14 de nov de 2013

Saiba mais sobre a Obesidade

O livro "A Obesidade" escrito por Ricardo Cohen e Maria Rosária Cunha, enumera as principais formas de tratamento, explica as vantagens das dietas e esclarece quando há necessidade de uso de medicamentos ou realização de procedimentos cirúrgicos. O volume faz parte da coleção Folha Explica (da Folha de São Paulo), uma série de livros que abrangem temas atuais e diversas áreas do conhecimento.




Leia um trecho:


" Além do peso maior, os indivíduos obesos apresentam quantidade de gordura superior à considerada normal.

Como saber se ocorre maior acúmulo de gordura? E como saber se há obesidade?

No fim da década de 1970, companhias de seguro internacionais (em especial americanas) utilizavam tabelas que relacionavam peso com altura e determinavam se o cliente era obeso. 

Em caso afirmativo, eles tinham de pagar prêmios maiores, pois enfrentavam maior risco de doenças graves e morte. Essas tabelas simples apresentam grandes falhas, já que pessoas com a mesma altura podem ter constituições diferentes. Por exemplo, um atleta talvez tenha peso igual ao de um obeso, mas à custa de massa muscular, e não de gordura acumulada.

Também adaptado de estudos de seguradoras, o referencial mais aceito hoje pela comunidade científica é o cálculo do índice de massa corpórea (IMC). Ele corresponde ao peso da pessoa, em quilos, dividido por sua altura, em metros, elevada ao quadrado:

IMC = peso (em kg) / altura 2 (em metros)

Quando o resultado dessa divisão fica entre 19 e 25, diz-se que o indivíduo é normal. Entre 26 e 30, diz-se que há sobrepeso e, acima de 30, obesidade. É internacionalmente aceito que pessoas com IMC maior que 39 são obesas graves, ou obesas mórbidas.

Podem-se também empregar outros recursos, mais sofisticados, para definir a obesidade, como, por exemplo, a densiometria corpórea (mensuração por radioisótopos da quantidade de gordura do corpo) e a bioimpedância (medida da resistência dos tecidos à passagem de energia). Contudo, esses métodos, por sua complexidade e custo, não são muito utilizados.

Já em 1985, uma reunião do NIH (National Institute of Health, órgão nos EUA equivalente ao Ministério da Saúde) concluiu, com base nesses dados epidemiológicos, que a obesidade é uma doença que influi adversamente na incidência de doenças graves, reduzindo a qualidade de vida e a própria longevidade. Isso porque um IMC acima de 30 aumenta a probabilidade de ocorrerem distúrbios como o diabetes, a hipertensão, os acidentes vasculares cerebrais, o infarto e outras doenças sistêmicas.

Assim, se alguém atingiu um IMC de 30, cuidado! Problemas sérios estão à vista, requerendo mudanças de estilo de vida. O assunto é sério.

Desde 1991, a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera a obesidade uma doença, com dimensões assustadoras, sendo tão preocupante quanto a desnutrição. Nos EUA, cerca de 65% dos adultos têm excesso de peso; no Brasil, cerca de 40%. 

É mais aterrorizante ainda saber que, segundo o relatório de 1997 da OMS, aproximadamente 24% dos adultos do mundo têm IMC maior que 30 e que os índices de "gordura" populacional vêm aumentando em ritmo acelerado.

A importância da obesidade é tal que, em 2001, publicou-se que a mortalidade secundária ao excesso de peso é a segunda causa de morte evitável nos EUA, perdendo apenas para os óbitos por traumatismo (resultante de acidentes de trânsito, por exemplo). 

No ano de 2004, a Organização Mundial de Saúde definiu a obesidade como "doença do milênio". Ela já é tida como primeira causa de morte evitável no mundo.

Esse assunto vem preocupando o médico brasileiro. Desenvolvem-se pesquisas para a real mensuração da quantidade de obesos no país, e vários especialistas estão se envolvendo cada vez mais. Adiante, conheceremos as causas e os tratamentos da obesidade. Entre estes, está a cirurgia, e veremos como ela pode ajudar a controlar essa verdadeira epidemia mundial.

Apesar do crescente número de obesos e do também crescente interesse médico e popular pelo assunto, a doença é uma das mais difíceis de tratar e uma das menos compreendidas em termos científicos. Lamentavelmente, a sociedade e a comunidade médica em geral não têm real entendimento dos problemas que o obeso padece no cotidiano e dos riscos que ele corre, e menos ainda de como optar pelo tratamento mais adequado. Inevitavelmente, o obeso sempre carrega a culpa. 

Aspectos sociais, psicológicos e comportamentais recebem tanta importância que as causas e o tratamento têm sido deixados de lado.

Hoje, na era da informação, é crucial aprender a abordar o assunto e expor aos obesos os caminhos possíveis. O primeiro é aceitar a obesidade e suas complicações, convivendo conscientemente com o problema e suas conseqüências. O segundo é atacá-la com todas as armas disponíveis no arsenal médico. Então, após a opção consciente do tratamento, haverá um aumento claro da sobrevida, com a modificação do estilo de vida, dos hábitos alimentares, da atividade física e do relacionamento com o mundo. 

A obesidade não é apenas problema de personalidade - mas é fundamental ter personalidade suficiente para fugir da armadilha imposta por ela."




(fonte: www1.folha.uol.com.br)

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