30 de jan de 2012

Engordar é uma tendência genética evolutiva: precisamos lutar contra ela

Gente, adorei essa leitura e quero compartilhar com vocês. Dá para compreender o porquê de tanta obesidade e sobrepeso hoje em dia.

Trecho do Livro Magro para Sempre:


"Nós, os médicos que procuram se debruçar com seriedade sobre a ciência da obesidade, temos que continuar estudando e orientando as pessoas. Trata-se de uma doeñça complexa. Difícil de tratar. Uma doença que requer não só diagnóstico e tratamentos individualizados, como também muito esforço consciente, porque, sem que o doente perceba, todo um conjunto de fatores internos de seu organismo estarão atuando no sentido contrário. É um choque de "vontades", conforme veremos ao longo do livro.

Para mim, fica cada vez mais evidente que, se não lutarmos, O MAGRO SERÁ UMA ESPÉCIE EM EXTINÇÃO. Porque a tendência natural do ser humano é engordar. Alguns mais, outros menos. Depende dos seus genes e do ambiente em que vivem.

Para entender esses aspectos, vamos imaginar o que acontecia com nossos antépassados pré-históricos. Não era apenas difícil viver, como hoje. Sobreviver era muito complicado. A expectativa de vida média era muito inferior à que registramos hoje. Não havia meios de acesso fácil aos alimentos. Se hoje temos supermercados com amplos estacionamentos para nossos automóveis, quitandas e armazéns em cada esquina, naquele tempo era preciso sair atrás do alimento.

Nossos ancestrais do tempo das cavernas tinham que caçar com armas precárias, procurar vegetais sob a neve, garantir a sobrevivência nas condições mais adversas possíveis. Andar muito em regiões inóspitas. Qualquer necessidade mínima de subsistência obrigava a um deslocamento físico intenso. Habitar, lugar para dormir,...tudo era difícil, complicado. Até para namorar. Havia que disputar a fêmea na força física. E ela que aprendesse a se defender também. De nada adiantaria dizer que estava com "dor de cabeça" naquela noite.

Esse era o meio ambiente. Mais ainda, enfrentavam o frio sem recursos de aquecimento de que hoje desfrutamos. Sabemos que o frio faz aumentar a queima de calorias. Sendo assim, o único recurso do organismo era aproveitar ao máximo as calorias ingeridas. Ou seja, o corpo tinha que estocar energia para os longos períodos de escassez - e a melhor forma de estocá-la é sob a forma de gordura. Sobreviviam os mais aptos a conseguir esse depósito gorduroso.

Ainda assim, mesmo com os mecanismos naturais de estocar energia, nossos antepassados eram magros. Ao contrário do que acontece hoje, a exceção eram os que engordavam. A tendência natural era emagrecer. Excesso de peso era uma reridade. Por quê? Porque além de inevitavelmente comerem menos que atualmente, gastavam quase toda a energia estocada. A herança a nós deixada pelos nossos antepassados, como adaptação ao ambiente hostil, foi um equipamento genético favorável á obtenção e à manutenção de energia (e, repetindo, a melhor forma de acumular energia - ou calorias - é através da gordura).

Eis a herança genética. O legado de nossos ancestrais longínquos. É de se supor, hoje, que haja muito mais genes voltados para engordar do que para emagrecer. Além disso, atente-se para as condições gerais do meio ambiente que se foram transformando ao longo da história. A vida foi ficando mais fácil. Surgiu a agricultura - mais trade transformada em toda uma tecnologia dedicada à produção abundante de alimentos -, a formação de cidades, etc. Chego a pensar que a invenção da roda foi muito importante para o aumento da prevalência da obesidade. Com ela surgiram os meios de transporte, os motores e tudo o mais que leva ao conforto e à facilidade.

Chegamos à época moderna na qual tudo - tudo mesmo - está voltado para economizar a energia do ser humano. Nossa vida mudou muito. Só o que permaneceu foi o fato de que trazemos conosco, geração após geração, praticamente os mesmos genes que permitiriam a nossos antepassados acumular energia e sobreviver. Um verdadeiro paradoxo da existência atual. Por dentro de nós há um aparato genético que se preocupa em nos ajudar a enfrentar a escassez e o desconforto. Por fora, todo um espectro industrial, comercial e de serviços voltado para nos dar abundância, facilidades e conforto.

O resultado de tudo isso só poderia ser o que estamos constatando - o crescimento assustador do número de pessoas com excesso de peso em todo o mundo. Para os nossos antepassados longínquos, estocar gordura no organismo era, a um só tempo, algo difícil e sinônimo de sobrevivência. Assim como gastar energia mexendo-se o tempo todo era um fenõmeno natural da própria vida. Já hoje, armazenar gordura passou a ser não só providência dos nossos genes, mas resultado natural do meio ambiente e também sinônimo de risco à saúde. Por outro lado, gastar energia ficou difícil.

E não é só isso. Veremos adiante que a vida moderna acrescentou outro elemento que favorece o ganho de peso - o estresse. Então, o somatório dos aspectos favoráveis a tendência de excesso de peso do ser humano contemporâneo vai aumentando. Vida extremamente facilitada, abundãncia de alimentos palatáveis e calóricos nas prateleiras e mais o alerta permanente em que nosso organismo vive por causa do estresse (tornando esse organisno ainda mais preocupadfo em estocar energia para os "dias difíceis"). Dias estes que, em se tratando de escassez de calorias, nunca chegam.

Por tudo isso, precisamos lutar muito para não engordar. O desafio que vem enfrentando o Claudir (paciente que vem emagrecendo e é co-autor do livro junto com o Dr. Halpern) - mais uma vez narrado com filosofia e bom humor - é um exemplo. Ele foi geneticamente "premiado" com um sistema completamente voltado para enfrentar escvassez, dificuldades de acessos, mguerras, frios, nevascas, montanhas, travessias de rios e de abismos. Eu sei que isso não conforta ninguém, mas, se houvesse um duro período de escassez predominante, o Claudir - e outros com aparato genético semelhante - sobreviveria mais tempo que os indivíduos com peso normal.

No entanto, meu parceiro literário vive num mundo que lhe permite ficar cachimbando de pernas para o ar, controles remotos nas mãos e pizzas ao alcançe do telefone. Se ele não enfrentasse as tentações do conforto e das calorias, nenhum tratamento surtiria efeito. Porque tudo nos vem fácil, tornando o fato de engordar a tendência natural. Que só piora com a idade, diga-se de passagem.

O resumo do capítulo é este: à exceção dos milhões de pessoas injusta e desumanamente excluídas da abundância que a tecnologia promove no ritmo da globalização, temos todos que ficar atentos ao excesso de peso corporal. Não só os que geneticamente estavam destinados a esta luta, mas todos nós. E aqui cabe uma ressalva: quando falamos nos excluídos, quero salientar que as populações menos favorecidas também são atingidas. Pois nossas pesquisas no Ambulatório de Obesidade do Hospital das Clínicas mostram que os pobres têm hoje em dia maior acesso aos alimentos gordurosos. E vêm engordando vertiginosamente."

(Livro Magro Para Sempre!, Dr. Alfredo Halpern e Claudir Franciatto, Segunda Parte: Como vencer a tendência de engordar, por Alfredo Halpern)

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