3 de mar de 2011

A história do Protetor Solar

Os gregos antigos usavam óleo de oliva como filtro solar (eca!!). Claro que o óleo não era muito eficaz.

Na década de 1920 nos países da Europa e Ásia, a pele clara era um indicador da condição da classe superior e a pele escurecida era um indicador da categoria de trabalhadores. Nesta época tornou-se uma prática comum o uso de creme de zinco para proteção contra queimaduras solares.

Na mesma época surgiu o modismo do bronzeado após a estilista Coco Chanel ter se bronzeado involuntariamente a bordo de um iate (chiquérrima!). Foi nos EUA, em 1928, o primeiro uso documentado do filtro solar. Uma emulsão composta de salicilato e cinamato de benzil.

Na década de 1930, um químico australiano formulou um agente protetor contendo 10% de salol. Em 1935, surgiram nos EUA loções protetoras com compostos de ácido oléico, quinino e bisulfato de quinino. Em 1936, surgiu o primeiro filtro solar produzido em escala comercial pela L′Oreal.

Na 2a guerra mundial, muitos soldados sofriam de sérias queimaduras solares. Um farmacêutico decidiu criar algo que pudesse proteger os soldados e no forno de sua casa, criou uma substância vermelha e viscosa, a qual chamou de "red vet pet" (red veterinary petrolatum - petrolato veterinário vermelho). Ele funcionava principalmente através do bloqueio físico dos raios solares, pois tratava-se de um produto espesso originado do petróleo, similar à vaselina.

Um filtro solar efetivo foi desenvolvido em 1938 por um estudante de química suíço, depois de se queimar severamente durante a escalada de um pico. Ele chamou seu produto de 'creme gletscher' ou, em inglês, “creme glacier”, que foi desenvolvido em um pequeno laboratório na casa de seus pais.

Na década de 1940, os médicos começaram a prescrever o PABA na forma de creme em
solução aquosa ou em álcool, que foi patenteado em 1943. Continuaram a ser prescritos nas
décadas de 1950 e 1960, quando a alergia ao PABA mostrou-se muito freqüente e na década de
1970 os filtros começaram a trazer em seus rótulos a inscrição “sem PABA”.

Em 1972, a agência americana Food and Drug Administration (FDA) reclassificou os filtros solares, que passaram de cosméticos a medicamentos. Em 1977, a Johnson & Johnson criou o primeiro filtro solar à prova d′água. Em seguida, a Copertone apresentou um produto contendo resina de polianidro, resistente a água, cuja propaganda tornou-se mundialmente conhecida (lembra da menininha com a bunda de fora??).

No fim da década de 1970, o FDA definiu que os filtros solares eram seguros e eficazes na prevenção do câncer de pele, para evitar o envelhecimento precoce da pele e queimaduras solares, e foi introduzida na embalagem a numeração do fator de proteção solar (FPS).

Apesar de na década de 1980 continuar a grande adoração pelo sol, a indústria continuou com as
pesquisas e a Copertone lançou o primeiro filtro solar com proteção UVA, e também os
cosméticos continuaram a incorporar nas suas formulações os filtros solares.

Com o crescente aumento de casos de câncer de pele, a American Academy of Dermatology (AAD) tornou-se a primeira organização médica a fazer campanhas sobre prevenção do câncer de pele. Em 1990, a indústria disponibilizou no mercado produtos com proteção UVA/UVB.

Veja a relação entre o FPS e a porcentagem de proteção proporcionada pelo protetor solar:

Fps ------ % de proteção
2---------------50
4---------------75
8---------------87.5
16--------------93.8
32--------------96.5
40--------------97.5

Infelizmente, o FPS é, principalmente, uma avaliação dos efeitos da radiação UVB sobre a pele. Um protetor solar com FPS 30 bloqueia 96.5% da energia UVB incidente, enquanto que um protetor solar com FPS 40 aumenta este nível apenas para 97.5%, necessitando, entretanto, de 25% a mais de princípio ativo para atingir este ganho mínimo (1%). Um produto hipotético com FPS 70 aumentaria a proteção UVB para apenas 98.6%.

