23 de jul de 2011

Anorexia: procure ajuda o mais cedo possível!

A anorexia nervosa é um transtorno alimentar caracterizado por um grande temor de ganhar peso, ainda que o paciente esteja muito abaixo do peso ideal. Ele se impõe uma rígida dieta de restrição alimentar.

Ocorre um distúrbio da percepção da forma e do tamanho do próprio corpo. O comportamento clássico na anorexia nervosa é uma progressiva e grave restrição alimentar. O paciente normalmente elimina os alimentos que julga ricos em calorias e termina por excluir progressivamente vários outros.

Questões ligadas ao alimento se tornam centrais na vida dos pacientes e muitos escondem alimentos em armários, banheiros e às vezes, tornam-se excelentes cozinheiros, elaborando preparações que sequer experimentam. Colecionam receitas e são "profundos" conhecedores sobre "dietas" e valor calórico dos alimentos.

Descrevem-se ainda rituais obsessivos como, por exemplo, na hora da refeição cortar e selecionar os alimentos para, finalmente, ingerir uma quantidade mínima. O termo anorexia deriva do grego, significando falta de apetite. O termo, na verdade, é impróprio, já que a falta de apetite é rara, pois os pacientes muitas vezes sentem fome, mas procuram negá-la ou controlá-la.

A primeira descrição médica de pacientes com anorexia, deve-se a Richard Morton em 1694, que relatava um emagrecimento auto-induzido em decorrência de um "mórbido estado de espírito". A identificação da anorexia como entidade clínica só ocorreu em 1868, com um trabalho apresentado na "English Medical Society" por William Gull e, também, após a descrição de Charles Lasègue na França, em 1873, da "anorexie mentale" - antes chamada por ele de "anorexie hystérique".

Em 70% dos casos, há predisposição genética. Contribuem ainda a chamada cultura da "beleza magra" e o estímulo à busca do corpo ideal. Os sintomas de quem sofre dessa doença podem ser queda de cabelo e da temperatura do corpo, ressecamento das unhas, perda de tecido ósseo e alterações cardíacas. Nas mulheres, a doença pode desencadear interrupção do ciclo menstrual e infertilidade. O paciente sempre emagrece.

O anoréxico pode morrer em estado de desnutrição. Desidratados, os pacientes sofrem perda de eletrólitos, principalmente potássio, fundamental para o funcionamento muscular e cardíaco.

Os sinais mais visíveis para que possamos identificar uma pessoa com este transtorno são:

- ela não se alimenta na frente de outras pessoas: diz que já comeu ou que ainda vai comer;

- mesmo muito magra, age como estivesse sob dieta, controlando as calorias dos alimentos que ingere e revelando medo excessivo de engordar;

- faz exercícios compulsivamente e mostra-se culpada quando não se exercita;

- dissimula a aparência, usando roupas folgadas e penteados que escondem a magreza do rosto;

- afasta-se das pessoas, tornando-se desconfiada e agressiva;

- apresenta sintomas de desnutrição: tontura, desmaio, fadiga, sono ou insônia e inchaço no corpo, especialmente nas pernas;

- emagrecimento súbito, sem motivo aparente;

- vômitos após as refeições: visitas sistemáticas e demoradas ao banheiro depois de comer podem denunciar a prática;

- uso de laxantes e diuréticos: queixas de cólicas abdominais, inflamações anais ou descontrole intestinal dão os sinais.

Esta restrição alimentar praticada na anorexia leva a uma marcante perda de peso; sendo critério diagnóstico (de acordo com Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – IV) a manutenção de um peso menor do que 85% do esperado ou, ainda, incapacidade de ganhar peso durante o período de crescimento, levando à um peso menor do que 85% do esperado. Os pacientes negam a doença, mostrando-se indiferentes ao seu péssimo estado nutricional. Recusam-se a manter o peso no mínimo - ou acima do mínimo - normal para a idade e altura. É também critério diagnóstico o medo mórbido de ganhar peso ou tornar-se gordo, mesmo estando abaixo do peso.

