12 de dez de 2011

Por que engordamos? - Parte 1

Antigamente nossos ancestrais (das cavernas) tinham acesso difícil aos alimentos (tinham que plantar e colher, andar muito para procurar ou caçar o que comer). Para que a raça humana pudesse sobrevivar e evoluir, a natureza tratou de ativar vários genes para ajudar o nosso corpo a estocar energia para épocas de escassez (sobreviviam apenas os mais aptos a conseguir um bom depósito de gordura). Ou seja, a seleção natural foi tratando de escolher os mais aptos a ficarem longos períodos sem comer. Devido a isso, trazemos conosco esses mesmos genes que permitiram que nossos ancestrais acumulassem energia (gordura) para sobreviver.

Porém, nos dias de hoje, a maioria das pessoas não enfrenta períodos de falta de alimentos. Ao contrário, temos excesso de alimentos disponíveis hoje e não precisamos fazer nenhum esforço para conseguí-los e muitas vezes nem para prepará-los, pois já chegam a nós prontos!

Então, se antes o ser humano tinha um menor acesso aos alimentos e um gasto energético alto (gastava muitas calorias em atividades como caçar, necessitava migrar de uma região para outra em busca de abrigo ou alimento, não tinha roupas ou casas aquecidas e muitas vezes precisava dormir no frio, precisava disputar a fêmea...), hoje temos cada vez mais comodidade e conforto a nossa volta (usamos elevador em vez de escada, controle remoto para não ter que levantar pra trocar o canal, telefone para não ter que ir até as pessoas dar um recado, usamos roupas que nos aquecem, as casas têm aquecedores...).

No mundo atual está tudo voltado para economizarmos energia (abundância de alimentos, facilidades e conforto). Porém trazemos conosco os mesmos genes que ajudaram nossa raça a evoluir, que são voltados a proporcionar bons estoques de energia (formação de tecido adiposo) e baixa queima das reservas. O que era um mecanismo de proteção da espécie e adaptação às condições da época de nada nos ajudam hoje, pois não necessitamos desses estoques de energia.

Além disso, um outro fator muito presente no mundo atual e que contribui muito para o ganho de peso é o estresse. Devido à correria e aos problemas do dia-a-dia, nosso organismo vive em um estado de “alerta permanente” levando a uma maior tendência em estocar energia para os “dias difíceis” ou “períodos de escassez” que ele acha que estão para chegar, mas estes dias nunca chegam.

Quando ficamos estressados ou nervosos por algum motivo, nosso organismo interpreta isso como uma ameaça, um alerta de que alguma coisa perigosa está para acontecer. Ele libera uma série de substâncias químicas e hormônios que têm a função de preparar o corpo para uma situação em que precise lutar pela vida ou fugir. Essas substâncias agem ajudando a aumentar os estoques de energia (gordura) e diminuir a queima calórica basal para sobrar mais energia disponível para a hora "da luta" ou "da fuga". Seu corpo reage a uma freada brusca ou uma discussão no trânsito da mesma forma que reage ao encontro com um crocodilo ou uma sucuri. Para ele você está em perigo de vida, ele não diferencia as duas situações.

Então, já dá pra imaginar que se você vive preocupada com prazos, cheio de problemas para resolver, sob pressão e sendo cobrado, isso está fazendo com que o tempo todo o seu corpo perceba que você está encurralado e ameaçado. Logo, ele responde produzindo essas substâncias e você tende a acumular mais e queimar menos gordura.

Uma série de hormônios e substâncias agem em conjunto influenciando a fome, a formação de gordura e a quebra e queima dessa gordura acumulada.


CONHEÇA ALGUMAS SUBSTÂNCIAS ATUANTES NO ORGANISMO QUE INFLUENCIAM NO GANHO DE PESO:

- LEPTINA: é uma proteína produzida no tecido adiposo que emite um sinal para o cérebro de que o indivíduo já se alimentou o suficiente. Qualquer problema na formação ou na ação dessa proteína em informar o cérebro, causará menos saciedade e a pessoa comerá mais.

- NEUROPEPTÍDEO Y (NPY): hormônio produzido no hipotálamo (região cerebral) que sinaliza que o indivíduo tem que se alimentar. Há um gene que faz com que o NPY se expresse com maior ou menor intensidade, o que quer dizer que o indivíduo vai comer mais ou menos, de acordo com a maior ou menor presença desse hormônio. O cortisol (uma das substâncias que é elevada no estresse) estimula a produção de NPY aumentando a fome.

- SEROTONINA: um nível baixo de serotonina faz surgir a compulsão por carboidratos, principalmente doces. O açúcar aumenta o nível de serotonina no hipotálamo (cérebro). O chocolate deve possuir, além do açúcar, outras substâncias que imitam os efeitos da serotonina. O chocólatra é, provavelmente, alguém com baixos níveis de serotonina no hipotálamo. Alguns medicamentos aumentam os níveis de serotonina. É essa uma das ações da sibutramina para auxiliar no emagrecimento.


Existem pelo menos 30 substâncias em nosso organismo responsáveis pelas sensações de fome e saciedade, ou que alteram a queima de energia. Qualquer defeito no gene responsável pela produção de alguma delas causa um desequilíbrio entre ingestão e queima de calorias levando ao excesso de peso. Ou seja, comer muito pode ser devido a um “defeito” na sinalização que ocorre em nosso corpo em relação aos alimentos.


(continua)

Nenhum comentário:

Postar um comentário