O FDA adverte que o risco deste aumento adicional de princípio ativo é maior que os benefícios
proporcionados pelo aumento da proteção UVB. O FDA está propondo nova regulamentação para formulações, testes e rotulagem de filtros solares com proteção UVA e UVB. Com esta nova proposta o consumidor poderá ter mais informações.

Por mais de 30 anos, os consumidores identificaram os níveis de proteção UVA e UVB apenas pelos valores do fator de proteção solar (FPS). A luz solar é composta pelos raios visíveis e pelos raios ultravioleta (UVA + UVB). O UVA bronzeia e o UVB pode provocar queimaduras. Ambos podem causar danos à pele e aumentar o risco de câncer.

A proposta da FDA tem por objetivo auxiliar o consumidor a identificar o nível de proteção UVA
oferecido pelo produto, através de escala de 1 a 4 estrelas. Uma baixa proteção contra os raios UVA é representada por 1 estrela; 2 estrelas representam média proteção; 3, alta proteção; e 4, máxima proteção disponível. Para produtos que não apresentam a mínima proteção, ou seja, 1 estrela, a FDA propõe que seja identificado na rotulagem como “sem proteção UVA”.

A proposta da FDA é que os produtos tragam um texto na rotulagem com a inclusão do seguinte: “a exposição aos raios UV aumenta o risco de câncer de pele, envelhecimento precoce e outros danos cutâneos. É importante reduzir o tempo de exposição aos raios UV, utilizando roupas protetoras e filtros solares”.

Já existem suplementos dietéticos orais com propriedades fotoprotetoras, que protegem tanto o material genético das células como o sistema imunológico. O mais importante princípio ativo é o Polypodium leucotomos. A administração desta substância por via oral previamente a exposição solar protege de forma significativa contra queimadura solar, não apenas clinicamente mas também microscopicamente, preservando a arquitetura da pele e do material genético das células cutâneas, bem como das células com atividade de vigilância imunológica frente às infecções virais e a multiplicação de células cancerígenas.

O extrato de Polypodium leucotomos é rico em fenóis e pode ser associado com o chá verde e o betacaroteno. Essa combinação é comercializada pronta, com o nome de Heliocare ou outros, ou ainda pode ser manipulada. A dose remomendada é de 1 a 2 cápsulas ao dia, associado com a
fotoproteção tópica, principalmente nos casos de exposição solar intensa e prolongada. Foi publicado no JAAD - Jan / 2004, um estudo com 10 pacientes com fototipos 2 e 3, expostos ao PUVA com ou sem o extrato de Polypodium leucotomos, comprovando que os pacientes com esta associação apresentavam uma quimifotoproteção clínica e histológica.

Uma novidade já disponível no mercado são as roupas com proteção solar. Nesse caso, o tecido é feito com fios especiais que bloqueiam a ação dos raios UV. Dois fabricantes nacionais, a
UVline (www.uvline.com.br) e a Sun Cover (www.suncover.com.br), testam a proteção dos produtos com base em um método australiano e garantem que o tecido absorve 98% ou mais dos raios UV.

Nos EUA, existem produtos que são adicionados a lavagem das roupas conferindo, segundo os fabricantes, uma proteção UVA e UVB com FPS de 5 a 30, às roupas utilizadas.

Bom, como diz o poema que ficou famoso na voz do Pedro Bial:

"Se eu pudesse dar só uma dica sobre o futuro seria esta: usem o filtro solar!
Os benefícios a longo prazo do uso de filtro solar estão provados e comprovados pela ciência. Já o resto de meus conselhos não tem outra base confiável além de minha própria experiência errante..."

Este blog está cheio de dicas, ou conselhos, baseados na cìência e em nossa experiência, pois só aconselhamos o que aprovamos. E um conselho importante é: se for escolher apenas um produto de beleza para sua pele, este deve ser o filtro solar!

(Fonte: http://www.sbdba.org.br/pdf/fotoprotecao.pdf)

Dra. Priscila Rosa Pereira.

2 comentários:

  1. eu adorei a história sobre o protetor solar é muito legale importante para mim, eu gostei muito da história. beijos larissa

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  2. eu amei a história do protetor solar é muito importante e legal. beijos juliane.

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