21 de mai de 2011

Nova droga aumenta os níveis do bom colesterol

A meta nos tratamentos para dislipidemias sempre foi, principalmente, baixar o LDL (colesterol ruim). Quase passava despercebida uma outra partícula do colesterol, o HDL (colesterol bom), que ao contrário do anterior, precisa ser levado às alturas.

Este agente do bem, recolhe a gordura das artérias e está nos holofotes das pesquisas, porque estudos em populações de alto risco e doença cardiovascular instalada mostram que mesmo diminuindo o LDL, essas pessoas continuam ameaçadas (30-40% delas sofrem infarto ou derrame).

Já estão em testes medicamentos capazes de elevar o HDL. A promessa mais tangível é um comprimido do laboratório Merck, o anacetrapibe, que acaba de passar por um estudo de segurança publicado no The New England Journal of Medicine. A nova droga foi avaliada durante 6 meses em 1623 pessoas com histórico de doença cardiovascular ou sob alto risco de infarto.

Os resultados mostraram que além de reduzir em quase 40% o LDL, a droga elevou em 140% o HDL. Ela inibe uma enzima que transfere o colesterol do HDL para as lipoproteínas VLDL E LDL. A pesquisa americana mostrou que o medicamento não provoca efeitos adversos expressivos. Pesquisas com uma droga antecessora a esta, o torcetrapibe, da Pfizer, foram suspensas no meio porque apesar de elevar o HDL, a droga causava aumento de infarto e morte, por elevar a pressão arterial.

Essa nova opção, apesar de pertencer à mesma classe do torcetrapibe, tem características diferentes e foi aprovada no quesito segurança. Ainda falta ser respondida através de pesquisas uma pergunta: o fato de elevar o HDL reduz mesmo a incidência de infarto? Ainda este ano uma nova investigação buscará essa resposta.

Outras pesquisas sobre o HDL estão em andamento. Uma da Universidade Northwestern, em Chicago, EUA, conseguiu desenvolver um HDL protetoras artificial, que será testado em animais. Outras pesquisas em andamento procuram maneiras de alterar os genes ou moléculas que regem o código genético tentando aumentar os níveis de HDL. Mas esses ainda são projetos para um futuro mais distante.

Atualmente, já existe no mercado uma substância capaz de elevar o HDL, o ácido nicotínico ou niacina. Mas ele só costuma ser receitado em situações de alto risco, pois apesar de elevar o HDL em 15-30%, ele tem efeitos colaterais ruins, como rubor facial.

Se você ainda prefere prevenir que remediar, o jeito mais efetivo de elevar o HDL é fazendo exercícios. Isso pode elevar em até 10% seu HDL. Uma pesquisa que avaliou o HDL de obesos e sedentários que caminharam 3 vezes por semana ao longo de três meses, mostrou que além da perda de peso houve aumento no HDL. Uma outra pesquisa mostrou que caminhadas rápidas não aumentaram o HDL em números, mas aperfeiçoaram o funcionamento da partícula, permitindo que ela retirasse melhor o excesso de colesterol dos tecidos.

Outra medida que eleva o HDL é a ingestão de pequenas doses de bebida alcoólica, mas esse método só pode ser usado por pacientes saudáveis e não é permitido abuso. Alguns alimentos como soja, óleo de peixe e chocolate amargo parecem causar um reforço discreto ao HDL.

Dra. Priscila Rosa Pereira.

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