21 de jan de 2012

Estudo com animais descobre droga que reduz o peso sem diminuir a ingesta alimentar

Pesquisa publicada na revista Science é passo importante na luta contra a obesidade: cientistas da Universidade Johns Hopkins, EUA, desenvolveram uma droga capaz de bloquear, em camundongos, a ação da grelina (hormônio responsável pela sensação da fome). A substância foi injetada em roedores submetidos a uma dieta rica em gorduras e, mesmo assim, eles deixaram de ganhar peso.

A substância, ainda experimental, fez aumentar nos camundongos a tolerância à glicose e desacelerou o ganho de peso sem redução no consumo de alimentos. O estudo, classificado como protocolo de pesquisa, sugere que a droga afeta o metabolismo, e não o apetite.



A grelina é relacionada ao controle do apetite. Age no sistema nervoso central, tem certa influência na secreção do hormônio do crescimento, é importante em processos cognitivos (como no processo de aprendizagem) etc. Esta descoberta demonstra novas ações metabólicas do hormônio: controle glicêmico e redução do aumento do peso, sem redução da ingestão alimentar.

O mérito principal da equipe de cientistas liderada pelo Dr. Brad Barnett foi descobrir uma maneira de interferir na ação do hormônio da fome. É que, para agir, ele depende da presença de uma enzima conhecida como GOAT (uma sigla em inglês). Os especialistas criaram um composto que inibe a GOAT, resultando na inibição da ação da grelina e, logo, desacelerando o ganho de peso.

Durante a pesquisa, relatam os cientistas, foi necessário aplicar várias vezes o composto inibidor da GOAT nos camundongos. Embora otimista, a equipe de pesquisadores ainda não pode afirmar se será possível produzir um medicamento que reproduza essa função inibidora.

Na verdade, ainda é muito cedo para pensar em medicamentos. A grande maioria dos fármacos não funciona em humanos, apesar de funcionarem em animais. Há um longo caminho a ser percorrido. Mas a descoberta demonstra que a procura de tratamentos eficazes para o controle metabólico e para a redução de peso continua. O que é muito importante, pois necessitamos de novas opções para o tratamento da obesidade, já que vários medicamentos foram tirados do mercado.

Dra. Priscila Rosa Pereira.

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