22 de out de 2011

MASTIGAÇÃO E EMAGRECIMENTO


Dentes & Problemas digestivos

Um estudo de 2008 do Journal of Gastroenterology and Hepatology procurou demonstrar a relação entre a mastigação e as doenças gastrintestinais. O estudo concluiu que há uma elevada incidência de queixas digestivas nos pacientes com déficits dentais e que a melhora destes sintomas após a recuperação mandibular suporta o fato de que falhas mastigatórias podem levar ao surgimento de sintomas digestivos.

Comer rápido pode engordar.

Um estudo realizado com 3.287 pacientes no Japão e publicado no British Medical Journal mostrou bem isto. Este estudo analisou o impacto de se comer rápido e de se saciar completamente na gênese da obesidade. Pôde-se perceber claramente que “comer até sentir-se plenamente satisfeito e comer rápido está associado com sobrepeso em homens e mulheres japonesas, e este comportamento alimentar pode ter um impacto substancial no desenvolvimento da obesidade”. Quase metade dos voluntários disse que tinha a tendência a comer rapidamente. Comparados com quem não comia rapidamente, os homens com este hábito tinham 84% mais chances de estarem acima do peso e as mulheres tinham duas vezes mais chances. Além disso, aqueles que, além de comerem rapidamente tinham a tendência de comer até se sentirem “cheios”, tinham mais do que o triplo de risco de estarem acima do peso.

Ritmo da mastigação também importa

A maneira como comemos está cada vez mais sendo vista como uma área-chave em pesquisas sobre obesidade, especialmente desde a publicação de estudos destacando a existência de uma variante genética ligada à “sensação de estar cheio”. Um estudo publicado recentemente no Journal of Psychopharmacology concluiu que um remédio usado contra a obesidade funcionava ao desacelerar o ritmo no qual pacientes obesos comiam.

Satisfazer a fome sem exageros

Publicado no mês de fevereiro deste ano, na conceituada revista médica Appetite, um estudo procurou avaliar o impacto da mastigação no controle da ingestão alimentar e, por conseguinte, no controle do peso. Este estudo avaliou a tese de Horace Fletcher (1849-1919), cuja doutrina consistia em mastigar cada garfada exaustivamente de forma a se evitar o ganho de peso. Nesse estudo, procurou-se testar essa hipótese através da monitorização do comportamento mastigatório, utilizando a eletromiografia.

Comparando 35 com 10 mastigações por bocado, demonstrou-se que mastigar mais reduziu a ingestão alimentar, apesar de aumentar a velocidade da mastigação. Notou-se também ter havido uma favorável duplicação da duração da refeição capaz de atingir um ponto de referência para o sentimento subjetivo de “confortavelmente cheio“.

Os pesquisadores concluíram que embora esse estudo possa ser limitado por uma reduzida dimensão da amostra, os resultados preliminares confirmam a doutrina de Fletcher e fornece uma base para novas pesquisas nesta área.

Portanto, se você quer perder peso por que não começar pela simples mudança de hábito, mastigando mais e por mais tempo suas refeições? Parece uma excelente forma de começar!

Dra. Pâmela Rosa Pereira

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