5 de jun de 2011

Peso, peso meu...existe alguém no mundo mais culpado do que eu??

As mudanças de estilo de vida ao longo da evolução deixaram as pessoas mais sedentárias e consequentemente mais gordas. Esse excesso de peso tráz inúmeras doenças e afeta muito a qualidade de vida das pessoas. Problemas como Hipertensão, Colesterol alto, Diabetes, Infartos, etc, estão aparecendo cada vez mais cedo.




Apesar de ser possível tratar e controlar essas comorbidades, a qualidade de vida do indivíduo obeso com esses problemas cai muito, pois ele sofrerá preconceito, efeitos colaterais das medicações em uso, limitações ambientais, enfim, com certeza ele preferiria não ser gordo e não ter todos esses problemas se pudesse escolher. E não pode?

Apesar de ser difícil perder peso, é uma coisa que depende principalmente da própria pessoa (será por isso que é difícil então?). Diferente de problemas sociais, políticos, fenômenos ambientais como terremotos e tsunamis que tanto nos assombram, a resolução do problema de excesso de peso e suas conseqüências só depende do próprio indivíduo.


Como chegamos a esse ponto? Apesar de os hábitos alimentares terem muito a ver com isso, os processos de urbanização e automatização têm culpa maior. O gasto energético foi muito reduzido. Não precisa ir muito longe: sua bisavó, quando tomava suco, espremia a laranja. Hoje, é só abrir a geladeira.

Outra questão importante afetada pelo problema de peso, é a privação de sono. De 50 anos para cá, o mundo está dormindo duas horas a menos por noite, o que tem ligação direta com o peso. Há uma desregulação do gasto energético, da produção de hormônios da saciedade e uma ativação da glândula suprarrenal, que produz adrenalina e cortisol. Tudo isso facilita o ganho de peso.

Os Estados Unidos, país que liderou a alta da obesidade, vem tentando atacar o problema com incentivos à alimentação saudável e à prática de exercícios. Apesar de benéficas, essas medidas são mal orientadas, porque dão peso muito grande para mudanças na alimentação e esportes. Não podemos focar apenas o incentivo ao esporte. As atividades físicas não programadas, como deslocamentos, pesam mais. O importante é que as cidades permitam que a pessoa ande de bicicleta, a pé. Temos que tentar gastar mais energia nas atividades do cotidiano que acabaram sendo facilitadas por tecnologias como elevador, controle remoto, carros...

O consumo de alimentos processados e a ocidentalização da dieta dos orientais contribuem para o fenômeno de aumento mundial do peso. O mundo está abandonando a comida in natura em favor da processada, com densidade de calorias muito maior e muito menos nutrientes. Não é necessário mandar trocar o hambúrguer e a pizza por verduras e frutas exclusivamente. Trata-se de comer um hambúrguer de carne fresca, preparado por você mesmo com pouco sal, com um óleo de boa qualidade, com carne de gado fresca e limpa (sem gordura) em vez de comprar um hambúrguer congelado com alto teor de sódio e conservantes, com carne de qualidade duvidosa cheia de gordura e outras partes do gado como cartilagem, pele e vísceras e muitas vezes quando consumida em lanchonetes, feita numa chapa com crosta de gordura e óleo de péssima qualidade! Entendeu??

A dificuldade de combater o ganho de peso é maior do que a enfrentada na redução de hipertensão e colesterol, que podem ser mais facilmente controlados com medicamentos. A obesidade envolve consumo alimentar, paladar, hábitos de vida muito ligados à emoção e estilo de vida social. Não há pílula mágica para tratar isso.

S.O.S consciência! Vamos comer melhor para viver melhor! Não adianta comer de tudo hoje para ter que correr atrás do prejuízo amanhã, o preço cobrado será muito alto!


Guarde essa frase para não ter que chegar um dia quando seu exame de colesterol ou glicemia (diabetes) dará alterado e você irá se desesperar e perguntar "Por que comigo?":

"QUEM PLANTA BATATAS, COLHE BATATAS.

QUEM PLANTA CENOURAS, COLHE CENOURAS."


Costumo dizer isso aos pacientes que chegam reclamando e achando ruim o fato de terem desenvolvido um diabetes, uma hipertensão, uma dislipidemia, um câncer...e que tiveram um estilo de vida que obviamente não poderia resultar em outra coisa. Cada um escreve sua história.



Dra. Priscila Rosa Pereira.

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