17 de set de 2011

Os Custos da Obesidade

A obesidade leva a um aumento substancial na utilização dos recursos de saúde com elevados custos econômicos, uma vez que contribui para a carga global de doenças crônicas e incapacidade.

Os custos da obesidade e suas consequências negativas para a saúde foram estimados entre 0,7% a 7% dos gastos nacionais com saúde em todo o mundo.

Na China, entre os anos de 2002 e 2003, o custo médico direto das doenças crônicas atribuíveis ao sobrepeso e à obesidade (hipertensão, diabetes tipo 2, doença coronariana e acidente vascular cerebral) foi estimado em 21 bilhões de yuans (cerca de 2,7 milhões de dólares), representando 5,5% do total dos custos médicos para as quatro doenças crônicas ou 3,7% do total nacional de despesas médicas.

As projeções realizadas demonstraram que os custos médicos associados ao sobrepeso e à obesidade podem chegar a 37 bilhões de yuans, ou aproximadamente 4,8 bilhões de dólares (um aumento de 75%) no caso da persistência do crescimento da prevalência desse agravo.

Na Alemanha, os resultados de um estudo que estimou os custos diretos (internação, tratamento ambulatorial e reabilitação) e indiretos (morbidade e mortalidade) atribuíveis à obesidade e ao sobrepeso para o ano de 2002, apontaram um custo direto de 4,85 milhões de euros (correspondente a 2,1% do total de gastos com saúde) e 5,02 milhões de euros em custos indiretos. Uma parte dos custos diretos (43%) foi atribuída a doenças como o diabetes tipo 2 e a obesidade em si, seguida por doenças cardiovasculares (38%), neoplasias (14%) e doenças digestivas (6%).

Em Portugal, um levantamento realizado em 2002 mostrou que os custos indiretos com obesidade chegaram a 199,8 milhões de euros. Além dos gastos diretos em tratamentos, as doenças relacionadas à obesidade causaram custos indiretos, pois resultaram em mais de 1,6 milhões de dias de incapacidade anuais, principalmente por faltas ao trabalho associadas a doenças do sistema circulatório e diabetes tipo 2. Os custos também são resultado de 18.733 potenciais anos de vida ativa perdidos calculados para os que morreram.

Os componentes indiretos representaram 40% do total dos custos da obesidade. Somando as estimativas de custos diretos e indiretos, a obesidade custou a Portugal, em 2002, aproximadamente 500 milhões de euros (sendo 82,3 milhões para o tratamento em ambulatório da obesidade e suas comorbidades, 87 milhões para internação, 128 milhões para o consumo de medicamentos, 83 milhões em perdas de produtividade associadas à incapacidade temporária e 116,6 milhões em perdas econômicas relacionadas com a mortalidade prematura).

Um estudo australiano avaliou os gastos com saúde, comparando os gastos de pacientes com o Índice de Massa Corporal (IMC) classificado como normal, sobrepeso e obeso, em 5 anos. Ficou demonstrado que o custo total anual por pessoa acima dos 25 anos, com IMC normal foi de 1.472 dólares; já o custo com os indivíduos classificados como obesos foi de 2.788 dólares (quase o dobro). Em 2005, o custo direto da saúde para os australianos com mais de 30 anos foi de 6,5 bilhões de dólares para os classificados com sobrepeso, e 14,5 bilhões de dólares para os obesos (mais que o dobro).

De acordo com estudo realizado no início dos anos 2000 em British Columbia, uma das três maiores províncias do Canadá, estima-se que mais de 2 mil pessoas morrem prematuramente a cada ano devido a doenças relacionadas com a obesidade, perdendo-se 8 mil anos potenciais de vida anualmente.

As doenças relacionadas com a obesidade custam ao sistema de saúde cerca de 380 milhões de dólares anuais, valor correspondente a 4,5% do total dos custos diretos dos cuidados médicos na província. Quando adicionados custos indiretos e perda de produtividade devido à obesidade (incluindo morte prematura, falta ao serviço e incapacidade), o custo total da obesidade para a economia de British Columbia é estimado entre 730 e 830 milhões de dólares por ano.

Nos EUA, de acordo com um estudo dos custos nacionais atribuídos ao sobrepeso e à obesidade, as despesas médicas relativas a esses agravos foram responsáveis por 9% do total de todas as despesas médicas para o ano de 1998, chegando a 92,6 milhões de dólares em 2002. Para estimar os custos médicos diretos do sobrepeso e obesidade por pessoa, uma metanálise avaliou 33 estudos e destes, os 4 considerados melhores, mostraram que em 2008, o acréscimo nos custos médicos diretos foi de 266 dólares em indivíduos com sobrepeso, 1.723 dólares em indivíduos obesos e 3.012 dólares em indivíduos obesos mórbidos, comparados a pessoas de peso normal.

Os gastos com obesos mórbidos são 68% maiores quando comparados com indivíduos de peso normal. Dependendo da fonte utilizada nos estudos desta metanálise, o total nacional, nos EUA, de gastos com saúde nos custos médicos diretos relacionados ao excesso de peso varia entre 5% a 10%.

Foi feito um estudo para estimar o crescimento dos custos com os cuidados de saúde, ao longo do tempo, conforme as alterações nas prevalências da obesidade. A previsão do estudo é de que os EUA chegarão a gastar 344 milhões de dólares em custos de saúde atribuíveis à obesidade em 2018, se as taxas continuarem a aumentar em seus níveis atuais. Os gastos diretos relacionados com a obesidade representarão pelo menos 1/3 dos gastos com saúde do país em 2018.

Já se os níveis de obesidade forem mantidos nas taxas atuais haverá, possivelmente, uma economia de cerca de 820 dólares por adulto em despesas de saúde até 2018, ou seja, uma economia de quase 200 bilhões de dólares. Quanto aos custos indiretos da obesidade, poucos estudos são encontrados.

Um estudo sobre os custos de hospitalização relativos ao sobrepeso e à obesidade e doenças associadas no Brasil, referentes ao ano de 2001, estimou os valores gastos por análise dos dados de hospitalizações de homens e mulheres entre 20 e 60 anos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e indicou um total de custos equivalente a 3% dos custos totais de hospitalização, para os homens, e 5,8% para as mulheres. Apesar das limitações metodológicas, o estudo indicou que o sobrepeso e a obesidade são importantes motivos de internação, representando uma boa parte dos custos totais em saúde e mais de um milhão de dias de trabalho perdidos em 2001.

Os custos econômicos da obesidade na infância e adolescência são significativos. Entre os anos de 1979 e 1981, o custo anual de hospitalizações relacionadas com a obesidade entre crianças e adolescentes foi de 35 milhões de dólares. Este custo apresentou aumento expressivo entre 1997 e 1999, passando para 127 milhões de dólares.

O sobrepeso na adolescência é um poderoso preditor de efeitos adversos à saúde na vida adulta, independentemente do peso na idade adulta.

Um estudo projetou os impactos econômicos a longo prazo da prevenção e redução do sobrepeso e obesidade em adolescentes entre 16 e 17 anos, mostrando que a redução de 1 ponto percentual do IMC destes, poderia reduzir o número de adultos obesos no futuro, o que resulta em diminuição dos cuidados médicos após os 40 anos em torno de 586 milhões de dólares.

Os estudos relacionados à diminuição dos custos através do tratamento da obesidade, utilizando medicamentos ou cirurgia são escassos e, em virtude da variabilidade dos mesmos, não muito conclusivos.

Então, tratar a obesidade é uma questão não só de saúde, mas de economia para os países.


Dra. Priscila Rosa Pereira.

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