31 de ago de 2012

Laser no tratamento de varizes e vasinhos faciais

O princípio da fototermólise seletiva aplicada no tratamento com laser em várias lesões cutâneas foi introduzido por Anderson e Parrish em 1983. Onde se usa uma fonte de luz (laser) para tratar uma determinada estrutura da pele através da atração que essa estrutura exerce sobre a luz. Um determinado alvo (cromóforo) atrai um determinado comprimento de onda da luz e esta destrói a estrutura através de calor.



No caso das estruturas vasculares, o alvo (cromóforo) é a oxiemoglobina e a carboxiemoglobina, pigmentos do sangue que está dentro dos vasos. A luz do laser é atraída por esse pigmento, e atravessa a pele sobre o vaso sem lesá-la.

O primeiro laser empregado no tratamento de lesões vasculares foi o laser de argônio, em trabalho publicado por Dixon e cols. (1984); posteriormente, foi abandonado no tratamento das lesões vasculares em virtude da baixa seletividade, observando-se grande número de lesões cutâneas associadas. Após a experiência inicial com o laser de argônio, o Dye Laser foi o primeiro laser a aplicar o princípio da fototermólise seletiva no tratamento das lesões vasculares.

Mais recentemente foram desenvolvidos outros lasers como o laser de criptônio, vapor de cobre, cobre-bromídio e argônio dye laser, e a luz pulsada de alta energia que tem ação semelhante à do laser. Os últimos lasers desenvolvidos para o tratamento das lesões vasculares são os lasers de argônio com onda contínua, dióxido de carbono com onda contínua, alexandrita de pulso longo e neodímio:YAG (Nd:YAG) de 1.064 nm.

O laser Nd:YAG é o mais recente laser desenvolvido especificamente para o tratamento de lesões vasculares, especialmente veias da perna, e é com este que trabalhamos na Clínica DUE. Ele emite alta energia e possui comprimento de onda de 1064 nm, atingindo vasos com até 5 mm de profundidade da pele.

Weiss e Weiss, em 1999, relataram maior tolerância das peles do tipo IV e V (aquelas mais morenas e bronzeadas) para com este laser, observando-se menor número de complicações como crostas e hipercromias (manchas escuras).

Em um estudo comparativo entre o uso do laser Nd:YAG 1.064 e a escleroterapia convencional, ambos mostraram resultados semelhantes, não sendo observadas diferenças estatisticamente significantes entre os dois grupos (porém a limitação deste trabalho deve-se ao pequeno número de pacientes tratados, apenas 14 pacientes).


Já um outro estudo com 20 pacientes que foram seguidos durante três meses onde se comparou a eficácia da escleroterapia convencional ao tratamento com Nd:YAG 1064nm, mostrou melhores resultados com a escleroterapia convencional e recomendou o laser apenas para casos de fobias a agulha, névoa telangiectásica e alergia a esclerosantes. Um outro estudo com 20 pacientes submetidos ao laser, relatou clareamento maior que 75% dos vasos no seguimento após um mês da aplicação.

O laser Nd:YAG resulta numa excelente resposta ao tratamento nas veias reticulares (aquelas bem fininhas, roxas ou azuladas), acarretando um vasoespasmo significativo destas veias principalmente no rosto, onde a pele é mais fina.

Nas telangiectasias da perna, dificilmente ocorre o desaparecimento imediato após o tratamento, observando-se segmentação do vaso com trechos trombosados ou vasoconstritos. O vaso sofre destruição pelo calor da luz laser e é aos poucos reabsorvido pelo organismo, sumindo. Esse processo demora cerca de 4 semanas após a sessão para ser melhor observado. E ainda pode ocorrer melhora do resultado com desaparecimento de mais vasos em até 6 meses após a sessão.

A sessão dura cerca de meia hora e é um pouco dolorida (sensação de fisgadas e queimação), e pode ser realizada a cada 30 dias. Para eliminação completa (dependendo da quantidade de vasinhos que a pessoa apresenta) podem ser necessárias 3-4 sessões, ou mais. Isso porque temos que tomar cuidado durante a aplicação do laser para não disparar o laser mais de uma vez sobre o mesmo local, para não super-aquecer a pele ao redor do vaso e evitar queimaduras. As queimaduras podem ocorrer, mas são raras.

Antes e após a aplicação, a paciente deve se manter afastada do sol por cerca de 15 dias. Atividades físicas intensas devem ser evitadas nas primeiras 24 horas da aplicação.