19 de mar de 2014

Reposição de testosterona: bom ou ruim?


A FDA (agência que regula alimentos e remédios nos EUA) acaba de iniciar uma investigação sobre a segurança do uso de testosterona com prescrição médica.

O anúncio foi motivado por dois estudos independentes publicados recentemente. Ambos indicaram que os homens que fazem uso de produtos para reposição do hormônio têm maior risco de sofrerem infarto, derrame cerebral e morte.

A agência americana informou que, enquanto conduz as investigações, as pessoas que usam a testosterona não devem interromper o tratamento sem antes conversar com seus médicos.





A FDA também reforçou o pedido para que pacientes e profissionais de saúde relatem eventuais efeitos colaterais percebidos no uso dessa medicação.

"Os profissionais de saúde devem considerar se os benefícios dos tratamentos com testosterona aprovados pela FDA deverão ultrapassar os potenciais riscos do tratamento", alertou a agência em comunicado oficial. Nos EUA, a testosterona está aprovada em diversas apresentações, como injeções, adesivos e até mesmo em gel. No Brasil, estão disponíveis produtos de reposição masculina injetável e, desde fim do ano passado, em formato de desodorante.

SUSPEITAS 

Os dois trabalhos citados pela FDA foram publicados em um curto intervalo de tempo. Em novembro de 2013, um grande estudo no periódico "Jama", da Associação Médica Americana, indicou que homens mais velhos, muitos com histórico de doença cardíaca, tiveram um aumento de quase 30% em mortalidade, ataques cardíacos e derrames cerebrais após usarem a testosterona. Na última quarta-feira, um trabalho publicado no periódico "PLoS One" acompanhou cerca de 56 mil homens idosos e de meia idade que receberam receitas de testosterona entre 2008 e 2010. 

O trabalho comparou a taxa de ataques cardíacos desse grupo em dois momentos: um ano antes da prescrição médica e três meses depois das receitas. Os homens com mais de 65 anos tiveram risco duas vezes maior de ataque cardíaco depois de iniciar o tratamento com o hormônio, assim como os homens mais jovens com histórico prévio de doenças cardíacas. Segundo especialistas, a queda no nível de testosterona é um processo natural, que começa gradualmente em torno dos 40 anos. Pesquisas indicam que um percentual muito baixo de homens chega a apresentar sintomas claros dessa redução, como a diminuição da libido e ondas de calor. São para esses casos, de níveis baixos e com sintomas, que se recomenda a reposição. 

EM ALTA 

Estudos recentes têm mostrado que o uso do hormônio aumentou na última década, inclusive entre homens que não se encaixam nesse perfil. Trabalho em 2013 no "Jama Internal Medicine",mostrou que o número de idosos e homens de meia-idade que recebeu receitas do hormônio triplicou desde de 2001. Cerca de um quarto deles não havia feito testes para verificar os níveis de testosterona antes de receber a prescrição. Além dos potenciais riscos apontados pelos novos estudos, a reposição tem outros problemas. Doses exageradas podem causar crescimento das mamas, toxicidade hepática, maior risco de hipertensão e apneia do sono. 
Editoria de Arte/Folhapress

(fonte: www1.folha.uol.com.br)

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