13 de dez de 2011

Por que engordamos? - Parte 2

Como falávamos na postagem anterior, muita coisa mudou no mundo em termos de oferta de alimentos e estilo de vida que levamos. Porém nós trazemos a mesma bagagem genética que nos permitiu sobreviver antigamente quando a oferta de comida não era tão grande e quando tínhamos que gastar muito mais energia.

É por isso que existe tanta gente acima do peso hoje em dia. Lendo nossa postagem anterior e esta, você pode entender um pouco mais como funciona nosso metabolismo em termos de formação e queima dos estoques de energia (gordura).


A QUEIMA CALÓRICA:


O que define se vamos engordar ou emagrecer é sempre o balanço entre a energia consumida (vinda dos alimentos) e a energia gasta (queima calórica)


Existem 3 fatores que determinam nossa queima calórica:

- Metabolismo de repouso = mesmo deitados, estáticos e imóveis, nosso organismo queima energia para que tudo continue funcionando (manutenção da temperatura, respiração, batimentos cardíacos, filtragem do sangue pelos rins...tudo isso gasta energia para acontecer). Cerca de 70% da energia gasta em 24 horas vem desse metabolismo de repouso. Esse metabolismo exige mais energia (queima mais calorias) quanto maior for a massa muscular da pessoa.

- Alimentação = o processo de digestão (mastigação, deglutição, trituração do alimento no estômago, absorção dos nutrientes no intestino, formação dos estoques de energia, etc) força o organismo a trabalhar e, portanto, gasta energia. Então quando nos alimentamos inicia-se outro momento de queima de calorias – o que é irônico, pois estamos comendo. É claro que nesse processo, só uma parte das calorias ingeridas é queimada. Senão, chegaríamos ao cúmulo de supor que para emagrecer é só comer mais! A quantidade de calorias gasta na digestão varia muito entre os indivíduos e há evidências de que seja determinada geneticamente.

Se você come 100g de arroz (que tem cerca de 400 calorias), 10% disso (40 calorias) vai ser gasto no próprio processo digestivo dessas 100g de arroz. O resto (90%) é absorvido para ser acumulado ou gasto em outras atividades e funções.

- Atividade física = é óbvio que ela queima energia. A tendência de uma pessoa em fazer muita ou pouca atividade física também é determinada geneticamente. Estudos em maternidades mostram que filhos de mães obesas se mexem menos no berço que os filhos de mães magras. Mas temos que lembrar que andar 100 metros representa para o obeso um gasto muito maior de calorias do que para o indivíduo de peso adequado, pois o obeso tem que deslocar uma massa maior. O importante é que, mesmo contrariando a tendência inata, quem deseja conquistar um peso saudável procure se exercitar sempre que possível. Todo movimento é bem-vindo. Até mascar chicletes dietéticos provoca queima de calorias.

As pessoas são geneticamente diferentes no que se refere à queima de calorias no organismo. Dois indivíduos de constituição física similar e modo de vida semelhante, mas com queimas calóricas geneticamente determinadas diferentes, terão diferentes propensões para o ganho de peso.

Alterações individuais (genéticas ou adquiridas) na queima de calorias podem gerar grandes ganhos de peso, mesmo que não haja grande consumo alimentar.


COMO ACONTECE O ACÚMULO DE GORDURA:

O organismo de cada pessoa difere quanto a capacidade de formar tecido adiposo (gordura). Cada um possui uma tendência a fabricar mais ou menos gordura. O processo de fabricar gordura ocorre em 2 etapas:

- Formação das células de gordura = antigamente se pensava que as células de gordura se dividiam e se multiplicavam apenas durante um determinado período da vida e que depois de certa idade isso parava de acontecer. Hoje sabemos que não é assim. Temos a capacidade de gerar novas células gordurosas até o último dia de nossas vidas (infelizmente!).

- Estoque de gordura dentro das células adiposas = todos temos gordura circulando no sangue (triglicerídeos). Ao chegar perto da célula adiposa, esses triglicerídeos são quebrados em seus componentes (glicerol e 3 ácidos graxos) e os ácidos graxos são transportados para dentro da célula adiposa onde se unem a um novo glicerol (que vem do metabolismo da glicose) formando gordura dentro da célula.


Substâncias envolvidas nesses processos:

PPAR-Gama: substância que ativa a proliferação das células adiposas. Uma pessoa rica em PPAR-Gama (por tendência genética) fabricará muito mais células adiposas.

Lipase Lipoprotéica: enzima que quebra os triglicerídeos circulantes no sangue quando chegam perto das células adiposas para que possam entrar nelas. Quanto mais lipase, maior a quebra e entrada de gordura nas células. O cortisol (hormônio produzido pela supra-renal e que é elevado pelo estresse) estimula a atividade desta enzima.

Lipase Hormônio-sensível: enzima que está dentro das células adiposas onde quebra a gordura estocada para que ela possa voltar à circulação na forma de triglicerídeos quando for necessário utilizar essa energia estocada. Se o organismo da pessoa tem dificuldade para fazer essa quebra, ela tenderá a ser obesa.

Ghrelina: hormônio produzido no estômago. Quando a pessoa fica muito tempo sem se alimentar – mais de 3 horas – a sua produção aumenta mandando um sinal do estômago para o cérebro: “Quero comer”. Assim que a pessoa se alimenta sua produção cai. Por causa dessa substância é que recomendamos a quem quer perder peso que alimente-se a cada 3 horas, para seu nível de ghrelina não chegar a se elevar.

São tantas coisas que agem favorecendo o ganho de peso que emagrecer e manter-se magro parece até impossível a primeira vista. Mas há sim luz no fim do túnel. Não é fácil emagrecer e muito menos manter o peso atingido. Não é recomendado que se tente fazer isso sem acompanhamento médico. É bem provável que seja necessário um tratamento longo, contínuo e com uso de medicamentos. Mas saiba que, por mais difícil que pareça (tanto, que dá até preguiça de começar), uma vez que você decida encarar e lutar por isso, você conseguirá. Muitos conseguiram. É difícil mas não é nem um pouco impossível.

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