17 de mar de 2012

Você quer envelhecer ...


MAIS OU MENOS LISO

Variações sobre o bisturi: Brigitte, que nunca usou, Ursula, que usou demais, e Helen, que fez a coisa certa.

Fotos Thierry Orban/Abaga Press, Dominique Charriau/Getty Images e Enzo Fornino/LFI


Cada vez mais precisa, sutil e natural, a cirurgia plástica anti-envelhecimento tornou-se recurso indispensável para quem vive da boa aparência ou simplesmente gosta de esconder a idade que tem e dispõe dos recursos para isso. Aliada a cremes e procedimentos estéticos cada vez mais sofisticados, a mulher que já passou dos 60 pode muito bem continuar bonita, viçosa e elegante – com certo empenho, claro, mas pode. O mais difícil mesmo, a essa altura da vida, é achar o perfeito equilíbrio entre, de um lado, não fazer nada e ficar velha – opção de Brigitte Bardot, a beldade francesa que hoje, aos 75 anos, expõe todas as rugas e manchas de quem não passou pelo bisturi – e, de outro, fazer tudo e virar outra pessoa – a triste escolha de Ursula Andress, beleza fulgurante que embasbacou James Bond e que agora, aos 74 anos, causa espanto por motivos bem diversos.

Encontrar um meio-termo, ou seja, recorrer às providências disponíveis sem mudar de expressão, é fato raro e louvável; palmas, portanto, para a inglesa Helen Mirren, que aos 64 anos muito bem vividos não mostra a idade que tem, nem pretende mostrar uma idade que há muito tempo não tem. "Da mesma forma que a maneira de se vestir fica mais discreta com a idade, as intervenções na face têm de ser mais sutis. Senão, podem ser tão perigosas quanto sair de minissaia ou barriga de fora aos 70 anos", compara a chefe da equipe de cirurgia plástica da Clínica Ivo Pitanguy, Bárbara Machado.

O maior risco, para a mulher que acumula plástica em cima de plástica e procedimento atrás de procedimento, é aos poucos ir se concentrando nos detalhes, perdendo a visão do conjunto (veja o quadro abaixo). "Quando as maçãs estão murchas, ela só presta atenção naquela parte e exagera no volume. Ou, tipicamente, extrapola no tamanho dos lábios.




Se o médico sugere alguma alteração, porque o conjunto fica grotesco, ela resiste", diz o cirurgião plástico Volney Pitombo. Na opinião dos médicos, existe uma cota máxima para o estica e puxa ao longo da vida. Em nome de certa naturalidade, eles não recomendam mais do que três liftings, com intervalos de dez anos entre cada um. Quem começou aos 40 e repetiu a dose aos 50 terá, no máximo, uma única chance nas décadas seguintes. Nas pálpebras, alvo preferencial das fãs da plástica ("Só uma puxadinha de nada"), recomenda-se mexer com cautela. "Em casos extremos, quando se tira pele demais, a mulher dorme com os olhos praticamente abertos", adverte Bárbara.

Especialistas apresentados a fotos de Helen Mirren são unânimes em elogiar seu lifting (sim, ela evidentemente fez um, ou mais de um), que resultou num pescoço rejuvenescido e na linha da mandíbula bem definida – coisa que nem genética privilegiada, nem terapias com laser e cremes poderosos proporcionariam na idade que tem. "Apesar de ter um pouco de rugas na região dos olhos, as bolsas em torno deles foram muito bem retiradas.

E o melhor: existe harmonia entre colo e face. Os dois estão com a pele num estado muito similar. Além disso, Helen sabe realçar o que tem de melhor, valorizando com cores fortes os lábios – cheios na medida certa – e não usando tons escuros nos olhos, o que pode deixar a expressão mais pesada.

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