9 de nov de 2011

Glúten: o vilão da vez

O consumo exagerado do glúten aumenta o número de casos de intolerância à ele, sendo responsável por males que vão de enxaqueca à infertilidade.

Se você é adepta do lema: “Cortem meus pulsos, mas não cortem meus pãezinhos”, leia essa postagem!

O glúten é uma proteína presente no trigo, na aveia, no centeio, na cevada e no malte, e não é um nutriente essencial para a saúde, ou seja, cortá-lo da dieta não traz nenhum prejuízo. Já consumi-lo...



Por ser uma proteína de difícil absorção, o glúten tende a ficar muito tempo no intestino sem ser digerido, atrapalhando o bom funcionamento intestinal e do organismo como um todo. Sem ele na dieta, a digestão melhora e o metabolismo acelera, o que estimula a perda de peso. Ao cortar o glúten da alimentação, emagrecer é uma conseqüência natural.

O fato é que o glúten virou o novo vilão da boa forma. Que o diga Gwyneth Paltrow, que emagreceu horrores cortando-o da alimentação e virou a maior garota-propaganda anti-glúten. O fenômeno pode ser notado em livros, nos mercados (na quantidade de alimentos glúten-free) e até em restaurantes que fazem adaptações em seus cardápios.

Mas a necessidade de viver sem glúten está longe de ser modismo, o número de pessoas que sofrem de sensibilidade ou de intolerância ao glúten, a chamada Doença Celíaca, não pára de crescer!

Isso resulta, em parte, da maior disponibilidade de exames mais modernos, como testes sorológicos e endoscopia, que ajudam a diagnosticar o problema com maior facilidade. Mas o atual consumo exagerado da proteína também contribui para o aumento do número de casos. Estamos ingerindo mais massas, pães e bolos do que nunca, e o corpo começa a reclamar.

Se você pega a massa crua da pizza e mistura com água, ela vira uma cola pegajosa não é? O mesmo se passa no organismo! A substância fica grudada na parede do intestino dificultando a absorção de nutrientes. O resultado é inchaço, gases, dor de cabeça, anemia, depressão, osteoporose, infertilidade, entre outros sintomas.

São tantos e tão variados os problemas acarretados pelo glúten, que quem sofre intolerância (cerca de 20% da população mundial tem algum grau de sensibilidade) custa a descobrir a real razão do mal-estar, normalmente confundido com gastrite ou prisão de ventre.



A intolerância tem origem genética, mas infecções e stress também podem desencadear o quadro clínico. O tratamento é um só: dieta isenta de glúten por toda a vida. Como não é uma proteína indispensável, pode ser substituída por fubá, fécula de batata, polvilho e quinoa. Manter uma dieta sem glúten não é fácil e as pessoas tendem a relaxar depois que melhoram (o que acontece em menos de um mês de dieta). Mas o paciente tem que saber que se voltar a ingerir glúten, a mucosa intestinal ficará sensível de novo e os sintomas retornarão.

No início, viver sem glúten pode parecer um suplício, mas na verdade é quase indolor, até porque a indústria alimentícia vem se esmerando em achar substitutos à proteína para que você não fique sem seu sagrado pãozinho. Cheque sempre a embalagem e leia os rótulos que vários trazem a informação: não contém glúten.

Lembre-se que mesmo quem não tem intolerância pode obter muitos benefícios com a redução do consumo do glúten.


Dra. Priscila Rosa Pereira.

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