4 de mai de 2011

Cirurgia gástrica apresenta tantos riscos quanto remédios emagrecedores


O reinado dos remédios para emagrecimento certamente está com os dias contados, pois a ANVISA, apesar da resistência médica das últimas semanas, deve adotar a mesma medida que vigora nos Estados Unidos e Europa, onde os medicamentos para emagrecer que atuam no sistema nervoso central, como a sibutramina e os derivados de anfetamina (Femproporex, Dietilpropiona e Manzidol) estão proibidos. Mesmo que a proibição dos remédios para emagrecer ainda não esteja concretizada, o próximo falso amigo do emagrecimento saudável já pode ser nomeado: a cirurgia gástrica.



Nos Estados Unidos, já houve uma ampliação do acesso à cirurgia para emagrecer, aonde o FDA aprovou a redução do peso mínimo para candidatos à banda gástrica. Caso essas regras passem a valer para o Brasil, isso significa que mais de 12 milhões de obesos (com IMC entre 30 e 35 e doenças ligadas ao peso) poderiam ser candidatos à cirurgia, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica.


Cirurgia de redução do estômago que inclui banda gástrica além de bypass gástrico, que é mais invasivo, pode parecer como uma solução rápida para perda de peso, mas não é uma solução tão segura quanto os remédios, mesmo que eles possam causar uma série de efeitos colaterais, como aumento da pressão arterial, aceleração dos batimentos cardíacos, constipação e diarréia. Isso porque há diversos efeitos colaterais negativos de longa duração em relação à saúde em consequência dessa opção cirúrgica.


Mesmo quando a cirurgia tem sucesso, é importante lembrar que a sua alimentação nunca mais será a mesma, já que uma menor quantidade de alimentos já causará saciedade.


Cirurgia da banda gástrica consiste na inserção cirúrgica de uma banda (balão) em torno do topo da secção de seu estômago, e as complicações deste procedimento incluem: - refluxo gastroesofágico em 34% - soltura da banda ou dilatação da banda em 24% (o que significa que você precisará de nova cirurgia). - obstrução estomacal 14% - dilatação de esôfago e redução da função esofagiana 11%. - dificuldade de deglutição 9% As complicações são tão frequentes, que os pacientes que fizeram a cirurgia sem saber dos seus efeitos colaterais optam por retirá-la completamente. Sendo que, segundo estudo, 25% dos pacientes que colocaram a banda permanente a removeram e 2/3 deles por efeitos colaterais que tiveram. Apesar da cirurgia de banda gástrica ser removível, o bypass gástrico não é. Neste caso, a parte do seu intestino delgado é normalmente removida inteiramente, e o seu estômago é reconectado mais abaixo no seu intestino. Com isso se perde a área de maior absorção do seu intestino, responsável pela captação dos nutrientes. É por isso que as pessoas que passam por a cirurgia de bypass frequentemente tem má absorção de nutrientes.Com isso, fica claro que esta não é uma boa alternativa para tratar a obesidade, como muitos estão acreditando.


Mesmo quando se tem êxito nos procedimentos, é bom saber que nunca mais poderá ter os mesmos hábitos alimentares, pois o pouco que se come já lhe trará saciedade.O modo de se alimentar também passa a não ser natural, sempre havendo a sensação de "estar cheio" e com isso não se consegue absorver alimentos na quantidade ideal.Começa a ocorrer náuseas e vômitos caso tente abusar e como a alimentação é pouca, ocorre frequentemente constipação intestinal. Diversos alimentos passam a ser evitados pela dificuldade, como carne vermelha, membrana das frutas como laranja, vegetais fibrosos e comidas apimentadas. Com isso a conseqüência é ficar fisicamente doente. Na verdade perder peso mesmo cirurgicamente depende de você modificar os seus hábitos, com bastante ênfase no aspecto emocional da sua alimentação. Queda de cabelo e perda muscular é frequente após a cirurgia. Sinais que representam que o corpo não está recebendo a nutrição necessária.


Complicações
Mais de 40% das cirurgias para perda de peso apresentam complicações significativas durante os primeiros seis meses, incluindo: desnutrição, infecção, cálculos renais, problemas de intestino e vesícula, falência renal e pior, aumento do risco de morte. Ou seja, cerca de 50% dos indivíduos submetidos à cirurgia tem problemas importantes. Na verdade, apesar de toda cirurgia apresentar riscos inerentes, a cirurgia bariátrica tem uma incidência muito maior de complicações, ou seja, o paciente tem mais risco de sofrer algum efeito adverso do que não sofrer nada. De acordo com um estudo americano, que durou três anos, 88% dos pacientes que realizaram o procedimento da banda gástrica, tiveram um ou mais efeitos adversos, entre complicações leves e severas.


Como perder peso sem cirurgia ou remédios
Com certeza se você modificar seu estilo de vida vai conseguir ter uma perda de peso segura e efetiva através de uma dieta saudável e exercício físico, o que é muito mais fácil e eficiente do que a rotina de quem faz o procedimento cirúrgico. Uma mudança de estilo de vida vai ajudá-lo a chegar ao peso ideal, e requer três pontos básicos.



1) tenha uma dieta saudável

2) Ver o exercício como um remédio. É importante realizá-lo diariamente, e sem isso não se consegue aperfeiçoar sua saúde e seu peso.

3) controle o estresse através de técnicas de relaxamento.



Dra. Pâmela Rosa Pereira

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