15 de mai de 2011

Diabetes: saiba um pouco mais


O diabetes é uma doença que vem aumentando entre a população do mundo todo cada vez mais. Um dos motivos desse aumento é o fato de o diabetes ser uma doença crônica (não tem cura) e de a população estar vivendo cada vez mais, então é natural que aumente o número de casos.

Outro fator que pode estar envolvido no aumento do número de casos é o maior cuidado das pessoas com a saúde, buscando mais informações e indo ao médico com mais frequência para exames de rotina, onde acabam sendo diagnosticados mais precocemente. Nesse caso então, o fato de estarmos diagnosticando mais diabetes não seria necessariamente pelo aumento do número de casos, mas por estarmos diagnosticando casos que antes passavam despercebidos.

Mas, um fator sem dúvida associado ao aumento do número de pessoas com diabetes foi o aumento da obesidade na população. Fenômeno este, que observamos a nível mundial e vem preocupando muito as nações desenvolvidas. A aquisição de péssimos hábitos alimentares e o sedentarismo têm sido os responsáveis pelo aumento de peso e consequente aumento de casos de hipertensão, doenças, cardíacas, diabetes, etc.

Para você saber um pouco mais sobre essa doença, aqui vão algumas informações básicas sobre os tipos diferentes de diabetes:

O diabetes Tipo 1 é uma doença auto-imune caracterizada pela destruição das células beta do pâncreas produtoras de insulina. Isso acontece por engano quando o organismo identifica essas células como "corpos estranhos" e produz anticorpos de defesa que as atacam. Este tipo de reação, chamada auto-imune, também ocorre em outras doenças, como esclerose múltipla, Lupus e doenças da tireóide.

A maioria das pessoas com DM1 desenvolve grandes quantidades de auto-anticorpos, que circulam na corrente sanguínea algum tempo antes da doença ser diagnosticada. Os anticorpos são proteínas produzidas pelo organismo para destruir bactérias ou vírus. Auto-anticorpos são anticorpos com “mau comportamento”, ou seja, eles atacam os próprios tecidos do corpo de uma pessoa.

Não se sabe ao certo por que as pessoas desenvolvem o DM1. Sabe-se que há casos em que algumas pessoas nascem com genes que as predispõem à doença. Mas outras têm os mesmos genes e não têm diabetes. Pode ser algo próprio do organismo, ou uma causa externa, como por exemplo, um fator emocional, que desencadeia a doença. Ou também alguma agressão por determinados tipos de vírus como o cocsackie vírus. Outro dado é que, no geral, é mais freqüente em pessoas com menos de 35 anos, mas vale lembrar que ela pode surgir em qualquer idade.

O DM1 surge quando o organismo deixa de produzir insulina (ou produz apenas uma quantidade muito pequena). Quando isso acontece, é preciso tomar insulina para viver e se manter saudável. As pessoas precisam de injeções diárias de insulina para regularizar o metabolismo do açúcar. Pois, sem insulina, a glicose não consegue chegar até às células, que precisam dela para produzir energia. As altas taxas de glicose acumulada no sangue, com o passar do tempo, podem afetar a visão, os rins, os nervos ou o coração.

Pessoas com níveis altos ou mal controlados de glicose no sangue podem apresentar:

• Vontade de urinar diversas vezes (muita urina! Mais de 4-5 litros/dia);
• Fome freqüente (começa a comer muito mais que o normal);
• Sede constante (bebe muita água, cerca de 5 litros/dia);
• Perda de peso (emagrece mesmo comendo muito);
• Fraqueza;
• Fadiga;
• Nervosismo;
• Mudanças de humor;
• Náusea;
• Vômitos.

Sabe-se que o diabetes do tipo 2 (DM2) possui um fator hereditário maior do que no tipo 1. Além disso, há uma grande relação com a obesidade e o sedentarismo. Estima-se que 60% a 90% dos portadores da doença sejam obesos. A incidência é maior após os 40 anos.

Uma de suas peculiaridades é a contínua produção de insulina pelo pâncreas. Aqui não há destruição das células que produzem insulina. O problema está nos tecidos do corpo que criam uma resistência à ação da insulina (você tem o hormônio mas ele não consegue agir). Por isso, suas células não conseguem metabolizar a glicose. Com o tempo, de tanta resistência à ação da insulina, o pâncreas vai esgotando sua capacidade de produzí-la e pode haver diminuição e até falência de produção.

O diabetes tipo 2 é cerca de 8 a 10 vezes mais comum que o tipo 1 e pode responder ao tratamento com dieta e exercício físico. Outras vezes vai necessitar de medicamentos orais e, por fim, a combinação destes com a insulina.

