31 de mai de 2011

Por que mulheres preferem chocolate e homens preferem bife com gordura?

Genética e hormônios se unem a condicionamentos sociais para a diferenciação dos paladares entre homens e mulheres.

A diferença entre os paladares feminino e masculino é conhecida. Elas comem salada, bebem uma taça de vinho e querem chocolate na TPM. Já os homens não dispensam aquela gordurinha da carne, carregam o prato com temperos e tomam drinques mais agressivos, tipo uísque.

Mas serão as razões para essa diferença biológicas ou sociais? A pressão por manter o peso, para as mulheres, e a associação entre carne e masculinidade são mais determinantes do que a maneira como cada um dos sexos percebe os sabores e as texturas dos alimentos?

São os hormônios que determinam o ponto de prazer e saciedade de cada um. Para as mulheres, aquilo que equilibra o bem-estar é a serotonina. E os alimentos que aumentam o nível de serotonina são os mais adocicados. Para os homens, o sistema regulador é o da dopamina, substância cujos níveis são elevados por alimentos mais fortes como carne, gordura, álcool e comidas amargas.

O aumento de serotonina traz bem-estar e sensação de repouso, que é o prazer buscado pela mulher. Já a dopamina aumenta a motivação e a força, deixando o homem "pronto para o combate".

As diferenças podem começar até antes, na própria percepção dos sabores. A hipersensibilidade de paladar aparece em 35% das mulheres, e só em 15% dos homens.
O gosto amargo e a sensação tátil causada por alimentos gordurosos contra a língua são muito mais poderosos para quem é hipersensível. Assim, essas pessoas preferem alimentos com gosto mais discreto.

A diferenciação dos sabores também é mais aguçada nas mulheres. Uma pesquisa feita com mais de 8.000 crianças na Dinamarca mostra que as meninas sabem distinguir melhor os sabores e reconhecem o doce e o amargo em concentrações menores que os meninos.

Outro estudo, feito na Faculdade de Saúde Pública da USP, mostrou que meninas percebem o gosto ácido melhor do que meninos.

Genética e bioquímica se somam aos condicionamentos sociais para criar essa diferenciação, que parece tão estereotipada.

Segundo o pesquisador Brian Wansink, do Food and Brand Lab da Universidade de Cornell (EUA), a imagem de certos alimentos, criada pela publicidade, tem grande influência nos desejos.

Wansink deixa os determinismos biológicos de lado e diz que as influências externas são importantes e, ao mesmo tempo, ignoradas pelas pessoas, conforme estudo na revista da American Psychological Association.

Seria então da sociedade a autoria da associação entre masculinidade e carne ou feminilidade e chocolate?

Ao que parece, a interação entre os nutrientes e a bioquímica cerebral é adaptativa. A percepção e o desejo por alguns alimentos foram construídos. Se não existisse chocolate, por exemplo, a gente provavelmente buscaria frutas com essa mesma qualidade no paladar.


Dra. Priscila Rosa Pereira.

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