2 de mai de 2011

Vinho tinto e Resveratrol: o segredo francês


Já falamos aqui no blog sobre as maravilhas do vinho tinto...mas como agora está chegando o friozinho e essa é a melhor época do ano para degustar essa bebida, vamos falar mais um pouco sobre ele!

Antes de começar a leitura, vá lá pegar uma tacinha de vinho tinto para degustar enquanto lê sobre ele!

Estudos nos dão bons motivos para se colocar o vinho no cardápio do dia-a-dia: ele faz bem ao coração e vasos sangüíneos, previne o envelhecimento e, segundo pesquisas recentes, uma de suas moléculas pode combater o câncer e o herpes.

A nossa mesa tende a não ser mais a mesma depois que os cientistas passaram a investigar os benefícios do vinho para a prevenção de doenças cardíacas. De artigo de luxo, o vinho vem se transformando em recomendação que freqüenta o receituário de muitos cardiologistas.

Agora uma novíssima safra de estudos aponta o resveratrol – substância encontrada na uva – como um possível aliado na luta contra o câncer e o herpes. O bom é que segundo um trabalho de um químico gaúcho, os tintos nacionais estão entre os vinhos com maior concentração dessa molécula promissora, então podemos beber um bom vinho e ficar mais saudáveis sem gastar fortunas.

O estudo comandado pelo químico brasileiro André Souto é pioneiro no país. Ele analisou quimicamente 36 amostras de vinhos tintos produzidos no Brasil a partir de diferentes castas de uva. Depois se debruçou sobre as concentrações de resveratrol, uma das 200 substâncias polifenólicas encontradas normalmente em cada cálice. De posse dos números, comparou-os com as quantidades desse composto em rótulos de outros países. Então foi surpreendido vendo que nesse aspecto, os vinhos nacionais só ficaram atrás dos franceses.

O resveratrol vem sendo exaltado pelas pesquisas como um antioxidante poderoso e um antiinflamatório potente. Existem inúmeros estudos sobre o tema que vêm sendo publicados em revistas médicas sérias de diversos países. Os cientistas começaram a desconfiar dos benefícios do vinho para o sistema circulatório ao observar estudos de população. Ainda nos anos 50, chamou atenção o que ocorria na França. Seu povo se empanturrava de comidas gordurosas mas, mesmo assim, tinha um índice de mortes por doenças cardíacas menor do que em outros países ocidentais.

O mistério foi resolvido quando se percebeu uma diferença fundamental: eles são bebedores usuais de vinho. A maioria não dispensa a bebida diariamente, durante as refeições. É o que chamamos de 'paradoxo francês'. Convencidos de que beber vinho tinto faz bem, a maioria dos cardiologistas prescrevem um cálice para acompanhar cada refeição. O vinho está virando um ingrediente do dia-a-dia de quem busca saúde.

Os mecasnismos de ação do resveratrol no organismo são variados. A ação antioxidante já foi comprovada cientificamente em todo o organismo, principalmente no que diz respeito ao coração. Em primeiro lugar, a substância é capaz de inibir a oxidação do LDL, o colesterol ruim. Quando oxidada, essa molécula nociva tem ainda mais facilidade para se depositar nas artérias até obstruí-las, provocando um infarto ou um derrame.

Além disso, o resveratrol dificulta a agregação das plaquetas, células sangüíneas que correm até um determinado local de uma artéria quando nela há uma lesão. Normalmente as plaquetas se concentram na região danificada com o objetivo de formar um tampão para estancar o sangue. Mas esse congestionamento, em um vaso já estreitado pela gordura ali depositada, pode causar uma obstrução fatal.