Os pacientes sentem-se gordos, apesar de todas as evidências contrárias. Esta distorção de imagem corporal e excessiva influência do peso e/ou forma corporal na auto-avaliação, constituem outro critério diagnóstico, de acordo com o DSM-IV, juntamente com a negação da gravidade do estado de baixo peso atual. A amenorréia - ausência de menstruação - (em mulheres pós-menarca) é mais um critério diagnóstico da doença; sendo que se considera amenorréia a falta de, no mínimo, três ciclos menstruais consecutivos (uma mulher ainda é considerada amenorréica se seus ciclos menstruais ocorrem apenas quando há administração de hormônios estrógenos).

O medo de tornar-se obeso leva a comportamentos com a finalidade de perder peso, como a prática de exercícios vigorosos, o abuso de laxantes e diuréticos e vômitos auto-induzidos em 40% dos casos, o que origina a classificação da anorexia em subtipos segundo o DSM-IV para especificar a presença ou ausência de comportamentos bulímicos e/ou purgativos. São eles:

• Subtipo restritivo: quando o episódio atual de anorexia se caracteriza pela restrição quantitativa e qualitativa de alimentos e quando o paciente não tem comportamentos compulsivos com os alimentos - que seriam episódios bulímicos e, também, não tem comportamentos purgativos como vômitos auto-induzidos, abuso de laxantes, diuréticos ou enemas.

• Subtipo bulímico: quando o episódio atual de anorexia se caracteriza pela prática regular de comportamentos compulsivos com os alimentos - episódios bulímicos e, também, pela prática de comportamentos purgativos, como vômitos auto-induzidos, abuso de laxantes, diuréticos e enemas.

O paciente com anorexia possui um distúrbio na percepção e reconhecimento da fome e da saciedade, ou fadiga e senso de inadequação em geral. A acuidade gustativa (capacidade de sentir sabores) costuma realmente ser reduzida, assim como a motilidade gástrica (gerando maior saciedade). O consumo alimentar é reduzido em função de uma atitude fóbica para com o alimento e o peso, pois qualquer ganho de peso gera extrema ansiedade (o paciente enxerga a comida como algo terrível, que lhe fará mal).

Este baixo consumo alimentar tem consequências evidentes no estado nutricional: os efeitos são similares à desnutrição protéico-calórica. O organismo realiza ajustes fisiológicos, que resultam em baixa taxa de metabolismo basal, baixa pressão sanguínea, bradicardia e hipotermia. Encontra-se, ainda, pele fria e pálida, estrutura óssea proeminente (sendo a osteopenia e a osteoporose frequentes) e o paciente aparenta ter mais idade. É comum também, queda de cabelos, aparecimento de lanugo (fina camada de pelos sobre a pele) e de petéquias e equimoses (lesões avermelhadas e arroxeadas na pele).

A hiperbetacarotenemia (excesso do pigmento beta-caroteno na pele) é frequentemente encontrada; as deficiências clássicas de vitaminas e minerais, no entanto, são raras. Altos níveis de colesterol são também encontrados. Alterações hematológicas incluem a anemia e a leucopenia. Alterações endócrinas são também freqüentes, aparecendo muitos sinais clássicos de hipotiroidismo, tais como, hipotermia, intolerância ao frio, bradicardia e constipação; embora os níveis de TSH no plasma permaneçam normais. Alterações no sono são também descritas - como despertar precoce. Acredita-se, ainda, que os diferentes subtipos refletem, além das características fisiológicas diferenciadas, tipos diversos de personalidade e constituem subtipos psicopatológicos diferentes.

E, do ponto de vista psicológico, a anorexia pode ser concebida como um trantorno no desenvolvimento da personalidade onde há uma evitação do corpo feminino adulto, com particular rejeição pelas mudanças sexuais associadas à puberdade.

Tanto a anorexia como a bulimia (que será abordada em outro post) são transtornos alimentares difíceis de serem tratados. Necessitam de uma equipe multidisciplinar, com médico, psicólogo, nutricionista e principalmente do envolvimento dos familiares. Difícil não significa impossível, então se você conhece alguém com esses problemas procure ajuda o mais rápido possível.

Quanto mais cedo forem percebidos os sinais e iniciado tratamento, antes que um quadro de desnutrição importante se instale, maiores as chances de cura e menores os riscos de morbidade e mortalidade.

Dra. Priscila Rosa Pereira.

Um comentário:

  1. as gordinhas ou magrinhas k sejao + o importante é ser bonita e gostosa e principalmente saldavel...

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