Como existe um pouco de ação da insulina, os sintomas iniciam mais gradualmente que no DM1, e pode demorar até 10 anos para se fazer o diagnóstico do DM2. Sendo descoberto numa fase mais avançada, algumas complicações já podem estar presentes no momento de seu diagnóstico:

- Alteração visual (visão embaçada);
- Dificuldade na cicatrização de feridas;
- Formigamento ou falta de sensibilidade nos pés;
- Disfunção renal;
- etc.

O diabetes pode iniciar na gravidez, sendo chamado de diabetes gestacional. O diabetes gestacional é a alteração das taxas de açúcar no sangue que aparece ou é detectada pela primeira vez na gravidez. Pode persistir ou desaparecer depois do parto. É muito importante detectar essa alteração no pré-natal e controlar corretamente os níveis de açúcar no sangue durante a gravidez para não prejudicar a saúde o bebê e nem da mãe.

Existem outros tipos de diabetes além do Tipo 1, Tipo 2 e Gestacional, mas esses ocorrem com menor freqüência. São eles:

Diabetes Secundário ao Aumento de Função das Glândulas Endócrinas:

- Em determinadas doenças glandulares, a ação da insulina é de alguma maneira dificultada ou prejudicada, aparecendo diabetes em pessoas de alguma maneira predispostas. É o que pode ocorrer, por exemplo, com doenças da tireóide, supre-renais ou hipófise;

- Também pode aparecer na presença de tumores endocrinológicos produtores de hormônios que antagonizam a ação da insulina (feocromocitoma, glucagonoma, etc);

- Diabetes Secundário a Doenças Pancreáticas (retirada cirúrgica de 75% do pâncreas,
pancreatite crônica, destruição pancreática por depósito de ferro denominado hemocromatose, etc)

- Resistência Congênita ou Adquirida à Insulina (a produção de insulina está aumentada, porém com ação ineficaz por causa da diminuição ou defeito de receptores celulares (encaixes para insulina agir nas células), no tecido gorduroso, músculo, etc.

- Diabetes Associado à Poliendocrinopatias Auto-Imunes (casos onde existem anticorpos anti-células pancreáticas produtoras de insulina junto com anticorpos contra tireóide e (menos freqüentemente) anticorpos contra supra-renal, estômago, músculo e/ou glândulas salivares. Além de diabetes e disfunção dessas glândulas citadas, pode haver vitiligo, alopécia (intensa queda de cabelos), hepatite crônica, candidíase etc.

-Diabetes Tipo LADA (Latent Autoimmune Diabetes in Adults): caracteriza-se pelo surgimento tardio do Diabetes Mellitus do Tipo 1 e atinge entre 2 e 12% dos casos, ou seja, 1,4 milhão de pessoas no Brasil. Também conhecido como Diabetes Tipo 1.5 (Type one-and-a-half), o LADA costuma ser confundido com o do tipo 2. A maior incidência concentra-se em pacientes entre 35 e 60 anos, magro e com cetose. O seu diagnóstico é feito pelo teste do anticorpo anti-GAD. Ocorre progressão lenta para a insulino-dependência, assim como um risco maior de complicações cardiovasculares para esses pacientes.

Se você desconfia que possa ter diabetes, por algum motivo, ou se tem história na família, procure um médico e peça para fazer os exames necessários para tirar a dúvida. Independente do tipo de diabetes que você tenha, quanto mais cedo for feito o diagnóstico e iniciado o tratamento, menos problemas você terá. Com o uso correto da medicação e acompanhamento médico regular os pacientes diabéticos podem ter uma vida longa e normal.

Uma das coisas mais importantes além do diagnóstico precoce e uso correto das medicações é o entendimento da doença. Quanto mais informado o paciente com diabetes for e mais ele conhecer sua doença, melhor controle ele terá sobre ela. O diabetes é uma doença onde o paciente participa muito do tratamento, por melhor que seja o profissional que está acompanhando o caso e tratando sua doença, se o paciente não se envolver e não tiver a vontade de realmente controlar seus níveis de glicemia, dificilmente o tratamento atingirá os resultados almejados.

Médico, paciente e familiares devem trabalhar juntos, buscando o melhor controle possível. Nenhuma doença crônica (diabetes, hipertensão, artrose, etc) é agradável de se conviver, pois ela vai fazer parte da sua vida sempre, já que não possui uma cura até o momento. Mas as possibilidades de tratamento e drogas vêm aumentando cada vez mais, tentando controlar a doença e causar o mínimo possível de efeitos colaterais. Muitas novidades estão sendo pesquisadas e quem sabe um dia teremos a cura desse problema que afeta cada vez mais pessoas no mundo todo. Mas enquanto isso não acontece, diante das opções existentes, cabe a cada um tomar sua decisão: você que ser uma pessoa com diabetes ou um doente com diabetes?

Controle-se, só depende de você!

Dra. Priscila Rosa Pereira.

Um comentário:

  1. demais esse papo de falar sobre diabetes so que e muito grande para uma pesquisa

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