6 de jan de 2012

PRÓTESES DE MAMA PIP - SOFRIMENTO DE MILHARES DEVIDO À BAIXA QUALIDADE


Comunicado Oficial nº 001/2012
Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica
Referência: Implantes Mamários – PIP (Poly Implant Prothese)

Considerando o documento oficial, emitido em 23 de dezembro de 2011, pelas autoridades sanitárias da França, recomendando a remoção dos implantes mamários da marca francesa Poly Implant Prothese – PIP, afeta EXCLUSIVAMENTE as mulheres portadoras desta marca.

Tal decisão fundamenta-se, de acordo com informações do governo francês, em testes que indicaram comprometimento da resistência das próteses e que o silicone utilizado para preenchimento, diferente daquele que havia sido autorizado para uso em saúde, podendo provocar irritação num eventual vazamento. Os mesmos testes laboratoriais descartaram risco de toxicidade e câncer.

No Brasil, de acordo com a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), órgão oficialmente responsável pelo registro do referido implante, a comercialização das próteses PIP foi suspensa em abril de 2010. Até aquela data o país importou 34.631 unidades, dos quais 24.534 foram comercializados, e 10.097 recolhidas pela ANVISA. Estima-se que 12.000 mulheres são portadoras deste produto em território nacional, sendo que até o presente momento, nenhuma notificação de incidente foi oficialmente registrada por órgãos de Vigilância Sanitária; Fiscalização Médica ou Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

De acordo com os Alertas Sanitários nº 1015 (01/4/2010) e nº 1107 (23/12/2011), não existem razões que justifiquem a remoção e substituição preventivas dessas próteses, a não ser que uma ruptura efetiva seja identificada. Não obstante, recomenda-se que as mulheres portadoras das próteses PIP procedam avaliação médica a fim de definirem junto a estes profissionais a melhor conduta a ser adotada.

Isto posto, todas as mulheres com outros implantes mamários devem continuar a se sentir seguras com este dispositivo. Muitos estudos científicos demonstram que mulheres com implantes mamários tendem a uma incidência 30% menor de câncer de mama do que o estatisticamente esperado.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica reitera a todas mulheres, portadoras ou não de implantes mamários, os princípios básicos de auto exame das mamas e avaliação médica periódica.

Considerando a competência para o assunto, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, recomenda que qualquer grave e/ou inesperada ocorrência relacionada às referidas próteses PIP, sejam notificadas a ANVISA, por meio do e-mail: tecnovigilancia@anvisa.gov.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .

De mesma forma recomenda a leitura de texto informativo disponível no portal da ANVISA (www.anvisa.gov.br).

De acordo com as evidências científicas atuais, conclui:
•Não há motivos para pânico;
•As próteses (PIP – Poly Implante Prothese), alteradas em sua confecção ou não, só apresentam riscos se estiverem rôtas;
•Os problemas efetivamente ocorridos (ruptura da prótese), são diagnosticáveis e tratáveis por meio de cirurgia específica;
•As mulheres portadoras das próteses PIP devem procurar seus cirurgiões para avaliação e eventual tratamento necessário;
•Os Cirurgiões Plásticos que utilizaram as próteses PIP devem convocar suas pacientes para avaliação;
•A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica permanece atenta as apurações dos fatos e eventuais decisões futuras da ANVISA.


São Paulo, 04 de janeiro de 2012.


Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica


PERIGO EM DÚVIDA

Os especialistas brasileiros dizem que, no momento, não há razão para desespero.

"Não temos registrado aqui no Brasil os problemas que estão sendo falados na França", diz Sebastião Guerra, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Na França, pela última contagem, 20 mulheres que usavam o implante da PIP tiveram câncer, mas não há prova concreta do vínculo entre a doença e o produto.

"A prótese não é cancerígena. O que ela provoca é uma ruptura mais frequente e, como toda prótese mamária, tem de ser trocada nesses casos", diz José Horácio Aboudib, que sucederá Guerra como presidente da sociedade na semana que vem.

Caso a paciente não lembre qual é a marca da sua prótese, o médico pode fazer uma consulta ao histórico médico dela. Se houver necessidade de troca, ela terá de pagar pela nova prótese. Hoje o custo médio é de R$ 1.600, sem contar os gastos com a cirurgia.

