2 de out de 2011

O que vale mais na dieta: quantidade de calorias ou qualidades dos alimentos?



Tabela de calorias e calculadora são suficientes para planejar uma dieta?



Não, de acordo com o novo método divulgado pelos Vigilantes do Peso na Inglaterra. Ou, ao menos, é preciso mudar a maneira de contabilizar cada tipo de alimento.

A conta, agora, tem que incluir também a quantidade de energia que o corpo gasta para digerir cada alimento. Isso, segundo a organização (Vigilantes do Peso), que derrama seu sistema de emagrecimento por 30 países, incluindo o Brasil.

A carne demanda mais energia na digestão do que uma fatia de bolo. Assim, como a digestão mais trabalhosa gasta mais energia, uma caloria de carne engordaria menos do que uma de bolo.

"A contagem considera agora proteínas, carboidratos, fibras e gorduras. O corpo gasta mais energia para digerir fibras e proteínas", diz Rodrigo Strickland Faro, diretor da Vigilantes do Peso no Brasil.

Faz sentido. Mas o problema é que é muito difícil saber quanta energia é gasta por cada pessoa no processo de digestão de diferentes alimentos. O que sabemos é que há uma porcentagem diferente de absorção dos nutrientes pelo intestino. Gorduras e carboidratos têm taxa maior de absorção do que as proteínas.



Alimentos com maior índice glicêmico também devem ser considerados de uma maneira diferente, pois serão digeridos e absorvidos rapidamente gastando menos calorias nesse processo de digestão e de quebra irão causar menos saciedade. Os alimentos com alto índice glicêmico são aqueles que aumentam mais rápido a taxa de açúcar no sangue após ingeridos, fazendo assim com que o pâncreas libere altas quantidades de insulina de uma vez. Assim como subiu rápido, a taxa de glicemia vai cair rapidamente causando um efeito de fome voraz no indivíduo.

O modo de preparo de um alimento também pode mudar a proporção de nutrientes absorvidos. Quando a gente refoga o arroz, isso dificulta a absorção do amido (um tipo de carboidrato que vira glicose no sangue). Se o arroz for consumido com salada e carne, a absorção também é mais difícil.

O diretor da Vigilantes do Peso diz que a mudança estimula escolhas saudáveis. "Nosso programa vai indicar, entre dois alimentos com 100 calorias, por exemplo, qual é melhor."

Alguns especialistas não acreditam que essas variáveis façam diferença. Muitos defendem que o que vale é o número de calorias e que você pode comer 'junk food' se quiser, pois se o número de calorias for menor do que o que você gasta, vai perder peso.

Um experimento conduzido pelo professor de nutrição americano Mark Haub é um exemplo de que dá para emagrecer só na base do cálculo. Ele restringiu sua dieta, por 2 meses, a 1.800 calorias diárias, mas a maior parte delas vinha de bolachas recheadas e bolos. Haub perdeu 13 quilos e ainda reduziu níveis de colesterol ruim.

Ele contou, em reportagem da "CNN", que já havia tentado, sem conseguir, emagrecer priorizando frutas e fibras. Com a "dieta da besteira", atingiu o objetivo.

Vamos combinar que a dieta do professor é um mau exemplo. Do que adianta emagrecer comendo porcaria? É claro que o colesterol melhora e os benefícios da perda de peso para o organismo continuam existindo, afinal, ele emagreceu, e é melhor estar magro do que mais gordo. Mas na questão de disposição, vitalidade, metabolismo, ânimo, desempenho físico e mental, humor, etc etc e etc, um organismo movido à base de açúcar proveniente de biscoitos e bolo não estará melhor que um que consome arroz integral, carnes magras, verduras, frutas, legumes, gorduras boas do azeite de oliva, de castanhas, etc.




É como eu sempre digo, a melhor dieta é aquela mais saudável possível que aquela pessoa consegue seguir. Se não tem santo que faça você colocar frutas e verduras no cardápio, se você não aguenta ou não quer fazer o esforço de comer o que não gosta e pronto, faça sim, a dieta dos pontos dos Vigilantes do Peso. Pois como ela vai limitar a ingestão ao número de calorias permitido para o seu caso, vai fazer você perder peso. E para quem está acima do peso e sob risco de desenvolver doenças como diabetes, hipertensão, colesterol alto, infarto, etc, emagrecer é o mais importante.


Cada caso é um caso quando se fala de dieta. Não existe uma certa ou errada, nem uma melhor ou pior. Mas dizer que comer besteira desde que se coma pouco é ok para a saúde, já é demais né?




Dra. Priscila Rosa Pereira.

Nenhum comentário:

Postar um comentário