23 de jul de 2012

Nova Dieta dos Nutrientes vira febre nos EUA



O livro "Eat to Live" (ed. Little Brown, sem edição no Brasil)do Dr. Joel Fuhrman está há 49 semanas entre os mais vendidos na lista do jornal New York Times propõe uma nova dieta (a dieta dos Nutrientes) que virou moda nos Estados Unidos, e promete fazer uma pessoa perder seis quilos em pouco mais de um mês. Além de ainda, prevenir várias doenças: “Podemos vencer a guerra contra o câncer. Não é só um problema de perda de peso, mas viver mais e ser saudável ao mesmo tempo”, afirma o autor.

A dieta de seis semanas proposta pelo doutor Joel Fuhrman é baseada em vegetais, legumes, frutas, grãos e cereais. A idéia é que quanto mais nutrientes, mais vitaminas, mais fibras tiverem os alimentos que comemos, mais satisfeitos ficamos. Sentimos menos fome e com isso o consumo de calorias também diminui. No primeiro mês de dieta, por exemplo, o consumo de carne e derivados de leite é proibido. E produtos industrializados, diz ele, nem pensar. Fuhrman argumenta que a pessoa pode emagrecer se comer o quanto quiser - mas não o que quiser. Então, esqueça o cheeseburger.

Ele propõe uma mudança de foco na vida de quem faz regime: em vez de se preocupar com calorias, deve se pensar na qualidade da comida. Em vez de temer carboidratos, deve se fugir dos alimentos refinados e industrializados. E nunca exagerar na proteína animal. A base de sua dieta é o que ele chama de densidade de nutrientes. Alimentos com uma alta concentração de vitaminas, sais minerais, fibras e substâncias antioxidantes fazem, segundo ele, a pessoa emagrecer sem passar fome. Colocando em pratos limpos: coma salada, salada e mais salada, um bom punhado de leguminosas (feijões, lentilha), muita fruta fresca, apenas cereais integrais (arroz, trigo, macarrão, pão...tudo deve ser integral) e... bom, praticamente só isso.

NUTRIGENÔMICA

Pode parecer que não há nada de novo em falar que a pessoa emagrece comendo (quase) só salada, mas Fuhrman montou sua dieta baseada na área mais nova da nutrição, a nutrigenômica. Estudos recentes mostram que os fitoquímicos [substâncias presentes em vegetais] atuam no DNA das células e estimulam a queima de gordura.

O médico americano também contrapõe sua dieta ao estilo de alimentação moderno, caracterizado pelo consumo excessivo de alimentos industrializados. E não poupa nem os produtos "light". Segundo ele, além de os processos industriais como refinamento e pasteurização diminuírem o teor de nutrientes dos alimentos, os corantes, conservantes e espessantes usados jogam contra o processo de emagrecimento. "Esses produtos químicos fazem o organismo produzir mais substâncias inflamatórias, que criam depósitos de gordura no corpo. E também aumentam a sensação de fome - é o que chamo de 'fome tóxica'", disse Fuhrman.

O nutrólogo Hélio Osmo, consultor da Abiad (associação que reúne produtores de alimentos diet e light), concorda que o consumo indiscriminado desses produtos deve ser revisto: "Eles contêm vários aditivos químicos e ainda não sabemos até que ponto podem afetar a saúde". Mais difícil de engolir é a afirmação de que a pessoa não sentirá fome se aderir à dieta proposta por Fuhrman --que monta cardápios diários com apenas três refeições e proíbe os lanchinhos. "Não existem estudos independentes comprovando que comida rica em micronutrientes tira a fome", afirma o endocrinologista Alfredo Halpern, da USP.

A pesquisa usada por Fuhrman para comprovar sua teoria de fome tóxica foi feita pela internet, com cerca de 700 usuários de seu site (www.drfuhrman.com). Para Halpern, o lado bom do programa de Fuhrman é a proposta de uma alimentação saudável. "Se a pessoa passar a comer melhor, ótimo. Consumir mais orgânicos e alimentos frescos também é bom, têm muitos 'químicos' por aí. Mas não há garantia de que ela vá emagrecer, muito menos ter uma grande perda de peso em pouco tempo", diz ele.

LEITE E CARNE

Outro ponto polêmico da dieta é a restrição ao consumo de leite e derivados e de carnes. Quem quiser seguir o seu programa de seis semanas - que, afirma o médico, leva à perda de cerca de dez quilos - tem que cortar totalmente esses alimentos. "A pessoa não pode e não deve eliminar a carne se quiser ter uma alimentação equilibrada, porque ela fornece proteínas mais completas do que as encontradas nos vegetais", afirma o nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia).

O leite também não pode ser simplesmente trocado por verduras para suprir as necessidades de cálcio, segundo Ribas Filho. "Claro que há vegetais ricos em cálcio, mas a biodisponibilidade [taxa de absorção pelo corpo] do mineral é muito menor do que a do leite. Para obter a quantidade necessária, você precisaria comer 500 gramas de verdura por dia." Pois é justamente isso que Fuhrman propõe.

E aí? Será que pega aqui no Brasil?

(fonte: www1.folha.uol.com.br)