4 de mai de 2012

O perigo dos estimulantes e termogênicos nas academias



Trinta minutos depois de ingerir uma colher do pó milagroso, o corpo começa a formigar, sobretudo nas extremidades: pés, mãos, lábios. O que pode parecer incômodo é o "barato" dos suplementos alimentares mais consumidos nas academias brasileiras nos últimos 6 meses. A moda do Jack3D, OxyelitePro e substâncias similares pegou. Só se fala nisso, entre um copo de ´gua e outro, nos aparelhos de musculação e sobretudo, nas esteiras. A expressão "tô formigando" já virou até gíria, mas o efeito colateral não é o principal atrativo desses produtos, em sua maioria de comercialização proibida no Brasil.

Fanaticos por ginástica são atraídos pelo milagre da multiplicação de energia: produzidos nos EUA, eles fornecem disposição suficiente para fazer você malhar como Madonna. E, depois de usar por longos períodos a sensação de ser um superstar das academias, é difícil romper o ciclo e voltar a normalidade, e pior, sem prejuízos ao organismo - embora uma pausa seja inclusive recomendada pelos fabricantes após 3 meses de uso.

Nas academias, a troca de informação é intensa. O Jack3D é o principal assunto das conversas. Uma vez que a pessoa começa a tomar diariamente, não consegue mais malhar sem ele. Muitos usuários experimentam os efeitos colaterais desagradáveis, como insônia, enjôos, calor, tonturas...

O uso de estimulantes é importante, sobretudo para os atletas que já atingiram seu limite natural na performance esportiva. No entanto, há similares de origem natural que não prejudicam a saúde, como chá verde e cafeína.

O maior problema desses produtos americanos - vendidos clandestinamente em lojas de suplementos, academias ou pela internet - é que suas fórmulas trazem substâncias vasodilatadoras, prescritas para asmáticos ou pessoas com princípio de infarto, por exemplo. Além disso, seus compostos atuam no sistema nervoso central, o que pode causar dependência, embora a maioria dos usuários negue o fato.

O OxyelitePro tem caído nas graças das mulheres por ter efeito termogênico - ou seja, acelerador do metabolismo, mas sem aumentar a massa muscular. Chamados nos EUA de suplementos alimentares, o Jack3D, OxyelitePro, C4, NOShotgun e mais uma penca de potinhos milagrosos não são assim categorizados pela Anvisa no Brasil. A agência já emitiu uma nota específica sobre o Jack3D , mas que se estende aos seus similares, na qual esclarece que o produto não está autorizado para comércio no Brasil, pois não se enquadra em nenhuma das categorias de alimentos existentes divido a sua composição e finalidade de uso. Ou seja, contém em sua fórmula compostos não autorizados para uso em suplementos alimentares no país, além de não possuir segurança de uso demonstrada. Para se ter uma idéia, um dos ingredientes do Jack3D, o 1,3 dimetilamilamina - daí o nome - é considerado doping em qualquer competição esportiva no mundo.

O presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, demonstra preocupação com o que considera um aumento expressivo no número de usuários em pouco tempo.A moda começou recentemente e, em breve, veremos suas consequencias: problemas no fígado, sobrecarga dos rins, tromboses, tumores e até infartos, principalmente se o esportista tiver histórico familiar de problemas cardíacos. Em maio passado, no Recife, Wilson Sampaio Jr, de 18 anos, jogador de futebol juvenil, morreu subitamente de falência pulmonar, em casa. E os pais acreditam que o jovem tenha usado o Jack3D em excesso, mas a correlação entre a morte e o produto não foi comprovada.

Sentir-se estimulado a malhar é de fato importante, mas há outras fórmulas menos prejudiciais. As pessoas estão recorrendo a esses produtos em vez de buscar uma alimentação correta para se sentirem dispostas, pois esse é o caminho mais fácil.
Mas pode ser muito mais perigoso!

(Fonte: Revista Vogue março de 2012).

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