30 de abr de 2013

Dieta mediterrânea reduz risco cardíaco


Um dos mais longos trabalhos científicos sobre a dieta mediterrânea, rica em azeite, vegetais e peixe, sugere que ela pode reduzir o risco de problemas cardíacos e derrames em pessoas mais velhas e com mais probabilidade de sofrer desses males.

O estudo levou cinco anos e envolveu 7.500 pessoas na Espanha. Quem comia a dieta com muito azeite ou castanhas teve um risco 30% menor de sofrer problemas cardiovasculares graves do que os que receberam a orientação de seguir uma dieta com baixa gordura, mas, na verdade, não cortou muito esse nutriente.
Os adeptos da dieta mediterrânea comeram mais fruta, peixe, frango, feijões, saladas, molho de tomate e vinho.

Esse estilo de dieta é ligado há tempos à saúde do coração, mas a maior parte dos estudos a respeito são observacionais. A evidência agora é mais forte porque as pessoas foram seguidas por um longo tempo e monitoradas. Os médicos fizeram exames laboratoriais para verificar que os participantes estavam consumindo mais azeite e castanhas, como havia sido pedido.

A maioria dessas pessoas estava tomando remédios para baixar o colesterol e a pressão, e os pesquisadores não alteraram essas prescrições, segundo um dos responsáveis pelo trabalho, Ramon Estruch, de Barcelona.

Como um primeiro passo para evitar problemas cardíacos, ele acredita que a dieta é melhor do que um remédio, porque há poucos efeitos colaterais. "Dieta funciona."

Os resultados foram publicados no "New England Journal of Medicine".

Os participantes do estudo não receberam menus rígidos ou contaram calorias, porque perda de peso não era o objetivo. Só 7% dos voluntários saíram do estudo em dois anos. Houve o dobro de desistências no grupo da dieta de baixas gorduras.

O estudo incluiu pessoas com idades entre 55 e 80 anos. Todas eram livres de doenças cardíacas no início da pesquisa mas tinham alto risco para diabetes, sobrepeso, colesterol alto e pressão alta.

Elas foram separadas em três grupos: dois seguiram uma dieta mediterrânea com quatro colheres de sopa de azeite de oliva ou com castanhas e nozes (um punhado ao dia). O terceiro grupo deveria ingerir uma dieta de baixas gorduras com mais pão, batatas, massas, arroz, frutas, vegetais e peixes e pouca carne vermelha e pouco óleo.


Depois de cinco anos, foi observado que os grupos de dieta mediterrânea tiveram menos problemas de saúde.

Os médicos acompanharam os infartos, derrames e problemas cardíacos. Houve 96 desses no grupo da dieta mediterrânea com azeite, 83 no grupo das nozes e 109 no grupo que não usou a dieta mediterrânea.

O derrame foi o problema para o qual a dieta mediterrânea fez mais diferença. Não houve mudanças no índice de mortes.

Os seguidores da dieta ingeriram 200 calorias a mais por dia do que o grupo das baixas gorduras.
O governo espanhol financiou o estudo; azeite e castanhas foram pagos por empresas fabricantes desses produtos na Espanha e nos EUA.

Muitos dos autores têm financiamentos da indústria de alimentos e vinhos, mas afirmam que as empresas não tiveram papel algum no desenvolvimento do estudo e nos resultados.

Rachel Johson, chefe do comitê de nutrição da American Heart Associaton, diz que o estudo é importante porque acompanhou números de infartos, derrames e mortes e não só mudanças nos números de colesterol.

(Fonte: www1.folha.uol.com.br)