fazemos simplesmente porque todo mundo faz.

Minha segunda sugestão em relação à alimentação é, como já citei há pouco, consumir mais verduras, legumes e frutas. Além das fibras vegetais indispensáveis ao bom funcionamento dos intestinos, você aumenta o suprimento de vitaminas e outros micronutrientes. Coma verduras e legumes no almoço, mesmo que você não goste e consuma ao menos uma fruta por dia.

Se você conseguir aumentar seu consumo de frutas, verduras e legumes em 50%, isso fará uma enorme diferença em sua qualidade de vida hoje e, sobretudo daqui a 20 anos. Não tenha a menor dúvida que pequenas mudanças em nossas vidas, quando transformadas em hábitos, causam um enorme impacto ao longo do tempo. É angustiante assistir a um grande número de pessoas se "suicidando" gradativamente através da alimentação.

Quando digo que o principal responsável pela sua saúde é você mesmo, não estou, de forma alguma, isentando outros elementos como o governo, por exemplo, de sua responsabilidade. A propósito, penso que grandes benefícios resultariam de maiores investimentos do governo em campanhas de promoção da saúde por alterações dos hábitos de vida.

É claro que uma campanha de esclarecimento sobre alimentação, qualidade de sono, consumo adequado de água ou exercícios físicos rende menos votos que inaugurar um hospital, onde as pessoas serão "consertadas" depois que os seus péssimos hábitos destruíram a sua saúde. Magníficos equipamentos impressionam e rendem votos. Eu não questiono a importância destes equipamentos, mas certamente precisaríamos de menos deles se mais dinheiro fosse aplicado em educação para a saúde. Falta investimento nessa área. Muitos governos ainda não superaram o velho paradigma da manutenção corretiva da "máquina".

Mas há honrosas exceções e algumas medidas já estão sendo tomadas por poderes públicos. Em 2001 o então governador do estado de SC, Amin, sancionou uma lei que regulamenta os critérios de concessão dos serviços de lanches e bebidas das unidades educacionais do estado. A lei, entre outras determinações, proibe a venda de frituras, guloseimas como balas, pirulitos e gomas de mascar, refrigerantes e sucos artificiais, salgadinhos e pipoca industrializados nas escolas. Também diz que o estabelecimento deve disponibilizar frutas sazonais e ter um mural para divulgação de informações pertinentes sobre alimentação. Foi um passo importante para a qualidade de vida da população e serviu de inspiração para legislações semelhantes em outros estados brasileiros.

Outro exemplo louvável vem dos EUA, onde no ano de 2003 a prefeitura de Nova York proibiu as máquinas de refrigerante e de salgadinhos nas escolas. Estas decisões me fazem acreditar em um futuro melhor para as crianças de hoje. São exemplos que devem frutificar, espero que a tempo de salvar a saúde de tantos que hoje a destroem pela má alimentação.

Minha terceira e última sugestão na área de alimentação é que você beba mais água. Estudos recentes concluíram que a população brasileira é cronicamente desidratada com importantes consequências para a saúde. Bebe-se pouca água neste país. É muito provável que você consuma menos água do que deve. O consumo ideal é de aproximadamente 2,5 litros/dia, o que pode mudar bastante de acordo com as condições climáticas e o nível de atividade física. Beba água sempre que lembrar, independente de estar sentindo sede ou não. Para muitos de nós, o organismo se acostumou com pouca água e praticamente não sentimos sede, o que não quer dizer que tenhamos bebido o suficiente.

Na próxima postagem falaremos sobre o seu sono...

Aguarde!

Dra. Priscila Rosa Pereira.

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