20 de jun de 2011

Dieta dos Pontos: o poder de escolha nas mãos do paciente

Receber uma folha de dieta dizendo exatamente o que você tem que comer no café da manhã, almoço e jantar todos os dias da semana por meses é tudo que ninguém que gosta de comer (e por isso está com algum problema de peso) quer! Claro, a grande expectativa é a de que se conseguirá emagracer comendo tudo que gostamos na quantidade que queremos, mas qualquer um sabe que isso é impossível.

Então você terá sim que mudar qualidade e/ou quantidade do que come, e se deseja que o novo corpo seja permanente, essa mudança não pode ser só por algum tempo... Fazer dieta não é fácil e não existe uma dieta que agrade igualmente todas as pessoas, isso depende do paladar e dos hábitos de vida de cada indivíduo. Quem prefere carnes e churrasco vai dizer que a dieta das proteínas é ótima, já quem tem uma vida social muito ativa e com muitos eventos festivos (jantares, coquetéis, etc) vai achar legal a liberdade que uma dieta dos pontos dá...então, o que é uma dieta "boa" ou "ruim" do ponto de vista de quem se submete à ela é bastante relativo.

Mas o que uma dieta "boa" ou "ruim" do ponto de vista de saúde não é ralativo não! A dieta saudável tem que ser equilibrada, ou seja, não pode banir nenhum grupo alimentar e recomendar excesso de ingestão de um outro grupo (como a dieta das proteínas, por exemplo).

Dietas assim, podem até ser feitas por um pequeno período de tempo para ajudar o paciente a perder aqueles quilos iniciais que lhe darão ânimo de continuar o tratamento a longo prazo com uma outra dieta, balanceada. A boa dieta, deve conter 50 a 60% de carboidratos (açúcares, farinhas, massas, pães, batata, grãos), 25 a 30% de lipídeos (gorduras) e 10 a 25% de proteínas (carnes, ovos, soja, leite e derivados). E mesmo tendo essa distribuição, ainda há maneiras mais ou menos saudáveis de se obter as calorias de cada grupo.

Através da escolha dos alimentos certos dentro dos grupos podemos obter maiores benefícios, como por exemplo, dos 60% de carboidratos da dieta, você pode obter a maioria de doces (açúcares) o que seria péssimo para a saúde, ou obtê-los de frutas (que contêm o açúcar frutose), do arroz integral (que contém fibras), da batata (que contém o açúcar amido, que é digerido mais lentamente e por isso é mais benéfico)...enfim, não basta ter o balanceamento dos grupos alimentares e escolher os piores alimentos de cada grupo!

O mesmo pode ocorrer na Dieta dos Pontos. Uma dieta onde calculamos o número máximo de calorias que a pessoa deve ingerir para não engordar e convertemos numa certa quantidade de pontos. A pessoa recebe uma tabela mostrando quantos pontos tem cada tipo de alimento (desde uma maçã até um Big Mac) e desde que não ultrapasse a quantidade máxima de pontos permitida, a pessoa pode comer o que preferir. Cada ponto equivale a 3,6 calorias. Há um cálculo personalizado para cada pessoa de acordo com a composição corporal (massa magra e massa de gordura) e com o gasto energético diário.

O objetivo dos criadores da dieta foi o de promover uma verdadeira reeducação alimentar devido ao fato de você passar a conhecer o valor de cada alimento que come. De tanto olhar a tal tabela, você acaba assimilando quais alimentos conferem mais ou menos pontos e aprendendo a fazer substituições saudáveis.

Mas o grande problema em permitir essa livre escolha é que muitas pessoas (a maioria dos que sofrem com problemas de peso) têm gostos alimentares errados. Adoram pães, massas, doces, pizzas, alimentos ricos em açúcares e sódio, que são super calóricos. Então, elas acabam comendo poucos alimentos durante o dia para poderem comer aqueles que preferem, e com isso, acabam seguindo uma dieta pobre em nutrientes, vitaminas, minerais e fibras, e irão sentir-se fracas, debilitadas, indispostas e podem até adoecer.

Uma desvantagem está na dificuldade inicial de saber quais alimentos valem mais pontos (é um saco ter que olhar aquela tabela - enorme - o tempo todo...até uma bala entra na contagem!). E a principal desvantagem, já comentada, é o fato de ter que aprender a ter Liberdade com Responsabilidade, o que não é nada fácil.

Não adianta nada a pessoa conhecer a tabela de pontos se não houver certa interação com uma nova filosofia que pressupõe conhecimento do processo e determinação. Ou seja, ela não pode entender a dieta como um passe livre pra se deliciar com coisas gostosas. Deve-se usar a liberdade de escolha da seguinte forma: se hoje você comer uma feijoada, amanhã fará refeições menores para compensar. E escolherá alimentos menos gordurosos, mais naturais, para compensar aquela feijoada.

Nas dietas tradicionais o que acontecia? A pessoa quebrava o regime e comia feijoada. Pronto! Achava que tinha estragado tudo e desistia da dieta. No sistema de pontos, feijoada não é um prato proibido desde que no dia seguinte a pessoa consiga compensar a extravagância ingerindo menos calorias, ou melhor, calorias vindas de alimentos mais saudáveis.

Uma das vantagens da dieta dos pontos é praticidade e comodidade, já que a pessoa pode comer de tudo desde que não ultrapasse o limite de pontos. Além disso, a tabela da dieta dos pontos é mais fácil de ser utilizada do que memorizar o número de calorias de cada alimento. Outro fator que pode ser positivo é que, como a pessoa tem liberdade para comer o que gosta desde que não ultrapasse o limite de pontos, há maiores probabilidades dela não abandonar a dieta.

Se por um lado a liberdade de escolha dos alimentos torna a Dieta dos Pontos tentadora, por outro ela pode tornar-se danosa à saúde, como já falamos. Bom, o que acontece é que o médico ou nutricionista tem que saber muito bem para qual tipo de paciente ele pode passar esse tipo de dieta. Isso vai depender do grau de conhecimento do paciente, da sua capacidade de entender a importância de escolher coisas saudáveis - via de regra - mas tendo a liberdade de "sair da linha" de vez em quando, compensando depois.

Esta dieta será bem adequada a quem tem uma vida corrida e não prepara os próprios alimentos e nem escolhe os locaia onde come, ou seja, tem que se virar com o que tem. O negócio é que sempre dá para escolher o "menos pior" mesmo dentro de opções não tão legais (por exemplo, se vai comer pizza, escolha marguerita que tem metade das calorias da calabresa!).

E então, será que essa dieta seria boa para você?


Dra. Priscila Rosa Pereira.

Um comentário:

  1. Que post bacana! Como todos que já li aqui.
    Não faço dieta dos pontos, não faço dieta...rs
    Não me adapto a anotar as coisas, mas escolho pelo benefício dos alimentos. Assim, tenho descoberto inúmeros sabores e combinações.
    Abraços!

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