"Se houver algum problema ligado ao vazamento da prótese, ele será muito localizado", pondera Alberto Okada, cirurgião plástico da clínica Essere e da USP. "E a rotura [rompimento] não vai acontecer com todo mundo."

No entanto, para Alexandre Mendonça Munhoz, cirurgião plástico do Hospital Sírio-Libanês, não se pode correr o risco de ser complacente com o perigo representando pelas próteses da PIP.

"De fato, é bom dizer que não é preciso pânico, mas ficou comprovado que a qualidade do silicone no interior dessas próteses é muito ruim", afirma o médico.

Para ele, todas as mulheres com o implante da marca deveriam procurar seus médicos e fazer os exames de rotina -ultrassonografia e mamografia- para saber como anda a prótese.

"Se houver rompimento, a retirada tem de ser imediata. Se não houver, a mulher pode ficar mais tranquila e esperar alguns meses, mas também vai precisar trocar a prótese", afirma ele.

Munhoz ressalta o risco de inflamação e lembra que é muito difícil tirar totalmente o silicone vazado do corpo.


O OUTRO LADO DA HISTÓRIA:

Leitora questiona atuação da Anvisa sobre caso de prótese mamária
LEITOR CAMILA TORRES DA SILVA FALDON
DE SÃO PAULO
Atualizado às 15h25.

Já que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) afirma que não existem relatos de problemas com as próteses mamárias de silicone da marca PIP (Poly Implant Prothese), no Brasil, vamos a um relato de caso: o meu.

Em julho de 2007, coloquei próteses da marca PIP. Tudo correu bem e dentro do esperado. Em meados de 2010, quando comecei a ouvir as notícias sobre a qualidade da prótese, da falência da empresa na França e a possibilidade de ruptura, resolvi fazer uma ultrassonografia mamária, mesmo não sentindo dores ou qualquer outro sintoma de ruptura de próteses.

Para minha surpresa, a prótese esquerda estava rompida. Procurei por outro cirurgião plástico que me recomendou uma ressonância magnética mamária. Nesse exame, foi descoberto uma ruptura intra e extracapsular de prótese mamária esquerda com impregnação por silicone dos linfonodos axilares esquerdos.

Sou médica veterinária e posso dizer que entendo um pouco de medicina. Os linfonodos axilares são considerados satélites, ou seja, são de suma importância no diagnóstico de neoplasias (tumores), principalmente, as mamárias e o linfoma.

As próteses da extinta marca PIP foram feitas com silicone industrial, em vez de silicone cirúrgico

Em três meses, troquei as próteses com um renomado cirurgião paulista. No momento da cirurgia, foi encontrado uma coleção líquida próxima a prótese rompida. Após inúmeros exames/análises microbiológicas, tratava-se de uma coleção líquida de caráter inflamatório. Nada de grave.

Quando descobri a ruptura entrei em contato com a EMI, empresa responsável pela importação e distribuição no Brasil das próteses francesas, e tive a seguinte resposta: "Toda prótese de silicone está sujeita a ruptura. Por isso, só vamos reembolsar o valor da prótese", disse um atendente.

Sim, toda prótese está sujeita a ruptura. Mas, pelo menos por 10 anos, os médicos não recomendam a troca justamente por ser pouco provável essa ruptura. Além disso, a prótese que eu comprei era para ser segura e, teoricamente, não vazar pelo meu organismo.

Depois dessa resposta, procurei pelos meus direitos. Por cerca de um ano, sofri as consequências deste extravasamento para os linfonodos. Eles estavam aumentados, sentia dores a palpação e tinha que passar cerca de sete dias a base de anti-inflamatórios e analgésicos.

Não tenho a quem recorrer. Eu tinha condições financeiras de realizar a troca rapidamente. Mas, e as milhares de mulheres que não têm?

Anvisa, acorde! Há casos de problemas com esta prótese no Brasil. Vocês não se preocupam porque aqui não teve nenhum caso? Então, está aí, o caso que vocês queriam. Mexam-se!


FONTE: (FOLHA.COM.BR)

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