Uma pesquisa publicada no jornal de livre acesso “Public Library of Science One”, mostrou que pequenas doses de resveratrol incluídas na alimentação de ratos de meia idade tiveram uma grande e positiva influência sobre as alavancas genéticas para o envelhecimento, chegando a proteger de forma especial o coração. Especificamente, os cientistas descobriram que pequenas doses de resveratrol imitam os efeitos da restrição calórica (dietas com 20 a 30% menos calorias que uma dieta normal), sendo que já havia sido demonstrado em vários estudos passados, que uma dieta hipocalórica prolonga a vida e retarda o envelhecimento.

Investigações anteriores já haviam comprovado que o resveratrol administrado em grandes quantidades a invertebrados prolonga a vida e diminui a mortalidade, bem como se administrado em ratinhos de laboratório alimentados com uma dieta muito rica em gorduras. O estudo citado anteriormente, conduzido por investigadores acadêmicos de nutrição e também de empresas profissionais, corrobora e suporta esses fatos, demonstrando que o resveratrol em pequenas doses tem os mesmos benefícios que a dieta de restrição calórica.

"O resveratrol é ativo mesmo em quantidades muito reduzidas e reproduz significativamente o perfil da restrição calórica ao nível da expressão genética,” diz Tomas Prolla, professor de genética e autor do estudo citado. O grupo explorou a influência do agente no coração, músculos e cérebro, ao observar mudanças na expressão genética dos tecidos celulares. À medida que os animais vão envelhecendo, a expressão genética nestes diferentes tecidos altera-se conforme os genes se vão ativando ou desativando.

Essas ações da substância do vinho são comprovadas por trabalhos que mostram o que ocorre nos vasos sangüíneos de quem tem o hábito de bebê-lo. Um estudo do Instituto do Coração (São Paulo), pegou três grupos de ratos e serviu a um grupo um pouco de vinho tinto, a outro grupo suco de uva e ao terceiro nada. Ao final de 12 semanas, os ratinhos que beberam vinho e os que beberam suco de uva, estavam mais saudáveis, sendo concluído que as duas bebidas são capazes de reduzir a formação de placas de gordura.

Existe entre 0,03 e 0,15 miligrama de resveratrol em cada 100 gramas de uva. Mas o vinho tinto tem valores maiores que um suco, graças ao seu processo de fabricação.

O estudo não faz distinção entre o resveratrol e as outras substâncias do vinho tinto. Ainda não está totalmente esclarecido se é essa molécula ou o conjunto dos componentes da bebida que age contra as placas de gordura. Mas grupos de estudo de vários países estão mergulhados em evidências de que o resveratrol tem diversos efeitos benéficos, entre eles uma provável ação contra o desenvolvimento de tumores.

O primeiro especialista a levantar essa hipótese foi o oncologista John Pezzuto, da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos. Em um trabalho de 1997, Pezzuto provou que o resveratrol tem ação antioxidante e antimutagênica. Ou seja, por um lado combate os radicais livres, que podem induzir ao câncer. Por outro, inibe mutações genéticas que disparam um tumor.

Uma outra investigação, realizada por cientistas da Universidade Northeastern Ohio, nos Estados Unidos, sugere que o resveratrol pode se tornar um bom remédio contra o herpes. A substância se mostrou capaz de inibir a multiplicação do vírus que provoca a doença, dizem os pesquisadores americanos. Mas isso não quer dizer que a molécula seja considerada um antiviral. Ela combate a inflamação, mas não destrói o vírus em si. Os cientistas ainda desenvolverão muitas pesquisas para mais esclarecimentos.

O resveratrol teve sua ação antiinflamatória confirmada por pesquisadores britânicos da Imperial College London. Além da ação antiinflamatória, também foram encontradas aplicações potenciais do resveratrol para doenças pulmonares obstrutivas crônicas, asma e possivelmente até artrite.


Por enquanto, o certo é que um cálice de vinho na refeição pode oferecer muitos benefícios.

A dose ideal: os cardiologistas recomendam beber 1 cálice de vinho tinto no almoço e outro no jantar.


Dra. Priscila Rosa Pereira.

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