14 de mai de 2013

Carnitina emagrece?


A carnitina é um aminoácido encontrado em carnes e laticínios, mas que também é sintetizada no fígado e nos rins a partir da lisina e da metionina. 

A principal função da carnitina é facilitar o transporte e a metabolização dos ácidos graxos de cadeia longa para o interior das mitocôndrias para beta oxidação e geração de energia. Como suplemento dietético, a carnitina tem sido empregada para aumentar a resistência física, facilitar o metabolismo de gorduras, baixar os níveis de colesterol e de triglicerídeos e melhorar o funcionamento do sistema cardiovascular (como um cardioprotetor geral).



Como a função da carnitina é facilitar o transporte de ácidos graxos para o interior das mitocôndrias para a oxidação, é possível que níveis elevados de carnitina permitam um transporte maior ou mais rápido de lipídios, acarretando um aumento na oxidação de gorduras, o que poderia relacionar-se positivamente à perda de peso e ou à resistência física. Uma maior participação da gordura na produção de energia poderia resultar também em preservação do glicogênio muscular, na redução da produção de ácido láctico e na subsequente melhora do desempenho físico na prática de exercícios.

Estudos sobre a função da carnitina como substância ergogênica têm apresentando resultados confusos: diversos ensaios sugerem um efeito benéfico dos suplementos e outros indicam nenhum efeito. Estudos mais antigos sugeriram um efeito indireto da carnitina sobre a resistência e o desempenho físico de atletas mostrando redução no quociente respiratório, o que indica maior participação das gorduras na produção de energia (Huertas et al., 1992). 

Há algumas indicações de que a suplementação de carnitina possa ajudar a acelerar a recuperação após a prática exaustiva de exercícios (Volek et al., 2002) – um efeito que poderia ser tradução em um benefício ergogênico final em atletas em treinamento ou em competição que se estendem por vários dias, porque a recuperação após o exercício, nessas condições torna-se um fator limitante.

Com relação à perda de peso, constatou-se que dietas muito hipocalóricas (menos de 800 kcal por dia), utilizadas para tratamento intensivo da obesidade, resultam em níveis muito baixos de carnitina no sangue e nos tecidos, provavelmente porque há aumento da excreção de carnitina (Davis et al., 1990). Como a carnitina transporta os ácidos graxos para o interior das mitocôndrias para oxidação, qualquer redução no status da carnitina em pessoas que tentam perder peso pode ser vista como prejudicial. Um ensaio duplo-cego (Villani ET al., 2000) avaliou os efeitos da carnitina sobre a perda de pesos em 36 mulheres com sobrepeso moderado, durante 2 meses (18 receberam 4 g/dia de carnitina, e 18 receberam placebo).

Todas as participantes do grupo praticaram caminhada durante 30 min. (60 a 70% da frequência cardíaca máxima), em 4 dias/semana. Os resultados não indicaram alterações significativas no peso corporal, na massa gorda, nem na oxidação de gordura tanto durante os exercícios como durante o repouso, o que sugere que a cartinina não é particularmente efetiva na perda de peso.

É importante observar que algumas formas de suplementação de carnitina contém na realidade a forma fisiologicamente inativa da carnitina (D-carnitina) em vez da forma que é ativa em seres humanos (L-carnitina).

(Fonte: www.endocrinonews.com)