6 de jul de 2012

Regra número 44

As regras das duas partes anteriores tratam, principalmente, de questões sobre o que comer. Aqui elas tratam de algo um tanto mais elusivo, mas não menos importante: o conjunto de comportamentos, hábitos alimentares, tabus e diretrizes tácitas que governa a relação de uma pessoa (e de uma cultura) com o alimento e com o comer. "Como você come pode ter tanta relação com sua saúde (e seu peso) quanto o que você come.

 Talvez essa seja a lição mais profunda do chamado paradoxo francês: o mistério (pelo menos para os nutricionistas) de uma população que come todo tipo de alimento gorduroso supostamente letais, e que os rega com vinho tinto, mas que, apesar disso, é mais saudável, mais magra e ligeiramente mais longeva do que nós. O que os nutricionistas não vêem nos franceses é um povo que tem uma relação com o alimento completamente diferente da nossa.

Eles raramente beliscam, comem porções pequenas, em pratos pequenos, não repetem, e comem quase sempre sem pressa, em longas refeições compartilhadas com outras pessoas. As regras que governam esses comportamentos podem ser mais importantes que qualquer nutriente mágico em sua dieta. Nesta terceira parte, as regras são concebidas para estimular uma relação mais saudável com o alimento, seja o que for que você estiver comendo.


 Regra número 44: PAGUE MAIS, COMA MENOS



 Com a comida, assim como com tantas coisas, existe a relação custo-benefício. Há também que se optar entre qualidade e quantidade, e a “experiência alimentar” da pessoa – a duração de uma refeição ou quociente de prazer – não necessariamente tem correlação com a quantidade de calorias consumidas. O sistema alimentar norte-americano há muito dedica suas energias a aumentar a quantidade e reduzir os preços, em vez de melhorar a qualidade. Não há como fugir do fato de que o melhor alimento – em termos de sabor ou qualidade nutricional (que muitas vezes correspondem) – é mais caro, porque foi cultivado ou criado de forma menos intensiva e mais cuidadosa.


(Olhe as duas fotos: o tamanho do hambúrguer e das fritas é bem menor na 2a foto, mas a qualidade, sem dúvida já parece ser bem melhor, não?)

Nem todo o mundo pode pagar para comer bem nos EUA, o que é uma vergonha, mas a maioria de nós pode: os norte-americanos gastam menos de 10% de sua renda com comida, menos que os cidadãos de qualquer outra nação. Como o custo da comida nos EUA caiu, tanto em termos de preço como do esforço exigido para colocá-la na mesa, andamos comendo muito mais (e gastando mais com médicos). Se gastar mais para comer melhor, você provavelmente comerá menos, e tratará a comida com mais cuidado. E se essa comida de mais qualidade for mais gostosa, você precisará de menos para se sentir satisfeito. Opte pela qualidade em detrimento da quantidade, pela experiência alimentícia em detrimento de meras calorias. Ou, como diziam as avós: “É melhor pagar ao dono da mercearia que ao médico.”