20 de abr de 2014

A polémica dos orgânicos




Um artigo foi publicado recentemente pela revista americana “Annals of Internacional Medicine” afirmando que os alimentos orgânicos não têm valor nutritivo maior do que os convencionais reacendeu mais uma vez a antiga polêmica. Os especialistas consideraram a pesquisa tendenciosa e não vêem com surpresa o novo ataque aos orgânicos.


Segundo a revista americana, o estudo publicado foi realizado pela Universidade de Stanford, por pesquisadores que revisaram 17 estudos feitos em humanos e 223 estudos sobre os níveis nutritivos e de contaminação dos alimentos orgânicos. Mas, de acordo com o médico Wanderson Machado Carvalho, que atua na área da Medicina Sustentável, seguindo os princípios das ciências quânticas e relativistas, a pesquisa visa apenas proteger a indústria do agronegócio, confundir os consumidores de alimentos convencionais e impedi-los de migrar para o lado dos orgânicos.
De acordo com ele, sempre irão aparecer pesquisas querendo igualar a qualidade dos alimentos orgânicos com a dos produtos convencionais. “Infelizmente, quem financia as pesquisas consegue os melhores resultados para defender seus interesses. As pesquisas que apresentam resultados não desejados pelos seus financiadores, não são publicadas”, afirma.
Segundo ele, muitas indústrias estão perdendo mercado para os orgânicos e estão sendo acusadas de venderem venenos para seus consumidores. “Quando um Hospital oferece alimentação com agrotóxico para um paciente com Leucemia, não há dúvidas, este hospital está dificultando a recuperação de seu cliente que está com o sistema imunológico deficiente”, exemplifica o médico, que é defensor e divulgador de uma nova consciência sobre o uso, em hospitais e clínicas, de alimentos orgânicos e biodinâmicos. 
 “Grandes corporações vão se mexer para defender seu espaço no setor internacional e manter seus lucros de vendas. Neste mercado não existe ética para a saúde da população, a ética mais importante é a financeira. Salvar a indústria é a meta”.
O médico lembra que nos Estados Unidos a migração dos consumidores de alimentos convencionais para orgânicos é um fato. Considera, portanto, que a pesquisa serve para alertar e prevenir a indústria do agronegócio, sobre a compra de produtos que na verdade “preservarão a saúde da humanidade, da terra, dos animais, dos peixes, dos lençóis freáticos, dos aquíferos, do ar...”
“Como médico não posso excluir o planeta, a genética e epigenética de bebês em prol dos agrotóxicos e dos transgênicos. Como médico sustentável, tenho vergonha da liberação de uma pesquisa tão tendenciosa liberada por uma Universidade Americana. Se os americanos fossem éticos com suas pesquisas, com certeza os Estados Unidos não estariam classificados como um país de tantos doentes.”

 Mais nutritivos sim!
Segundo a pesquisadora científica da Universidade Federal do Paraná, Sônia C. Stertz, doutora em Tecnologia de Alimentos, presidente da Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos – Regional Paraná, os orgânicos são mais nutritivos sim. Pesquisa realizada por ela na região metropolitana de Curitiba mostrou que os orgânicos possuem teores mais elevados de nutrientes, como matéria seca, cinzas, fibra alimentar, carboidratos e alguns minerais considerados relevantes para a saúde, como o ferro e o selênio.
Entre  os alimentos bastante consumidos, cuja versão é mais nutritiva, estão: batata, morango, cenoura, tomate, repolho, cebola, alface, trigo e leite. Mesmo assim, Sônia Stertz considera que a maior motivação para o consumo dos orgânicos deve ser o que eles NÃO contém e não o que eles contém. Orgânicos dizem respeito aos métodos de produção sem hormônios, antibióticos, pesticidas, herbicidas, fertilizantes químicos, irradiação, modificação genética.  
Ela também lembra que o modo de produção orgânica está inserido no conceito deSegurança Alimentar, atualmente adotado pela Organização Mundial da Saúde e pelo Brasil. “Para finalizar, tenho a dizer que não podemos compactuar com os que justificam o uso de agrotóxicos como se fosse a única maneira de produzir alimentos a qualquer custo, e como se essa fosse a única forma de alimentar a população do planeta.”

Fonte: Revista corpore

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